IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ASSIM VAMOS

Nos tempos da II República, cada departamento do Estado, como é normal, tinha um orçamento, sabia o que tinha a receber e como podia gastar o dinheiro que lhe tivesse sido atribuído. Aquando da elaboração do novo orçamento do Estado, era comum comentar-se que os serviços desatavam à procura das rubricas com saldo, e se punham a gastar tudo e mais alguma coisa que tivesse cabimento, a fim de não ver reduzida a massa para o ano seguinte com o argumento da não terem gasto tudo. A coisa era objecto de críticas e até de alguma troça. Por muito centralista e ditatorial que o governo da época fosse, e era, os directores gerais (leia-se, a administração pública) tinham o poder de gastar o que lhes tinha sido atribuído, desde que nos limites estabelecidos para cada caso. E, apesar da inegável necessiadade de não despertar dúvidas quanto à política da ditadura, eram,  na maioria dos casos, profissionais competentes e estáveis.

Com o PS (Costa mais Centeno  mais Medina) tudo mudou. A administração pública, salvo raríssimas excepções, é ocupada por boys. Até a estrutura (CRESAP) criada pelo governo PSD/CDS para a selecção independente de altos funcionários, deixou de ter influência na escolha dos profissionais, sendo substituída por escolhas com diferentes “critérios”, basicamente o da fidelidade política. A competência é o menos. A manipulação dos concursos é regra… Por outro lado, os orçamentos são para ignorar, ou porque, para qualquer coisinha, precisam de autorizção ministerial, ou por que houve “cativações” – especialidade dos ministros, quantas vezes para evitar orçamentos rectificativos, coisa a que o PS tem horror, porque pode limitar-lhe o sacrossanto poder.

Como resultado, ao longo dos últimos oito anos tem-se visto a degradação continuada e sistemática de praticamente todos os sectores da administração pública, que deixou de ter qualquer competência técnica digna desse nome.  Aumenta-se brutalmente o número de funcionários, cria-se comissões, grupos de trabalho, estrutras quanto mais absurdas e redondantes melhor, ao mesmo tempo que se retira aos serviços capacidade de gestão, de responsabilidade e de eficácia funcional. A administração pública não é julgada pela obra feita ou deixada de fazer, mas pela sua fidelidade canina, quanto maior melhor, ao político que tem por cima.   

E assim vai o país.

 

5.6.23



14 respostas a “ASSIM VAMOS”

  1. Na II República “… era comum comentar-se que os serviços desatavam à procura das rubricas com saldo…”.AhAhAhAhahahahahahahah!!!!!! até me engasguei, por me lembrar da ti jaquina e a zefa a ceifar trigo e a comentar que os serviços da Casa do Povo estavam todos a precura ……. E aqueles empregados bancários no Rossio com um comentário parecido que foram saudados por um polícia com um ‘até dá gosto ver, muito bem, comentem as contas do governo..’.O Irritado não tem a noção do ridículo.

    1. A mim fica-me a ideia de ser o “Anónimo” quem não terá noção do que diz e que o faz apenas e só por assim ter sido formatado. Confesso desconhecer os temas de conversa das ceifeiras alentejanas de então ou mesmo de hoje – se ainda existirem algumas – mas vivi os tempos finais da II República e posso garantir que recordo escutar, apesar de ainda jovem à época, os referidos comentários e, curiosamente, até entre elementos que exerciam a sua actividade profissional no Rossio …

    2. A mim fica-me a ideia de ser o “Anónimo” quem não terá noção do que diz e que o faz apenas e só por assim ter sido formatado. Confesso desconhecer os temas de conversa das ceifeiras alentejanas de então ou mesmo de hoje – se ainda existirem algumas – mas vivi os tempos finais da II República e posso garantir que recordo escutar, apesar de ainda jovem à época, os referidos comentários e, curiosamente, até entre elementos que exerciam a sua actividade profissional no Rossio …

      1. Evidentemente que estou a ironizar, acha mesmo que alguém na II República “era comum comentar-se que os serviços desatavam à procura das rubricas com saldo…”. ? Alguém a comentar seria com a desgraçada da vida que levavam, mesmo os bancários na Rossio.

        1. Não só acho como tive a oportunidade de o ouvir por diversas vezes!E também não esqueci que a exemplo dos professores de então também os bancários eram vistos com respeito e atenção.Creio que necessita de rever os conhecimentos sobre a realidade da sociedade urbana da época e de caminho a figura de estilo da ironia.

          1. Bem, se está a querer dizer que alguns cidadãos comentavam as boas contas do governo então assim seria. Mas, como grande parte da população portuguesa vivia mal, qualquer comentário seria contra as contas do governo e não seria tolerado, recorrendo a repressão.O respeito e atenção dos professores e bancários era feito com cargas policiais e expulsão do ensino das escolas do Estado.

          2. Insisto que procure informação em lugar de insistir em chavões.Claramente não viveu esses tempos!

          3. Olhe que sim. Ir pra escola descalço fazer a 4ª. , vir trabalhar aos 12 anos e aos 14 estudar à noiteDeixar as casas de pedra e chão de terra, sem electricidade, água canalizada ou esgotos e uma população analfabeta.E na cidade à espera, de melhor vida na Alemanha ou do “Timor” para a guerra na Guiné.Eu é que digo, claramente não viveu aqueles tempos, que nada tinha de “.. comum comentar-se que os serviços desatavam à procura das rubricas com saldo…”

          4. Lamento que continue a viver num mundo que alguém idealizou por si.Experimente a pensar no que hoje é falado nesse mesmo “Portugal profundo” que insiste em generalizar.

          5. Ainda não percebeu.Você acha que “….era comum comentar-se que os serviços ……”, alguém comentava o orçamento do estado do Salazar?

  2. Com o PS (Costa mais Centeno mais Medina) tudo mudou. A administração pública, salvo raríssimas excepções, é ocupada por boys. Realmente, Irritado, que mudança! Que tremenda diferença para os 40 anos anteriores! Boys, tachos, cunhas e sinecuras é coisa nunca vista nos governos e nas câmaras PSD; acho que nem sabem o que é. Sobretudo durante o governo do heróico Passos, graças ao sempre rigoroso Doutor Relvas. Ele não tolerava lá disso. De concursos e subsídios é melhor nem falar… não vá alguém lembrar a Tecnoforma ou calúnias similares. Toda a história do PSD e da ‘democracia’, aliás, comprova que boys e corrupção são exclusivos do PS. (E do PCP.) De resto tudo na mesma, não é, Irritado? A sua laranjada continua a ver passar navios, o medíocre Montenegro à espera que o pote lhe caia no colo, o Doutor Relvas a comentar e a lobbiar na CNN, o heróico Passos na penumbra de Alcácer-Quibir. Os anos passam. Neste país, neste regime nada muda, nada pode mudar. Ficamos mais velhos, mais cínicos. V. ainda pode ter alguma esperança: pode demorar, mas o tacho há-de rodar. Eu nem isso.

  3. Eu bancario 4000$00 – 3500$00 liquidos. Calhariz,Horas extraordinarias a 150%, carreira clara, sem congelamentosEla professora num colegio com salario identico em Oeiras.Almocava na zona Bica ou Bairro Alto por 10 ou 11$00, um cafe custava 1$50. As vezes ia comer a casa (duas horas)para o almoco. A noite ia para as aulas. Tinha um Fiat 600d usado que troquei por um Datsun 1200 novo.A renda do T2 em Oeiras, ultimo andar recuado para ver o mar 2700$00. Dois anos depois comprei um T3 tambem com terraco e vista a condizer. Ja agora, nenhuma se compara com a da minha casota no Pico.Lia o Diario de Lisboa onde pontificavam comunistas.Nunca se pode ser perfeito. Quanto a falar, as pessoas falavam muito m

  4. Falavam mais do

  5. Que agora falam. Ninguem era preso por falar.

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