IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


AINDA AS ESCUTAS

 

A história das escutas ainda tem que se lhe diga.

Vejam isto:

Sua Excelência o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, afinal, autorizou escutas ao primeiro-ministro! Segundo o seu último e definitivo despacho, havia escutas que tinha autorizado, e escutas que não tinha autorizado. Quanto a estas, é simples: como eram ilegais e como Sua Excelência já tinha escrito, não valem, contenham o que contenham. Quanto a uma outra, cuja validação o PGR tinha solicitado, informando que, na sua opinião, não tinham nada a ver “com a matéria do processo de onde foi extraída a certidão” (o do sucateiro), Sua Excelência opina, e decide, que, apesar de a escuta ser legalmente válida, “afecta o direito fundamental à palavra e autodeterminação informacional”, ordenando por isso a sua imediata destruição.

Pese embora não constar da Constituição nenhum “direito fundamental à palavra e à autodeterminação informacional” será de atribuir a estranha e rebuscada expressão de Sua Excelência a alguma interpretação extensiva de outro direito fundamental qualquer.

Atente-se na subtileza dos dois altos magistrados quando dizem que os ditos do primeiro-ministro e do seu amigo Vara nesta escuta nada têm a ver com o processo das sucatas. Note-se que, como ninguém anda à procura das relações do primeiro-ministro com o senhor Godinho, o que interessaria saber era por que carga de água, ou a que propósito, os homens de Aveiro terão achado que tal escuta despertava suspeitas. De quê, não se sabe. Pode imaginar-se mas não se sabe. Como os magistrados de Aveiro não são, manifestamente, nem umas bestas nem uns ignorantes, ou são parte das “forças ocultas” que perseguem o primeiro-ministro ou encontraram qualquer coisa na tal escuta, ora destruída, que despertou o seu interesse, para além do caso das sucatas.

Os despachos de Suas Excelências têm o condão de, sem mentir, ocultar a verdade, seja ela qual for. Se as escutas não tinham a ver com o processo em investigação, tinham a ver com quê? Mais uma vez é legítimo perguntar o que moveu os magistrados de Aveiro. Facto é que, após os despachos de Suas Excelências, nem judicialmente nem politicamente se pode dar qualquer seguimento ao assunto.

E ainda há quem diga que, objectivamente, estes doutos juristas não andam a proteger o senhor Pinto de Sousa!

 

14.3.10

 

António Borges de Carvalho


2 respostas a “AINDA AS ESCUTAS”

  1. Por tudo isto e por mais alguma coisa, há uma dúvida que se me impõe….. Dado que as escutas só podem ser validadas, se existir uma autorização especifica passada pelos Juízes e se só os assuntos pelos quais foram (ou são) feitas as ditas escutas são autorizadas, se se der o caso que se descobre por via dessas escutas a confissão ou preparação de um crime, ou ainda a preparação de algum assalto ou coisa que os valha, se essa escuta por não estar dentro dos assuntos para as quais tinha sido autorizada, também não tem valor, nem se mexe uma palha relativamente a isso?… Se se levar isso em linha de conta, então tudo isto só vale para os cidadãos que não sejam figurões importantes do regime. Se assim for , onde é que está a tão proclamada igualdade de direitos ? Ou será que nesta matéria e igualdade, apenas existem uns que são mais iguais do que outros? Cumprimentos Sou o Francisco Luiz

  2. Tem toda a razão. Das poucas vezes que vejo o telejornal e este caso vem noticiado, aparece-me representada a peça “As manhas (fourberies) de Scapin” do Moliére, em episódios semanais. Tudo aquilo é uma comédia em que sobe ao palco mais que um Tartufo – e muito infelizmente trata de coisas bem mais sérias e graves.Umas vezes surge aquele procurador que nada encontra, o que não admira pelo seu olhar vazio de expressão fisionómica, ou pela voz monocórdica em que apenas sobressai o tom ciciante, nunca uma inflexão sincera ou sequer decidida.Por mais que tente olhá-lo desapaixonadamente, não consigo deixar de encontrar-lhe a linguagem gestual de alguém comprometido, que se expressa a medo, com mil cautelas, e fico a perguntar-me se serei só eu a não perceber nada do que ele diz.Decerto não tenho formação jurídica mas até há pouco tempo acreditava que pudesse entender, minimamente que fosse, os detalhes de qualquer caso se quem os explica quiser que eu os compreenda.O que todos podem inferir é que os juízes de Aveiro não se arriscariam a confrontar o poder de um primeiro-ministro se não tivessem fortes razões para acharem que o deveriam fazer, apesar das inevitáveis represálias. Noutras ocasiões assoma o presidente do supremo, soltando com diferentes palavras os mesmos impenetráveis oráculos do seu compére, tornando-se apenas notável pela capilaridade que ressuma por todo o semblante.Falam, tornam a falar – e tudo continua confuso. Nada bate certo, nada encaixa. Uma coisa dita hoje, de pronto necessita uma ligeira correcção, mais um retoque que ficara por acrescentar. E quando todos julgávamos que afinal se esclareceu esse preciso aspecto – logo no dia seguinte alguém o contradiz e volta tudo ao ponto de partida.E ambos parecem não se darem conta que o que está em causa é “só” a credibilidade do chefe do executivo, da pessoa que comanda os destinos de todos nós, de alguém que lida sem peias – e mal de nós se for sem pejo, como parece ser o caso de muitos “casos” – com quantias astronómicas e poderes quase ilimitados.A pouco e pouco fomos habituando a essa coisa inconcebível que é a honorabilidade do primeiro-ministro não passar de uma imunda rodilha despojada do menor prestígio. E infelizmente é ele mesmo que contribui para isso, porque quis fruir de títulos académicos que não merece porque não estudou, porque compra casas através de “offshores” como faz quem tem algo a esconder, porque está rodeado de primos, amigos, subordinados, colegas de partido que usam o seu nome sem a sua autorização – mas sem o seu repúdio também.Neste cenário de pesadelo, só consigo – bem recentemente – descortinar uma particularidade auspiciosa: a embevecida felicidade do Tecelão.

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