IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


BELO SISTEMA!

 

É sabido que os trabalhadores portuários são dos mais bem pagos do país. Os estivadores, por exemplo, são reconhecidos publicamente como uma espécie de máfia, tão cheia de poder como vazia de sentido de responsabilidade, social ou outra.

Ora esta gente decidiu juntar-se às tropas da CP, da Carris, dos cacilheiros, da TAP e de quejandos.

A sua “luta” não é, como naqueles casos, contra os “escravos” que se acotovelam nas paragens, nas estações, nos aeroportos. Lutam “só” para encurralar uns 200 navios, segundo contas que alguém fez e pôs nos jornais. Os navios ficam ao largo, ou atracados, à espera de licença para entrar ou descarregar. Assim, consegue-se atrasar os fornecimentos necessários às pessoas, ao comércio, à indústria. Atrasando-os, tornam-nos mais caros e menos acessíveis. No fim do processo, os prejudicados são os mesmos: os tipos das paragens, das estações, dos aeroportos.

Já repararam que só há greves no Estado e nas organizações que dele dependem ou são de sua propriedade?

Esparramados no seu trono de emprego certo e salário digno, dão-se ao luxo de reivindicar tudo o que lhes vier à cabeça, pisando quem estiver ao seu alcance. A crise não é para eles! Escrúpulos, desconhecem.

Pode dizer-se também que são estúpidos. Como a dona Ângela, que ainda não percebeu que se arrisca a matar a galinha dos ovos de oiro que lhe sustenta a indústria e o orçamento, os instalados no Estado e pelo Estado ainda não perceberam que estão a torcer o pescoço à codorniz dos ovos de latão.

 

Afinal, se calhar têm desculpa. Não se passa mais ou menos o mesmo com classes teoricamente mais cultas e alegadamente mais responsáveis? Não andam para aí os juízes, talvez a mais bem paga classe da República*, a fazer as mais vis misérias politiqueiras? Não andam os militares, que sempre tiveram inúmeros privilégios, a fazer manifestações e a intrigar como qualquer aparatchique da política? Não anda um tal Picanço, chefe dos quadros do Estado, aos berros, a querer ser mais que os outros?

 

Os tipos dos portos têm os mesmos “direitos”, não é? Claro que é. E, como os demais, não têm qualquer sombra de obrigações.

 

Belo sistema!    

 

9.1.12

 

António Borges de Carvalho

 

 

* Das 16 mais altas reformas do Estado, 15 são de juízes.



16 respostas a “BELO SISTEMA!”

  1. Nada a acrescentar ao essencial do post, com que concordo inteiramente, mas apenas ao asterisco final: É certo que os juízes têm as reformas mais altas – lá bateram os 9600€/mês do futuro “chairman” da EDP, o púbico Catroga – mas seria interessante comparar o total com o dos ex-políticos. Só nas subvenções vitalícias dos políticos, são 8 milhões de euros em 2012 (sem os recentes cortes, seriam mais de 9 milhões). Já para os subsídios de “reintegração”, são 800.000€ (por enquanto…). Ora, 8.8 milhões num ano dá para pagar 147 reformas de 5000€/mês, ou 105 de 7000€/mês. Quantos juízes se reformam durante um ano? Mas há ainda muitas subvenções por pedir: só entre autarcas, largas dezenas. Somando deputedos e restante fauna, mais as respectivas “reintegrações”, de quanto estamos a falar? E isto não são, lembro, reformas: os políticos NÃO descontaram para isto. São extra-reforma. E não, não estou a defender os juízes. Estou a dizer que há ainda pior do que eles. ————————— Um linkzito ligeiramente antigo, mas não muito: PARTIDO DE POLÍTICOS REFORMADOS (PPR) http://lusotopia.no.sapo.pt/indexPTPartidodosReformados.html

    1. Como o post não é sobre deputados, o comentário foge ao âmbito do dito. Não faz mal. Eu sei que o bombo da festa que está a dar são os deputados. Quanto à “reforma”, estamos conversados. Acabou, quem tem, tem, mas já não há mais. Ponto.Quanto ao subsídio de reintegração, estou de acordo que exista, pelo menos nos casos de dedicação exclusiva. Nalguns não se justificaria, mas não seria fácil encontrar um critério justo para todos. Como conheço casos de deputados a quem não foi restituído o emprego quando sairam – houve quem tivesse que andar nos tribunais contra o patrão – e como há muitos que foram altamente prejudicados no regresso à vida “real”, acho muito bem o tal subsídio.Já que está na moda a condenação dos eleitos por uma opinião pública pouco conhecedora do que custa a democracia, aqui vai a minha opinião:a) Os deputados deviam ser uns 70, na mesma proporção do Reino Unido, por exemplo;b) Os deputados deviam ser pagos pelo mesmo valor que ganhavam cá fora, com um certo plafond mínimo, mas alto;c) Devia haver um sistema eleitoral do tipo francês, em que qualquer cidadão se pudesse candidatar, sendo, ou não, apoiado por um ou mais partidos, com eleição em duas voltas;d) Ninguém deveria poder ser prejudicado por ter exercido o mandato.e) Ser representante eleito é, em todos os países civilizados, uma dignidade credora de respeito, de especiais codições, remuneratórias mas não só, que não se confundem com privilégios. Não me choca, pelo contrário. Se não se portam bem… são como os outros. O problema não é esse, é o de não haver sistema judiciário e judicial à altura.Posto isto:Acho que os juízes se portam muito pior que os deputados. Fazem política, e da pior, em todos os sentidos. Não me choca que tenham boas reformas, choca-me que se portem como se portam, que se queixem como se queixam e se tenham tornado um grupo de pressão como qualquer outro. Em relação a reformas, deles e dos demais, a crise devia ser aproveitada para pôr cada um diante do seu futuro, isto é, responsável por ele. Um limite máximo e um limite mínimo nas pensões do Estado, menos descontos, mais previdência pessoal, menos “encosto”. O garantismo actual criou dependência, irresponsabilidade e vício. Criou, além disso a sua própria insustentabilidade e já não garante nada. As novas gerações deviam ser “educadas” de forma completamente diferente, a fim de não terem as surprezas que o exclusivo do Estado lhes reserva. Poupar, diversificar, gerir, devia ser a fonte da reforma de cada um.Quanto aos ordenados da actividade privada, ninguém tem nada com isso, desde que paguem os respectivos impostos.Quanto ao Catroga, acho que foi uma óptima escolha de uma empresa privada! O Teixeira Pinto também. A Cardona…Parece que, para certa gente, quem andou na política devia, obrigatoriamente, ir para o desemprego, ou fazer qualquer coisa de que nada perceba. Que diabo, nem oito nem oitenta!

      1. «Quanto a Catroga, uma óptima escolha de uma empresa privada»?… Acho fascinante como consegue conciliar, no mesmo texto, os pobres políticos que abandonam a política, e esta comitiva VIP laranja, encabeçada por um ex-político de 70 anos, que vai abichar mais 400 MIL EUROS por ano. Muitos já se tinham interrogado, lembra-se?, então o Catroga, então o Teixeira Pinto, etc., tão activos antes das eleições, e nem um ministeriozito, nem um tachito como os de Nogueira Leite e Cia.? Eis a chave do mistério: já tinham MEGA-TACHO à espera. Isto estava destinado há muito. Poderia evocar o exemplo da mulher de César, mas seria inútil: para o Irritado, tratar-se-á sempre de 100% competência, 0% cartão partidário. Certo. No fundo, tal como a venda do BPN (BIC lava mais branco), é o desfecho lógico de mais um processo ruinoso para Portugal, em que ficamos com os prejuízos e nos livramos do valor. No caso do BPN, o nosso salvador foi uma “democracia” fantoche, das mais corruptas do Mundo; no caso da EDP, vendemos a golden share estatal (privatizar, privatizar!) – ironia das ironias – à China. Cá estaremos para ver o resultado deste brilhante negócio, para o Estado e para os utentes. Para já, ganhámos umas borlas no Continente (que sorte!), a troco de uma liberaçãozita nos preços (claro!). Mas palpita-me que os Srs. Mexia, Catroga e Teixeira Pinto, e a Sra. Cardona, ganharão ligeiramente mais do que isso. Tal como o nosso amigo Mira, é semp’aviar! ———————- Quanto às sugestões que elencou, até certo ponto concordo com algumas, mas falta-lhe uma essencial: INVESTIGAR permanentemente os políticos, e as suas ligações – empresariais, maçónicas, beatas, etc. Podemos não conseguir impedir todas as negociatas, todas as danças de cadeiras, mas falta-nos pelo menos tentar.

      2. O que me dá vómitos é a sua dualidade de critérios.Já bastas vezes aqui o acusei de desonestidade intelectual.Reafirmo,é tudo limpinho quando é a direita a manipular,nomeações dos boys de direita são óptimas escolhas,nomeadamente a Cardona,pior ministra da justiça pós 25 de abril.Mas quando os juízes fizeram parte da orquestra contra o Pinto de Sousa,você estava em coma?Não brinque comigo,veja se tem um pingo de dignidade!!!

  2. BELO SISTEMA…Diz o Irritado!”Paulo Teixeira Pinto e Celeste Cardona acompanham Eduardo Catroga no conselho geral da EDP”. É este “SISTEMA, BELO”, caro Irritado? Ou é uma “pouca vergonha”?

    1. Remeto para a minha resposta ao Filipe Bastos.

      1. Percebi, “é uma pouca vergonha”.

  3. Lá vem outra vez o Sr. . Irritado malhar nos juízes a propósito de estivadores. Melhor só o Marinho. Porém com atoardas e mentiras não vale. Ou o Sr. Irritado não sabe o que é o estado ou está mal informado. Já agora diga qual é o Feliz extra.

    1. Lembra-se de uma invenção de um francês que se chama “separação de poderes”?É verdade que há políticos que se metem com a Justiça. É péssimo. Mas há duas coisas ainda “mais péssimas”: que a Justiça não resista às “pressões” e que os magistrados se metam na política, como se tivessem competência para tal, e com a mais desgragada arrogância.O Marinho não passa de um padrinho do Pinto de Sousa. O resto, dele, é conversa cigana. Os advogados que corram com o fulano, sob pena de perder tanto prestígio quanto os juízes já perderam.

      1. Avatar de daniel tecelão
        daniel tecelão

        Os advogados deste país são um bando de bestas,teimam em eleger o Marinho Pinto.É uma chatice!!!

    2. ET. Feliz extra? Não percebo.

  4. Separação de poderes? O Sr. Irritado deve andar a dormir ou distraído. Então o STJ é uma farsa porque não é supremo, sendo as sua decisões passíveis de recurso para o Tribunal Constitucional, inteiramente escolhido pelo poder político e o Sr. fala em separação poderes. Até podem andar a sodomizar crianças entregues à guarda do estado que haverá um acórdão arbitrário para os limpar. Então mais metade do CSM é escolhido por esse mesmo poder político. Como é possível um membro daquele órgão disciplinar dos juízes seja advogado de defesa no processo Face Oculta? É por haver irritados pouco iluminados que a tiranias intermédias proliferam. Quem é feliz político que está entre os dezasseis?

    1. Comigo, não vale a pena misturar alhos com bogalhos. A falta de educação~, por aqui, também não colhe.O “político” nº 16 é… médico.

  5. Eu não misturo os alhos colhidos em momentos diferentes, quanto mais alhos com bugalhos. Submetidos a uma soberania, os poderes separados, não são poderes em que um está subjugado ao outro que se assume como poder intermédio.Uma pessoa como o Sr. Irritado que zurze forte e feio, deveria ter mais poder de encaixe.

    1. “…deveria ter mais poder de encaixe”.Pois deveria. O problema é onde (e o quê) encaixar!Já dizia o outro: “o homem não se mede aos palmos”. Pois não, respondeu “algo”: “medem-se pela carteira”.Percebeu o poder de “encaixar”?

      1. Estranha forma de pronunciar o f

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