IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ALMOÇOS PRESIDENCIAIS

 

Há quase vinte anos, este pobre escriba esgadanhava-se em andanças africanas para ganhar a vida.

Uma vez, coisas da política, teve que convidar para um almoço o Presidente Pinto da Costa (o de São Tomé, não o do Fê Cê Pê), ex-ditador marxista e novel democrata. Um tipo simpático, no seu género, claro.

A coisa passou-se ao ar livre, junto à piscina da roça. Lá estavam os nossos expatriados, uma dúzia de altos funcionários do Estado e do partido, entre outros. O nosso embaixador não quis meter-se no assunto, porque era tempo de campanha eleitoral e podia parecer que Portugal estava a tomar partido.

Nada disto tem história, ou faz história. Vem a propósito, calcule-se, desse grande irmão ideológico do senhor Pinto de Sousa, o camarada Hugo Chávez.

É que, no tal almoço, atrás de Sua Excelência, de pé, imperava um pretalhão enorme, com uma grossa pasta, daquelas que, ao tempo, eram conhecidas por “pastas James Bond”.

Quando apareceu o pessoal para servir o almoço, o enorme lacaio de Sua Excelência abriu a mala. Lá dentro, cuidadosamente deitados em escrínios de veludo, estavam os elementos da presidencial palamenta, copos, talheres, guardanapos, um alicate para charutos e vários Cohibas, oferta do camarada Fidel. O tipo inclinou-se sobre a direita de Sua Excelência, levantou, um a um , os talheres, os copos, o prato e o guardanapo, chamou um funcionário para os ir colocar a bom porto, e dispôs, com infinitos cuidados, os presidenciais acessórios em frente do patrão.

Depois, à medida que as vitualhas iam sendo servidas, o pretalhão provava-as, recusava umas, admitia outras. No fim do almoço, os instrumentos foram recolhidos, regressando às profundezas da pasta James Bond.

O Presidente Pinto da Costa, passe a indelicadeza da coisa, tinha alguma desculpa. Era um líder africano, tinha sido “educado” numa atmosfera comunista, vivia isolado das pessoas, e só aparecia quando não podia deixar de ser.

 

Quase vinte anos depois, o grande companheiro, amigo e irmão na fé socialista do senhor Pinto de Sousa e da referência Soares da III República Portuguesa, aparece por cá para fazer as suas rábulas, recebe as servis homenagem desta gente e dá-se ao luxo de trazer um “nutricionista”, mais um “chef”, mais uma senhora, que provam a comida, obrigam a fazer vários pratos para escolher o que lhes interessa, são obrigados a beber do vinho do presidente antes de lho levar, tudo sendo transportado para a mesa pelos ditos, não vá alguém envenená-los pelo caminho.

A diferença é que o camarada Chávez não tem desculpa nenhuma. É uma besta, sem educação nem respeito por nada nem por ninguém. Deve ser por isso que é tão admirado pelo senhor Pinto de Sousa.

 

António Borges de Carvalho

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