Na opinião de um douto Tribunal, o juiz dos jeans e da tshirt que mandou prender o socialista Pedroso e que era, até então, oficialmente considerado “bom com distinção”, cometeu, ao prendê-lo, um “erro grosseiro”, e demonstrou não ter “normal inteligência”, nem “experiência”, nem “circunspecção”.
O juiz passa, assim, a ser um anormal, um tipo que faz asneiras. O mesmo se tornando, por inevitável e lógica consequência, os que o consideraram “bom”, “distinto”, inteligente e circunspecto.
Há, por conseguinte, na magistratura, uma série de pessoas que outras pessoas da magistratura acusam de estupidez e imprudência.
Muito interessante, também, é esta brutal verdade, veiculada para os jornais: os magistrados encarregados do assunto já sabiam há muito que o juiz em causa tinha praticado um erro grosseiro. Mas só usaram a expressão depois da entrada em vigor da reforma legislativa que a penalizava.
Não se livra o legislador de que se diga que trabalhou à medida dos desejos do socialista Pedroso. O que se poderia saudar como um avanço da Justiça (a penalização da (i)responsabilidade extra contratual do Estado) era, pode alegar-se, tão só uma maneira de arranjar umas massas para o camarada Pedroso.
Por outro lado, uma vez que as acusações de pedofilia homossexual do processo Casa Pia se baseiam em prova testemunhal, haverá que perguntar, com toda a inocência, porque é que as testemunhas que foram idóneas para justificar a prisão de outros suspeitos perderam a idoneidade quando se tratou do mesmo em relação ao socialista Pedroso*.
Afinal, perguntará o aparvalhado cidadão, houve uma cabala de desconhecidos contra o PS, ou há uma cabala do PS para safar o camarada Pedroso? E, uma vez que Pedroso declarou ser adepto de um governo de coligação com o PSD, não haverá uma mãozinha deste na trapalhada?
Perguntas que ficarão, como de costume, sem qualquer resposta.
António Borges de Carvalho
* O Irritado não tem posição quanto à culpa ou inocência seja de quem for, no que ao caso Casa Pia diz respeito.

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