IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ANDAR PARA TRÁS


O Carlos, ciente da oportunidade, tratou de cavalgar a onda. Como nos tempos do camarada Cunhal, arranjou maneira de reunir sob a sua batuta os “trabalhadores”, os “patriotas”, “os católicos”, os “portugueses sem partido”, os “democratas”, etc.. Todos “unidos”, “o povo unido jamais será vencido”, bla, bla, bla.

A confessa intenção, com Cunhal, era evitar a todo o custo a implantação de uma democracia “burguesa” e erguer, na terra queimada, uma “democracia” “popular” à imagem soviética. Assim, pôs na rua hordas de trolhas e quejandos, que não percebiam nada do estavam a fazer. Tão só, na sua ignorância, davam largas a ódios baixinhos e sem sentido.

Cunhal não acabou por não vencer na rua. Mas criou uma onda que invadiu toda a política, que fez os partidos inflectir de tal forma que acabaram por embarcar, de uma forma ou de outra, na demagogia socialista de que é fruto a chamada “Constituição de República”, prolixa condensação de normas ideologicamente geradas, de imaginários direitos e, é bom não esquecer, desta coisa irrealista, paranóica e abstrusa que é o semi-presidencialismo à portuguesa.

É esse “programa constitucional” a origem primeira dos males endémicos da III República. Politicamente, o aborto semi-presidencial que confunde e anquilosa. Economicamente, um capitalismo socialista que misturou, mesmo quando queria fazer o contrário, a economia com a política, tirando ao Estado a capacidade de controlar o sistema económico – teria que controlar-se a si próprio!, gerou a evidente promiscuidade entre o capital privado e o Estado, com as desgraçadas consequências a que assistimos, deu asas a uma burocracia gigantesca, insuportável e paralisante, e a uma justiça cuja evidente degradação deriva directamente dos retorcidos conceitos constitucionais de independência e auto-gestão.

O caminho do regime para a exaustão não foi sentido, nem pelas gentes nem pelos políticos. A não ser quando já pouco havia a fazer.

De repente, os resultados directos e indirectos da filosofia do regime cairam-nos em cima.


Para além de tudo – dívida, défice, etc. – desgraça-nos a mentalidade que se nos meteu nas veias, cheia de “direitos” tortos, de oportunismos legais e oficiais, do convencimento que tudo nos é devido e nada devemos.

É este o nosso drama. É este o drama que o Carlos explora, cavalgando a onda do descontentamento e conseguindo apoderar-se de uma coisa que foi espontânea, ainda que errada e ineficaz: a manifestação do dia 15.

Desta vez o Carlos, vendo a mesma janela de oportunidade que Cunhal vira há trinta e tal anos, pegou no que era genuino e enquadrou-o. Como as “massas” que tem às suas directas ordens já não faziam impressão a ninguém, tratou de chamar as demais à rua, já que para tal se tinham “preparado”: os mesmos que o Cunhal no seu tempo “convocava”. Carlos tratou do discurso, da organização, dos autocarros, das pancartas. Ameaçou-nos a todos (“se o governo não ouve a bem ouve a mal”), tomou conta da multidão. É de se lhe tirar o chapéu.     


Em resumo, um país que, como os saídos da tirania soviética, teria tido, e teria agora outra vez, oportunidade para avançar – como todos eles avançam – para formas mais evoluídas de filosofia de base, parece, pela mão dos Carlos da nossa praça, querer voltar a um passado tão perigoso quanto repugnante.


Eles não passarão. Mas o que tal nos vai custar!

 

30.9.12

 

António Borges de Carvalho

 

PS. A propósito do “correr com a Troica”, e coisas do estilo, cito:

É altura de começar a discutir o preço que teriam para nós tais alternativas. Estou cansado da conversa sobre os “cortes” por parte de quem, na verdade, não quer “cortes” nenhuns e tem como único sonho encontrar quem nos pague as contas, chamando a isso “solidariedade”.

José Manuel Fernandes, “Público”



7 respostas a “ANDAR PARA TRÁS”

  1. Esta República é uma tirania e repugnante é um povo estar a ser tiranizado e roubado convencido da sua «democracia».O sr. Irritado diga se aquele que vive da remuneração do seu trabalho tem ou não direito a ela, se aquele que descontou do seu esforço tem ou não direito à sua pensão. Repugnante é haver um senhor Borges assalariado de agiotas a destruir a economia portuguesa.Repugnante é o saque sistemático que tem sido efectuado a classe média de propietários e empresários para engordar accionistas que estando a abarrotar colocam osn seus activos lá fora.Repugnantes são todas as leis do arrendamento urbano (com o apoio do Carlos e outros canhotos).O país está cheio de repugnancias.

    1. De acordo quanto ao arrendamento. De acordo quanto à remuneração do trabalho. De acordo quanto às pensões.O problema é saber onde está o mal. O mal é que o Estado, se não for a crédito, não tem dinheiro parao pagar. O mal é que as pensões, sistema socialista, dependem, exclusivamente, do Estado. O mal é que, nestas crises, sempre foi a classe média (à qual o IRRITADO pertence) quem mais pagou. Os de baixo têm as protecções que a “justiça” socialista lhes confere. Os de cima também são prejudicados, mas tem que ser com cuidado senão dão à sola, e fazem eles muito bem.Repugnante é ver políticos armados em dirigentes sindicais a aproveitar a onda para criar terra queimada.Não sei se o Borges tem razão. Muita gente credível, à direita e à esquerda, diz que o trabalho TEM que ser “baratizado”. Como, será a questão.O vigilante máximo da Constituição, o TC, lá está para aplicar a “equidade” constitucional, isto é, a impedir que o Estado socialista vá poupar na sua maior despesa, os salários (80% da despesa são salários). A equidade socialista é esta: quem tem emprego seguro e menos mal pago é intocável; quem anda à nora para viver, está desempregado ou pode ir para a rua de um momento para o outro, esses têm que amargar.O que andamos a pagar não é a dívida, é o socialismo.

      1. Quanto ao Estado, se me permite, a sua confusão é a mesma de sempre: o Estado não somos “todos nós”; isso são balelas. O Estado é quem o GERE, ou seja, os políticos e os seus boys. O actual Estado tem uma génese socialista, e será ainda de matiz socialista, como o Irritado não se cansa de lembrar. De um país pobre com poucos direitos, passámos a um país pobre com inúmeros “direitos adquiridos” – basta perguntar ao Sr. Ângelo Correia. No entanto, não é esta a origem de todos os nossos males, nem foi isto que nos afundou. Há Estados tão ou mais socialistas que funcionam bem, como todos sabem. Tal como todos(?) sabem que o nosso socialismo é mera demagogia e foguetório, desde a gaveta do Sr. Chulares, e que o país é governado na prática pelos interesses da BANCA e outros grupos, há largos anos. Todos os governos se curvam a estes interesses, e todos os seus membros vão lá parar, mais cedo ou mais tarde. O actual não é excepção. O que se conclui é que, com mais ou menos socialismo, com mais ou menos esmolas comunitárias, com mais ou menos bandalheira e regabofe, o pior de Portugal tem sido sempre os seus dirigentes – os seus políticos. O nosso Estado não é pessoa de bem, porque quem o gere também não o é. O nosso Estado é ruinoso, porque quem o gere é desonesto, ganancioso, e incompetente. O nosso Estado incute nos cidadãos um sentimento de laxismo e impunidade, porque quem o gere é laxista e cronicamente inimputável. Quem governou? Quem fez as leis? Quem dirigiu as Câmaras e Governos Regionais? Quem geriu os dinheiros públicos? Quem decidiu adjudicações e contraiu dívidas? Quem nomeou quem quis? O PS e o PSD, em primeiro lugar; e, em menor parte, o CDS, o PCP, e o BE. Pois então, eis os responsáveis. Eis o que nos afundou. ——————————- Finalmente, quanto à política da “terra queimada”, o melhor exemplo é o actual Governo. Só com esforço um governo socialista ou comunista conseguiria igualá-lo na destruição sistemática da economia, e no empobrecimento deliberado da população. Não é isto terra queimada? E o Irritado há-de explicar como é que um país falido, que já não consegue pagar as dívidas (quanto mais os juros), poderá fazê-lo no futuro, após assumir mais encargos ruinosos (as pensões da BANCA), e após vender os seus principais activos. Ou os génios/governantes actuais acham que o dinheirinho das EDPs e Galps e CGDs da vida, após serem todas vendidas, virá de onde?

  2. No espaço de uma semana, vi duas vezes o programa do Crespo: a primeira há alguns dias, e a segunda há alguns minutos. Na primeira, um debate entre Alberto Martins (PS) e Diogo Feio (CDS); na segunda, um debate entre Maria de Belém (PS) e Teresa Caeiro (CDS). Em ambas, nada de novo, apenas o paleio sonso do costume. Até que, mesmo no final, os intervenientes foram convidados a comentar duas notícias. Na primeira, as buscas aos ex-governantes do PS, no âmbito das famosas PPP; na segunda, a inocência completa de Miguel Relvas, anunciada hoje pelo PGR. Reacção imediata e unânime de todos: reprovar com veemência as “condenações na praça pública”; e bater muitas palminhas ao nosso “Estado de Direito”. No caso das PPP, e dos inefáveis Lino, Mendonça e Campos, apressaram-se a concordar que nada estava provado, e que os senhores são respeitáveis; no caso de Relvas, congratularam-se com a inocência de tão insigne cidadão, e com o seu direito ao “bom nome”. Depois, todos aproveitaram para recordar que há outros políticos injustamente acusados – considerando os partidos dos intervenientes, não é difícil adivinhar quais – e que, coitados, sofrem também estas sevícias morais, e estas suspeitas injustificáveis. —————- Ou seja: o “arco do poder” – PS, PSD e CDS – pode discordar em várias coisas, mas tem realmente uma causa comum. Não sei se o Irritado está a ver qual é essa “causa”. Sei, no entanto, que TODOS os seus leitores estão.

  3. O mal, Sr. Irritado, está no arbítrio e em haver um povo sem juízo Já viu Sr. . Irritado que toda a gente opina e ninguém ajuíza sobre o exercício do poder. Se é feito à luz do direito ou não. E depois temos um bando de juristas aleijados dos neurónios que não o sabem o que é o direito e o entortam a seu belo prazer.Veja Sr. Irritado, dizem que não há alternativa. Com esta República são infinitas. Tenho o poder e não o estou obrigado ao direito, por isso é só procurar. Tomam-se duas extremas: uma de Xerife e outra de Robim sabendo que pelo meio é só balancear como diz o Gaspar. Dizem que estão o a ajustar. Mas a ajustar o quê? Quanto valeriam todos aqueles prédios, agora tudo a cair de podre que estão nos centros das cidades e que tinham as rendas congeladas quando a inflação estava na casa dos 30%.Nessa época os bancos emprestavam a 50% ou mais e era só bombear , só distribuir dividendos a torto e a direito . Lembra-se dos juros à cabeça? Queres 100 mas tens que pagar 35% de juro adiantado e por isso só levas 65, o que dá um juro real de mais de perto de 60%. Para os accionistas tem sido sempre a bombear . Agora com as PPP arranjaram rendas chorudas e vaporizáveis que até podem voar para os mercados para aplicar em dívidas soberanas (adjectivo irónico).O mal Sr. Irritado está num povo ignorante nas suas elites (incluindo o Borges) sem competência para o exercício da democracia.

  4. De facto, sr. Filipe Bastos, também acho piada a essa treta do estado somos nós. E já agora permita acrescentar aquilo que é:O conjunto de órgãos através dos quais o soberano exerce o seu poder. E no exercício do poder não existe alternativa para a desobediência. Por isso o soberano é o detentor da violência socialmente legitimdo a qual é utilizada para impor o direito e fazer justiça.Se a soberania fizer o seu papel e conseguir ser justa protegendo os direitos já não fará pouco por toda a sociedade se ajeitará e prosperará.Ao estado compete ser justo. O progresso e tudo o resto é com a sociedade. Uma melhor sociedade gerará um melhor estado.O Reino da Dinamarca é um exemplo duma sociedade que tem um estado bastante interventivo e uma economia concorrencial pujante. Porqúê?Porque os dinamarqueses constroem regras para todos cumprirem e swabem distinguir um bem público dum privado.

    1. Caros comentadores, uma pergunta: digam-me onde escrevi que “o Estado somos nós”. Se o fiz, foi um imperdoável lapso.

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