IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ADÃO DA SELVA

Dos confins da selva socialista, surgiu um Adão que, digam o que com razão disserem os comentadores não PS/BE/PC, não é tão mau quanto se esperaria de um adepto da miserável situação em que nos encontramos. Queriam um independente, um académico, um tipo de ideias claras? Há disso? Não há, pelo menos entre os elegíveis para o cargo de chefe das comemorações do 25. Elegíveis, no estado em que estamos, são só os membros ou os apoiantes públicos do poder socialista e dos seus apaniguados. Por isso, a nomeação do Adão não devia ter causado polémica nenhuma. Fora do PS, não há ninguém que pudesse esperar ser “adequado” ao cargo. É nisto que estamos, e não há volta a dar-lhe.

Por conseguinte, teremos que nos congratular com a nomeação do Adão. É que, entre os socialistas, o homem até é moderado, às vezes dá um ar da sua graça, às vezes até parece independente. Sabe disfarçar. Entre a vasta claque do Costa, difícil seria encontrar alguém menos intolerável.

Vejamos agora o que, pela positiva, se pode esperar do interminável e, como tal, inacreditável mandato do Adão.

Lembro-me das comemorações dos cem anos do 5 de outubro, erigida a data como glorioso passo da em direcção à liberdade e ao progresso. Ao longo de largo tempo, tivemos brilhantes comemorações oficiais, oficiosas e maçónicas. Mas apreceram também, fora do que era “institucional”, insofismáveis verdades sobre a data e as suas consequências. Não poucos independentes vieram à tona dizer verdades duras como punhos para o “pensamento” das “elites” de esquerda e para a atmosfera de loas que queriam veicular. A primeira República, aliás já antes denunciada por muita gente sem nada de monárquico

(para esclarecimento de quem ler, lembro obras de escritores insuspeitos, por exemplo, “O Poder e o Povo”, de Vasco Pulido Valente – que de monárquico nada tinha e não era nem de esquerda nem de direita – ou “O Sindicalismo e a Primeira República”, de César de Oliveira – republicano e feroz esquerdista, mas sério)

foi um regime violento, atentatório de liberdades elementares, brigão, caótico, bombista, instável, ruinoso, perante o qual a confusão política dos últimos anos da Monarquia constitucional era bricadeira de crianças. Regime em que a proclamada democracia foi substituída por desordem,violência, instabilidade e ruína. Regime que, é bom não esquecer, conduziu, motivou e é culpado do advento do Estado Novo, diga-se que com vastíssimo apoio popular.

Posto isto, uma palavra de esperança. Que as comemorações do 25 abram caminho a apreciações independentes onde não baste o elogio do fim do regime, mas a apreciação sem partis pris do que ele representou como abertura a horríveis consequências, primeiro as do PREC, depois as que hoje sofremos com o domínio social/comunista.

Se Adão for capaz de dar abertura a apreciações independentes, de historiadores, académicos,  jornalistas e outros não engagés, fazendo jus a algum bom senso que lhe resta, talvez a sua nomeação não seja tão má como se diz.

 

20.6.21      



6 respostas a “ADÃO DA SELVA”

  1. Agora atirasse a este assunto, com tanta irritação por tudo o que aparece, não sei não.E até lhe causa coisas destas ‘republicano e feroz esquerdista, mas sério’ , sim senhor. Então se era sério que interesse tem em ter sido republicano e feroz esquerdista?

    1. Tem todo o interesse, dada a atmosfera em que vivemos. É uma raridade!

  2. Avatar de Eduardo Menezes
    Eduardo Menezes

    Tudo bem… tudo certo…. tudo dentro dos canonesSó uma coisa me preocupa.Qual a vestimenta que o evangélico adão vai levar para as cerimónias?Folha de figueira ou folha de parra?

  3. O adão soma aos milhares de adões que vão sendo nomeados. Não é um adão que escandaliza é apenas ser mais um…se fosse só este até passava sem problema.Depois é o $…não o que ele vai ganhar, mas o que todos juntos vão ganhar durante tanto tempo de festarola…mais os carros, escritórios, os telemóveis, as viagens, as despesas, etc etc….Mas o pior, e que ninguém fala, é qual será o orçamento que 5 anos de festarola vai ter…quantos milhões se gastarão neste 5 aninhos!?!??! Por incrível que pareça esta questão ninguém levantou…

  4. Diz o Irritado, em tom de elogio, que o Adão é “moderado”. Ou seja, é puro Centrão Podre: hoje é do PS, amanhã podia ser do PSD. A única diferença seria nos mânfios a quem lambe o cu. Em vez do 44 o Relvas, etc. Mas o mais divertido é a sua esperança para a festarola do 25. Como todos sabem / deviam saber, o 25 Abril é a festa Tide do regime; o seu ritual anual de legitimação. Lembramos a tenebrosa ditadura, os santinhos capitães, a fabulosa liberdade, a mitológica democracia, etc., para divinizar uma mera golpada corporativa de oficiais do quadro, e branquear a partidocracia podre que dela adveio. Mas nada disto irrita o Irritado: o que o irrita, como em tudo na vida, é o tom esquerdista da coisa. Irrita-o tanto que até paga de bom grado o tacho ao Adão Lambe-Cus, se este malhar no PREC e no actual “domínio social/comunista”. Ora não sei que será mais absurdo: — se esperar que o xuxa Adão malhe na xuxaria, i.e. em quem lhe paga o tacho, e nos comunas que a amparam; — se o actual “domínio social/comunista” – certamente a Banca, a EDP, a Galp, a Altice, a UE, os ‘mercados’…

  5. Outra boa e recorrente: o malhanço na I República. Sim, a I República foi péssima. O que é que isso muda? Acaso justifica a injustificável Monarquia? Alguns esquerdalhos / maçons tentam branqueá-la? OK, de acordo, corrija-se os esquerdalhos / maçons. Mas tal como a corrupta III República não absolve a parola ditadura da II, o desastre da I República não invalida que a Monarquia já foi tarde; que jamais será aceitável; que é ridícula, obsoleta e profundamente injusta. Verdades duras como punhos, diz o Irritado. Tem piada: quando as ouve do Paulo Morais, por exemplo, não as aprecia tanto.

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