Aquela senhora do esgar elíptico que trabalha na RTP e costuma interromper as pessoas a meio do raciocínio perguntou ao dr. Sampaio se era verdade que tinha decidido dissolver a Asembleia poucas horas depois de ter dito ao dr. Santana Lopes que não o faria.
O dr. Sampaio respondeu que se tartava de “um processo global”, que o dr. Santana Lopes terá errado em certas interpretações, e que, de qualquer maneira, o assunto “não tem interesse nenhum”. Ou seja, e passe a expressão, o dr. Sampaio fugiu com o rabinho à seringa.
O acto político mais violento jamais praticado por um Presidente da III República, na opinião do dr. Sampaio, seu autor, “não tem interesse nenhum”. Está-se mesmo a ver, não está?
Há os que pensam (com carradíssimas de razão) que se tratou de um golpe de estado constitucional. Há os que pensam que talvez. Há os que pensam que nem por isso. O dr. Sampaio pensa que o assunto não interessa nada a ninguém.
Há momentos em que a verdade salta aos olhos de toda a gente. E a verdade, neste caso, de certeza certezinha, não é a confessadamente inexistente verdade do dr. Sampaio.
Antóno Borges de Carvalho

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