Tenho muita pena de maçar as pessoas outra vez, mas não posso deixar de voltar à questão, ou não questão, do canábis.
Ouvi ontem dois ilustres politicões (PC e PSD) debater a coisa com todo o entusiasmo, a ver se encontravam maneira discordar. Não conseguiram, como ninguém consegue. É que não há nada que proiba que substâncias com origem na plantinha sejam sintetizadas em laboratório, aprovadas pelo Infarmed, vendidas nas farmácias mediante receita médica. É o que acontece com a morfina (droga dura), sem que nada nem ninguém venha levantar a questão. Porque há-de o canábis (droga leve) estar de fora? Venha o diabo e responda.
Nesta ordem de ideias, o uso do produto para fins terapêticos não é assunto, nem problema, nem questão. Nada.
Então por que carga de água o BE se lembrou desta? Por alma de quem vêm uns tipos da política perder o nosso rico tempo com tal não matéria? Porque andam para aí teóricos em barda preocupadíssimos em esclarecer o que está mais que esclarecido?
O BE pode ter apresentado o seu já famoso projecto de lei por duas razões, alternativas ou cumulativas. A primeira, mais que certa, é que quer publicidade à custa de uma borrada, de uma mentirola política sem sentido, mas com larga publicidade no nosso tão saloio meio e nos nossos tão oportunistas media. A segunda, se calhar tão certa como a primeira, é um artiguinho do projecto que abre a possibilidade de você, caro leitor, cultivar umas plantinhas na sacada lá de casa. Para quê? Para vender aos laboratórios farmacêuticos? Não brinquem com o pagode. O que o BE quer é arranjar mais uma questão “fracturante”, isto é, pôr os adeptos a usar umas passas, ou lá o que é. Tirando isso, o projecto de lei não vale um caracol, não serve para nada, é totalmente idiota.
O IRRITADO não se preocupa lá muito, ou lá nada, com o canábis para “fins recreativos”. Há coisas piores. Mas fica piurso com as patacoadas aldrabonas do BE e com a importância que lhes estão a dar.
12.1.18

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