IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


BIC LARANJA

 

Num blogue anónimo, intitulado BIC LARANJA, generosamente referido com chamada na primeira página no “SAPO” (coisa da PT), ilustrado com fotografia do Senhor Dom Duarte, o respectivo autor (um tipo sem nome) dedica uma crítica absurda, ignorante, idiota e mal intencionada à iniciativa do Senhor de pedir a nacionalidade timorense.

O Irritado apressou-se a fazer um comentário ao tal escrito. Mas o comentário foi recusado pelo site, que declarou só aceitar comentários de “amigos”. Ou seja, para ter opinião sobre o que seja quem for resolve tornar público no electrónico pasquim, é preciso estar devidamente registado, identificado e catalogado.

Não admira pois que o anónimo autor das bojardas em causa, o tal BIC LARANJA, se dedique a tecer opiniões, tomando o cuidado de evitar que quem com elas não concorde o diga abertamente e pela mesma via.

Acrescente-se que a anónima criatura escreveu que considera condenável que o Senhor Dom Duarte tenha pedido a nacionalidade timorense, o que o torna “estrangeiro” e o impede de representar o Trono Português.

 

Aqui vai o comentário que o IRRITADO tentou fazer à estúpida “notícia” e cuja publicação foi rejeitada pelo dono do tal blogue:

 

Não se sabe quem foi o(a) artista que bolsou este post. Sabe-se, e já não é pouco, que o sapo resolveu dar-lhe destaque, o que muito diz sobre a filosofia sensacionalista do dito e da sua patroa, a PT. Sabe-se também que o anónimo autor da “notícia”, guarda os IP’s de quem o comenta, o que nos dá uma ideia da moral que preside ao blogue.

Posto isto, não será mal referir que o Senhor Dom Duarte defende, talvez com exagerado ou utópico patriotismo, a Confederação dos Estados de Língua Portuguesa – tão maltratada pela república com acordos ortográficos e incompetência militante – e considera a língua, como o Poeta, a nossa Pátria – ou a Pátria que nos resta, digo eu.
O Senhor Dom Duarte esclareceu cabalmente a sua posição a este respeito, coisa que a BIC do autor não considera nem refere. Tal posição está em perfeita sintonia com a ideia de alargar politicamente o mundo que fala português. O senhor Dom Duarte, julgo, sendo PORTUGUÊS, é também brasileiro. Porque não timorense, moçambicano, etc.?

Que melhor simbolismo para quem tem, da sua Pátria, a superior e generosa ideia de algo que, moralmente, transcende o seu território europeu e as circunstâncias da política?
Ao contrário do que ignorantemente diz o autor do torcionário post, a atitude do Senhor Dom Duarte, se pode ser “acusada” de sonhadora, não pode deixar de ser considerada como altamente patriótica e merecedora de elogios. Aliás, para quem seja minimamente conhecedor destas coisas, a iniciativa não fere, nem um milímetro, os direitos políticos do Senhor Dom Duarte. Podem estes ser negados por republicanos jacobinos ou por outras gentes, mas jamais o serão pelo facto de o Senhor ter, também, outras nacionalidades.
Só a ignorância e a malevolência podem fazer com que alguém se exprima a este respeito como o fez o autor do post

Lisboa, 2 de Dezembro de 2010
António Borges de Carvalho

 

2.12.10

 

António Borges de Carvalho



21 respostas a “BIC LARANJA”

  1. Costumo passar pelo BIC LARANJA,e por acaso até li o post em apreço.Concordo com o que o autor escreveu,já não concordo com a atitude de censurar uma opinião.Poderei não concordar com o que dizes,mas defenderei sempre o direito de o dizeres.

  2. “Il ne faut pas leur repondre: ce qu’ils disent est si bête que même à les contredire on déraisonne.”O que é que se poderia esperar desta gente, que há uns anos tecia loas à Internacional Socialista ou união ibérica e quando alguém de um campo político diferente exprime o seu amor a Portugal — e vontade de o “viabilizar” – logo se transmuta em funcionário do registo civil e declara, do alto da sua ignorância e debaixo da malquerença, que tal é “inconstitucional” e as outras parvoeiras do costume?!Nada os move se não houver dinheiro em jogo e nada mais entende que isso. Depois do 25 de Abril, quando vieram de Timor umas centenas de pessoas que tudo deixaram para se juntar a Portugal, logo tiveram oportunidade de constatar como estavam enganados com os nossos democratas, Almeida Santos à cabeça deles. Enquanto os “retornados nacionais” que fugiam (o eufemismo politicamente correcto e historicamente incorrecto era que “retornavam”, ainda que muitos vivessem lá há gerações) de África tiveram direito a ser instalados em hotéis e aldeamentos turísticos (o MFA e Soares tinham medo do seu desespero e tentavam por isso “amaciá-los”), os pobres timorenses ficaram acampados em barracas da tropa, junto ao fétido rio Jamor. Uns cinco anos depois, estive numa festa de Natal na igreja da Cruz Quebrada, em que toda essa comunidade, sacrificada mas tenazmente portuguesa, recebeu como única visita de vulto o Senhor D. Duarte. Mais ninguém se dignou comparecer.Decorrem mais uns tempos e descobre-se petróleo no mar de Timor. Aí é que se viu como afinal todos amavam entranhadamente os timorenses. Ramalho Eanes – que em 2 mandatos de presidente, ali bem perto em Belém, nunca se lembrara de visitá-los – lá foi num barco até Timor para lhes prestar homenagem. É claro que a iniciativa destes homúnculos havia de ser o que foi: queriam desembarcar em Dili, mas como lhes surgiu ao caminho uma ameaçadora canhoneira, lançaram uma coroa de flores ao mar e fugiram como homens de palavras que são – não confundir com “homens de palavra”. Eanes disse mais tarde que não soube de nada… porque tinha descido ao camarote, a fardar-se!Depois da independência, partiu de Lisboa um avião transportando jornalistas e políticos, o Senhor D. Duarte seguia nele. Mas é claro que os republicanos conseguiram que alguém que nunca abandonou os mauberes não pudesse seguir da escala da Austrália para Timor “porque não havia lugar no avião”.Obviamente encontrou-se um lugar para Maria Barroso, a quem vi pelo telejornal perorarando junto de um grupo de mulheres (que não sabia falar português!) como ela e o marido também tinham sido perseguidos pela PIDE e outras enjoativas mentirolas do costume, repetidas ad nauseam.Com esta malta é assim, em Jamor, Timor ou no Sapo. Nunca sabem esgrimir de modo limpo. Ainda há pouco li algures o famoso “mot d’esprit” de Shaw: “I learned long ago, never to wrestle with a pig. You get dirty, and besides, the pig likes it.”E se alguém duvidar que isso é verdade, basta ler alguns comentários por lá – ou aqui.

    1. Porque escrevi este comentário apressadamente, esqueci-me de “assiná-lo”.

      1. Não que fosse preciso, caro Manuel: todos que estão habituados a lê-lo, sabiam de quem era. O estilo é difícil de confundir, e os ideais são os mesmos de sempre, assim como a qualidade da prosa. Concordo consigo e com o Irritado em tudo o que escreveram, excepto quanto à nova “cruzada” do Rei-que-nunca-o-há-de-ser. Muito prosaicamente, parece-me mais uma tentativa de chamar a atenção, do que uma iniciativa séria seja para o que for. Embora admita que posso estar a ser parcial, pois não vejo D. Duarte como alguém capaz de fazer seja o que for de “sério”. Quem vive em castelos de nuvens, dificilmente põe os pés na terra. Um abraço, FB

        1. Caro Filipe,Muito obrigado pelo seu primeiro parágrafo, cujo segundo período restituo inteirinho ao remetente, acrescentando que ele sabe agregar a disposição literária, convicções e composição com essa coisa imprescindível que é a inteligência.Sobre o Duque de Bragança, um dia lhe direi mais à puridade o que penso dele como homem. A sua ingrata e quase opressiva posição projecta sempre uma luz crua demais e frequentemente injusta sobre as suas imperfeições, inerentes a qualquer condição humana.O regime deixa-o viver em paz mas sempre que toma alguma atitude, logo surgem discretas mas não menos hostis pressões para o apoucar e remeter ao silêncio. Todavia ele tem porfiado em não se calar e acredite que está muito mais bem informado do que o Filipe pode pensar.D. Duarte não precisa de se pôr em bicos dos pés precisamente porque a sua relevância não advém dele (em si mesmo) mas daquilo que representa: nada menos que todos os Reis de Portugal, por estirpe, varonia e primogenitura. Pode ter a certeza que essa consideração ou memória poética que o povo lhe devota, bem real (nas duas acepções das duas palavras), é muito maior do que se julga à primeira vista. Mesmo os que se sorriem e tentam ridicularizar todo esse intangível património, bem o sabem – porque tudo isso os transcende e não é passível de negociações políticas, com o que tal teria de encardido e perecível. Ou se é, ou se não é. Ele é.Neste momento, concordo que isso vale menos do que deveria, mas valerá sempre. E depois de os Guterres e Sócrates voltarem para as aldeias de onde nunca deveriam ter saído (Donas e Vilar de Maçada, respectivamente) ele continuará a ser conhecido, apreciado e recebido em todo o Mundo, desde o imperador japonês ou rainha inglesa até àquele velhinho de 80 anos, dono de uma drogaria na rua da Lapa que trouxe de casa, para me mostrar, uma fotografia emoldurada do Príncipe D. Afonso, que tirara na televisão, quando da transmissão do baptizado em Guimarães. E apontava, orgulhoso, o autógrafo de D. Duarte – pois enviara-a pelo correio para Sintra e fora-lhe devolvida com uma simpática dedicatória.Quando o Marquez de Lavradio estava a morrer, em 1945, a família avisou a Rainha D. Amélia, que de imediato o veio visitar. Apesar de fraquíssimo, assim que viu a Rainha entrar no quarto, soergueu-se com esforço na cama e disse, num sopro:- Fui sempre fiel!E a Rainha, a cujo filho ele servira, para isso abandonando tudo e exilando-se também, respondeu docemente:- Fiel, não, José. Foi o mais fiel…Eis uma cena que nunca se passará com Manuela Eanes ou Maria Barroso.Aproveito para referir contudo, que o grande mal do nosso povo não é o regime não ser monárquico – mas ser anárquico, desde a promulgação da Carta Constitucional.Para se saber viver em liberdade e democracia é preciso ser-se civilizado, como o foram os republicanos gregos ou são os monárquicos ingleses.Por cá, é o que se vê: um primeiro-ministro ordinário, espertalhão, prepotente e desonesto, cuja renovação de mandato nos deixou arruinados por muitos anos. Um abraço amigo doManuel

          1. Enquanto Guterres e Sócrates foram paridos em Portugal,o putativo rei de Portugal,D.Duarte Pio de Bragança,nasceu em Berna,e se por remota hipótese viesse a ser rei de Portugal,o seu cognome seria o timorense.Se o sr D. Duarte fosse querido e desejado pelo povo,certamente se manifestaria em votação no partido monarquico.A Republica Portuguesa tem tido relativamente ao sr D. Duarte um comportamento,que seria impensável a monarquia ter para com os seus adversários.Para saber viver em liberdade e democracia é preciso ser-se civilizado,foi precisamente a nossa triste monarquia que manteve um povo analfabeto,estupidificado e submisso,logo incivilizado.A história não é passivel de ser alterada conforme as crenças de cada um!!!

          2. Caro Manuel, Há algum tempo que ando para perguntar-lhe: o que pensa de Miguel Esteves Cardoso? Deixo-lhe a questão assim aberta, na esperança de que a leia, e de que a interprete como lhe aprouver. Um abraço,FB

          3. Estimado Filipe,Não segui muito de perto a carreira do Miguel Esteves Cardoso. Lembro-me dele, ainda não famoso, quando tinha um programa de crítica literária de uns 15 minutos, transmitido a desoras na RTP. Chamou-me então a atenção o seu gosto inglesado e os tiques de tirar a língua de fora a todo o momento e tocar na ponte dos óculos a cada duas vezes que surgia o tique da língua, o que era um tanto cansativo de observar.Mais tarde li algumas coisas suas do Independente. Fui um leitor muito moderado desse jornal. É inegável que tanto ele como Paulo Portas “davam dez a zero” à maioria dos jornalistas de então mas do pouco que fui lendo, aqui e ali, achava que por vezes, na ânsia de romper caminho, pisavam o risco.Um exemplo pode bem ser a entrevista que os dois fizeram ao Taveira, esse sujeito supinamente encanitante que pelo seu mau karma mereceu tudo o que lhe aconteceu depois (anos mais tarde vi a cassette, um verdadeiro nojo, sobretudo pelo sadismo condescendente com que ele tratava aquelas pobres secretárias). Ainda assim, eles estavam ali para entrevistá-lo e não dar notícia de chamadas pessoais, como o telefonema que o viril arquitecto recebeu do Cadilhe, vaidosamente feita à frente dos jornalistas, sem que o ministro soubesse. A publicação do diálogo valeu que Cadilhe fosse à vida. O que Portas queria era abater Cavaco e tudo lhe servia nesse desiderato. No entanto, de todos os implicados, Cadilhe era o mais decente e inocente – e foi ele que desandou.É claro que quem está sempre a inovar, depara-se mais vezes com a situação de erro/lição do que aqueles que seguem o caminho já desbravado.Também na Noite da Má-Língua era Esteves Cardoso quem salvava o programa, que deixou de ter qualquer interesse depois que se foi embora. Ainda hoje os do Eixo do Mal tentam repetir o estilo, sem a menor graça e portanto tudo aquilo sai um pastelão intragável de 4 presunçosos a interromperem-se permanentemente.Vou vendo, de longe em longe, o que ele escreve no Público (não gasto um tostão – nem tempo – em jornais, por isso só os leio quando vou ao clube ou ao barbeiro) e acho que perdeu um pouco da chama. Há uns tempos alguém me enviou um youtube de um actor a ler um texto seu sobre palavrões e tinha uma certa inventiva. Afinal, ele nunca deixou de ser perspicaz, culto e divertido, com talento e ironia – tudo qualidades por uso ausentes na nossa “comunicação social”.Um abraço amigo doManuel

          4. Apostila ao anterior: o tique do Esteve Cardoso consistia em empurrar os óculos, com o indicador, para os encaixar melhor. Pela maneira como redigi, poderia inferir-se que ele tocava a ponta dos óculos com a língua, o que seria bem mais cansativo de ver… e sobretudo fazer!O Cunhal tinha o mesmo tique de trazer a língua cá fora, num gesto rápido que lembra os ofídios – ou a maior parte do que ele dizia não fosse puro veneno.

          5. Caro Manuel, imaginar o MEC a esticar uma língua de sapo para ajeitar os óculos, faz sorrir qualquer um. O tipo nasceu com uma cara engraçada, o que se há-de fazer. No entanto, para mim, foi dos melhores da sua geração. Apenas lhe faltava o fôlego do romancista, mas numa crónica era – e continua a ser – um poço de talento. Tornou-se também uma figura trágica, pela sua queda pós-Independente. Eu lia o jornal quase todas as semanas, em boa parte por causa dele. Há pouco tempo, bufou o que todos mais ou menos já sabiam: as noitadas n’O Independente andavam a toque de vodka, e comprimidos suficientes para abastecer uma farmácia. Ainda assim, não trocava um único Independente dos bons tempos, por todos os jornais actuais. O MEC de hoje terá perdido chama, e muita, mas recordo-o sempre com saudade. Tiques e más decisões à parte, simbolizou um brilhantismo que jamais se voltou a ver nos media, e uma época do jornalismo de investigação que só encontra modesto paralelo no Sol dos tempos recentes. Sim, pisavam o risco – mas não pisa o Sol o risco, quando faz manchetes com o conteúdo de escutas em (suposto) segredo de justiça? Quem nos dera, que mais fizessem o mesmo. E que diferença, entre ler uma crónica do MEC ou um dos bocejos do Sr. Saraiva… Um abraço, FB

          6. Prezado Filipe,Folgo que estejamos de acordo sobre Esteves Cardoso. Não sabia da sua débacle pós-Independente, tinha reparado que andava retirado mas não o julgava assim abatido (“uma figura trágica”).Vi-o no Ramiro há uns tempos, gordíssimo, mas bem-disposto e conversador. Vinha buscar umas lagostas para alguma festa em casa.Sobre o jornalismo de investigação, só sei dizer que conheço bem um seu amigo íntimo (trabalhavam juntos numa pequena empresa chamada, salvo erro, “Massa Cinzenta”, que fazia slogans e coisas assim) que me contou, na altura do Independente no seu zénite, que as notícias para caixa chegavam à redacção a um ritmo quase diário. Só que eram quase sempre denúncias – na maioria das vezes saídas dentro do próprio partido do governo – de alguém que queria abater um outro alguém seu correligionário. O trabalho do jornalista consistia mais em verificar a fidedignidade das fontes do que descobrir os casos.Enfim, vamos fazer votos que o Miguel Esteves Cardoso, esse Oscar Wilde português, esteja ainda muito longe de escrever o seu De Profundis.Um grande abraço doManuel

          7. Caro Manuel, Não sei os detalhes – será relativamente fácil descobri-los entre as inúmeras publicações rosadas que fazem as delícias dum público ávido -, mas sei que MEC teve um longo problema de alcoolismo, que lhe causou vários dissabores profissionais e pessoais. Foi nesse sentido que o referi como uma “figura trágica”: quem chegou tão alto e tinha tantas legítimas aspirações, é hoje uma sombra do que foi, talvez de forma irremediável. Recordo, a propósito, breve trecho do famoso “Manifesto Anti-Portas em Português Suave”, do já ido Candal: «Também o inefável Miguel Esteves Cardoso colabora no endeusamento do Portas, rebuscando a favor do patrão os trocadilhos que lhe deram notoriedade há mais de 20 anos – aquando era uma espécie de menino-prodígio da escrita fútil. Pena que tenha deixado de ser prodígio e se mantenha menino; pena que desperdice agora o seu inegável talento juvenil a produzir romances pornográficos(…)» Nestas frases pedestres, a crueza típica de Candal não deixou de espelhar uma verdade inegável: MEC estava já numa espiral descendente, da qual não mais saiu. Tenho sincera pena desse facto, pois o pior de MEC, fica a anos-luz do melhor de muita gente – gente que hoje manda bitaites, em tudo o que é jornal ou televisão, sobre tudo e sobre nada, numa cacofonia diária que enjoaria um santo. Embora sejam muito diferentes, na minha cabeça tendo a relacionar o MEC com o Alexandre O’Neill: além de os ter lido na mesma época, tratavam ambos as palavras por tu, tinham uma irreverência genial rara de encontrar, e amiúde transgrediam o chamado “bom senso”, no que se refere às suas vidas pessoais. Porquê toda esta questão? Porque o MEC é conservador e monárquico, tal como o Irritado e o Manuel serão; e por mais do que uma ocasião em que li o Manuel, dei por mim a interrogar-me. Um abraço, FB

          8. Caro Filipe,Com a amável licença do Irritado, continuamos a nossa charla.Só uma consideração para encerrar – ou talvez não – o assunto.O O’Neill era o O’Neill. O homem que descrevia os alemães como “macicen”, afinal vivia entre broncos bem mais maciços, que lhe prestaram a mesma não-justiça de que o Torga se queixava quando, no seu consultório de otorrino em Coimbra, ao fim de uma fria e húmida tarde qualquer dos anos 30 (30 de Novembro de1935) leu no jornal que Fernando Pessoa morrera e se meteu no carro, seguiu alucinado para um pinhal nos arredores (cito de memória) “a chorar entre os pinheiros o maior poeta português que Portugal viu passar sem sequer se interrogar quem era”.Em 100 cidadãos, 90 nunca ouviram falar dele. E dos 10 restantes, 8 só sabem que escreveu umas frases publicitárias – em que as melhores ficaram por serem publicitadas (todos citam a da Bosch e pouco mais). Dos 2 restantes, um leu a sua obra. Por isso ele tinha, como Ary, que viver da publicidade (mister de que o gay/comuna se lamentava, por ser obrigado a comportar-se como um “açougueiro de palavras”). E isto diz tudo do que vale a poesia neste país de prosaicos. Que nem sequer liam a obra em prosa do Alexandre de Bulhões, de seu nome.Vale a pena lembrar que ele era ainda Pereira d’Eça, família que deu alguns bons escritores, como o próprio Eça, Júlio Dantas, Tomaz e Olavo d’Eça Leal, entre outros de menor monta. Sobre o Esteves Cardoso, com o meu optimismo (que não há-de soçobrar nunca pois é obra da minha mente e não do temperamento, fui eu que a ergui a pulso) acho que ainda é possível ressurgir. O que a mente concebe, a mente pode realizar. Sursum corda, portanto.Não é bem o caso da pobre Callas, tão maltratada pelo Onassis, um boçal financeiro – nisso e em mulheres era eficaz – que nunca compreendeu o que fosse ópera. Quando ela fez umas violentas dietas para lhe agradar e saiu da depressão porque afinal não lhe soubera agradar, ainda teve que ouvir esta bruteza, de quem há muito bocejava durante as suas árias: “Tinhas um apito na garganta… e agora partiu-se”.A ver se tal não sucede com o Miguel Esteves Cardoso.Comecei em O’Neill, acabo em Onassis, pura ordem alfabética invertida.Um abraço de fim-de-semana, doManuel

          9. Caro Manuel,Ao O’Neill, ainda antes da frase da Bosch, conheci-o pelo “há mar e mar”… era o santo-e-senha oficial da época balnear, desde que me lembro. É provável que O’Neill tenha sido o maior poeta/publicitário/o-que-ele-quisesse-ser dos últimos 50 anos, ou dos anos que quisermos, após Pessoa. No meu (limitado) conhecimento, somente Régio se aproxima dele. Admiro O’Neill pelo que escreveu, e pelo homem que foi: a integridade intelectual, a humildade sincera, a vida que levou como quis, os seus amores celebrados, e recordados (aquele adeus português), e a sua penetrante lucidez, que dissecou como ninguém o país que sempre o ignorou – até que a morte se meteu de permeio. Mas isso foi uma mera formalidade, pois continua e continuará vivo, para todos os que o leiam. Resumindo: não consigo imaginar Portugal sem Camões, Eça, ou Pessoa, tal como não o consigo imaginar sem O’Neill. Do “açougueiro” Ary, recordo o que um bom amigo meu (por acaso também chamado Manuel), mais velho do que eu, me disse dele: «o sacana do maricas escrevia bem como o raio, raios partam o car**** do tipo!”. Esse meu amigo trabalhou directamente com ele, e julgo que estava a ser sincero. Quanto ao MEC, é como diz, esperemos que volte. Não sou optimista, ao contrário do Manuel, mas espero sinceramente estar enganado. Um abraço, FB

          10. Os poetas são intemporais,uns ficarão mais presentes que outros,mas nunca morrem,nem que alguns desassisados os apelidem de açougueiros.Qualquer poeta “menor” está acima destas menoridades!!!

  3. Meu caro, mais uma vez totalmente de acordo consigo!

  4. Concordo com todos menos com o tecelão.Tudo o que diz tresanda a aldrabice!

  5. Ele é um “frisson” quando se fala de monarquia…Parece que o tema incomoda muita gente.Ou então está na moda. Mas como não me parece que esteja na moda deve ser porque incomoda muita gente. Ou então tem brinde. Se calhar é isso: é um tema com brinde! Ao passo que o inquilino por mais cinco anos, lá de belém, comer o bolo come, mas deixa-nos sempre a fava.

  6. Vossemecê zanga-se demais. Quis irromper por casa alheia em má hora e reclama de ter ficado à porta. Um pingo de serenidade e teria bolçado calmamente a sua raiva em verbete adjacente. Dando-se ao trabalho de o fazer aqui, e conseguindo-o, não tem que se queixar de barreiras à liberdade de expressão.De toda a forma o esclareço que se não tenho eu, depois do destaque no portal do Sapo (que exigi que fosse retirado)… Se não tenho eu – dizia – moderado os ímpetos sobre os comentários naquela altura em que bateu à porta, espumaria vossemecê mil vezes mais de raiva com toda a certeza. É que quem comentava quase só dizia de D. Duarte o que nem a mafoma disse do toucinho.É para que veja.Cumpts.

  7. O gajo (ou gaja) é uma montra de melindrices. Ou (honni soit) mariquices.Já perdi a conta em que meus comentários, educados, ou não são publicados, ou sou classificado de ignorante, ou no meu email aparece uma destrutiva ameaça panasca.O gajo (ou gaja) é reles. Conforme já lá chegou por suas vias.Não dá a cara. Se calhar dá o … e mais três vinténs.Perdoe o azedume,Abraço do ao

  8. estranho, Bic Laranja é amante do fim do Portugal e agora não advoga a salazarada “do Minho a Timor”.

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