Todas as semanas, duas senhoras, por certo bem pagas, fazem política na revista do “Expresso”. Às vezes até têm alguma graça. Desgraçadamente, a sua inegável inteligência tem os handicaps do pedantismo intelectual, da submissão ao politicamente correcto, do esquerdismo pesporrente, visceral ou não, do totalitarismo moral de quem tem a verdade das verdades na gaveta da mesa de cabeceira, a fazer inveja à Inquisição, da mentalidade de sharia pseudo progressista: a lei delas é a Lei.
Desta vez, em coro, no mesmo dia, as senhoras cospem a sua condenação sobre aqueles que não estão de acordo com o “casamento” de pessoas do mesmo sexo.
Uma delas, santa modéstia, começa por se servir da autoridade de Jesus Cristo para justificar as suas posições. Pobre Jesus, para o que estavas guardado!
Em verdadeira histeria intelectual, a senhora revolta-se contra a “normalidade sexual”, coisa que “deserotiza” o sexo, “transformando-o numa maratona entediante”.
E segue, em êxtase biblico-erótico, a invocar Deus, o qual nos fez nascer no seguimento de um acto sexual. Aqui, escorrega. É que, que se saiba e como diria a dona Manuela, não há meninos nascidos de um acto sexual entre dois homens ou duas mulheres.
A senhora tem “um sentimento erótico da vida” – bom proveito lhe traga – e, dada a “prodigiosa diversidade dos homens e das mulheres”, acha que cada um é como cada qual e que, por isso, todos devem poder casar com todos.
Não se percebe o conceito. É verdade que ser livre é poder escolher. Mas também é arcar com as consequências e as responsabilidades das escolhas que se faz. Aí é que bate o ponto.
Quem for, ou quiser ser pederasta ou fufo, que o seja livremente. Terá, o que é verdadeiramente normal, que abdicar do que não lhe diz respeito, ou seja, do casamento.
Por outro lado, se, como diz esta mulher, se trata de prevenir interesses, propriedades, asistência na doença e heranças, então tratem de prevenir essas coisas em vez de pretender ser o que não são: susceptíveis de casar.
A outra senhora é mais cáustica, menos “religiosa” e dá mais pontapés na gramática.
Diz ela que não se pode discutir racionalmente com quem não é da sua opinião, ou seja, quem não for da sua opinião é estúpido. Lindo. Marcante de uma personalidade.
Como a colega acima referida, brinda-nos com um discurso sobre a “normalidade”. É estranho, mas significativo, que estas pessoas se procupem tanto com tal conceito. Arrisco dizer que se trata de uma réstia de consciência, que considerariam medieval. Não invoca Cristo, mas Darwin, como se tivesse havido alguma evolução nas espécies se os machos se juntassem aos machos e as fêmeas às fêmeas. Coitado do Darwin!
A ilustre intelectual invoca o progresso sob várias formas, do super collider aos ai-podes, das armas inteligentes às nano-tecnologias, considerando o tal “casamento” como fazendo parte deste maravilhoso progresso. É a bota e a perdigota, o cu e as calças, tudo ao molho, desde que a opinião da senhora obtenha o sucesso que merece. Coitados dos que descobrem ou inventam seja o que for!
Depois, descobre a mezinha ideal para dar abrigo e educação às criancinhas abandonadas: entregá-las aos cuidados de dois pederastas ou de duas fufas. Coitadas das criancinhas!
Olhem este raciocínio e curvem-se respeitosamente perante ele: na opinião da senhora, se um preto foi eleito Presidente dos Estados Unidos, se uma mulher podia ter sido eleita, então porque carga de água é que os homens não hão-de poder casar com homens e mulheres com mulheres? Estão a seguir esta brilhante lógica? Apetecia responder que não podem porque dois homens e duas mulheres, por mais que se amem e se marmelem, não são um casal. Valerá a pena dizer isto à senhora, ou ela é, como diz de quem critica, incapaz de usar a razão?
Deve ser este o problema dela. É que o resto do artigo é um mar de insultos, explícitos ou implícitos, a quem se atreve a pensar de outra maneira. Um bando de “trogloditas”. De “homófobos”.
Valha-nos o inquérito informal que a senhora diz ter feito por aí. Segundo ela, o tal inquérito equivale a uma sondagem, coisa científica, sendo que a conclusão é que “99% da população portuguesa é troglodita, quase troglodita, ou troglodita assim-assim”.
Atente-se agora na consequências que, para a senhora, deve ter esta “sondagem”. É lapidar. Vejam bem: “Estes trogloditas não se convencem. Aplica-se-lhes a lei”.
Vêem o que é um aiatola de saias? Vêem o que é a “democracia” desta malta? Vêem o que é a esquerda? Vêem o que é a pior das ditaduras?
1.3.09
António Borges de Carvalho

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