IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A ÚNICA SOLUÇÃO

 

As urgências dos hospitais estão, como se sabe, atafulhadas de “clientes”. Há quem morra à espera, há quem espere sem morrer, na esperança que alguma alma caridosa atenda.

É verdade, diz quem sabe, que, muitas, muitas vezes, a urgência de cada um não é urgência nenhuma, podia ser tratada noutra instância qualquer.

Então, porque vai tanta gente às urgências sem precisar delas? A resposta é simples: é a única solução, é preferível perder horas e horas à espera de atendimento que inscrever-se para uma consulta. Neste caso, a pessoa faz uma marcação, espera seis meses por ela e, se tiver sorte, isto é, se não hou ver alguma greve, se a enfermeira não está mal disposta, se o serviço não tiver o computador entupido, se o médico da especialidade estiver ao serviço, etc., talvez consiga.

Vale mais perder uma noite nas urgências e poder ver um médico, que seis meses com pouca garantia de conseguir seja o que for.

Aqui está um bom case study para “sociólogos”, “técnicos de políticas de saúde” e quejandos, já que o governo é suficientemente estúpido para perceber ou fazer seja o que for.

 

23.2.20



15 respostas a “A ÚNICA SOLUÇÃO”

  1. E quando é que assim não foi, Irritado? Quando funcionou a saúde realmente bem em Portugal? Sem longas esperas, sem computadores entupidos, falta de médicos, falta de equipamento decente, falta de tanta coisa? Já esteve melhor? Talvez, quando chovia esmolas da CEE e os governos do Centrão não tinham espatifado tanto o país. Antes da bancarrota do 44, da tanga do Burroso, do pântano do Guterres… talvez. Mas nunca foi bom. Sabe que estamos a envelhecer. A tecnologia avança, mas não chega: apenas prolonga a vida por uns anos, que requerem crescentes cuidados. Quem os presta ainda são pessoas – médicos, enfermeiros, auxiliares. Não são máquinas. A questão de fundo: até a tecnologia avançar o suficiente, seja para atrasar a velhice ou para curá-la, é preciso mais investimento e mais pessoal na saúde. Não há outra forma. E a sociedade deve adaptar-se a essa necessidade. Os bullshit jobs (conhece o livro? https:/wook.pt/livro/bullshit-jobs-david-graeber/21309933) em que 90% das pessoas se ocupam, isto a que chamamos economia, é apenas isso: uma ocupação, um entretém. Uma treta. Nada disto vai resolver o nosso problema. Somos tão tapados que ainda não vimos que a saúde não é uma prioridade – é a prioridade. E continuamos presos a lobbies gananciosos, como as farmacêuticas ou a máfia médica: porque não há mais médicos, muito mais médicos? Até médicos desempregados? Por que raio pode haver padeiros, soldadores, professores, tudo menos médicos?

  2. A propósito do que ninguém informa: eutanásia por outros meioshttps://ordemdosmedicos.pt/ars-norte-impoe-limites-intoleraveis-ao-tratamento-dos-idosos/

    1. Cara Isabel, dada a sua vil posição de defesa em relação à eutanásia não percebi se está a fazer a sua parte para denunciar esse caso ignóbil ou se é outro o seu objectivo… como se um mau exemplo fosse argumento para algo ainda pior. No que me diz respeito, a denúncia é o caminho a seguir para eliminar todas estas más práticas.

      1. É fácil falar sobre a morte quando nunca nos calhou acordar um dia com uma vida cheia de planos e ir deitar-se nesse mesmo dia a pensar como se irá organizar o pouco tempo que, afinal, se tem pela frente. Para mim, a morte é um assunto privado em que cada um tem direito de pensar e decidir o que entender e até, se calhar, mudar de ideias à última hora. Não dou a ninguém que não tenha passado por uma situação semelhante, o direito de qualificar a posição dos outros. É uma arrogância e uma ignorância sobre as diversidade de enquadramentos que cada um, queira ou não queira, pode ter que enfrentar. Como não dou ao estado o direito de decidir se vai acabar com a minha vida num dia ou noutro.A situação que acabo de mencionar não tem nada a ver com um estado que limita dissimulada e arbitrariamente a medicação que se pode prescrever a alguém porque tem uma idade determinada, seja ela qual for. Parece-me mesmo que será uma medida inconstitucional.Não sei se entendeu o que abusivamente chama de minha “ vil posição”. Não é com adjectivos que se discutem ideias.

        1. Não é de maneira nenhuma abusivo da minha parte chamar de “vil posição” a toda e qualquer posição que, de um modo ou de outro e seja em que circunstância for, defenda a aplicação da morte. Não existe neste mundo coisa mais extrema do que a morte… e tão extrema quanto a morte só mesmo o nascimento de uma nova vida! (releia s.f.f.) É igualmente vil da sua, ou da vossa parte, defensores da eutanásia, virem de mansinho fazerem-se passar por pessoas moderadas como se a vossa posição neste assunto fosse sequer razoável enquanto que a nós, que estamos contra a eutanásia sob que forma for, nos tentam fazer passar por extremistas, ignorantes, imbecis incapazes de compreender o sofrimento alheio. Isto sim, é abusivo! (pelo menos no que à troca de argumentos diz respeito) A Isabel e restantes com semelhante posição é que estão a ser abusivos… e bastante! Frequentemente, como aconteceu agora com a Isabel, nem sequer nos reconhecem em nós, opositores da eutanásia, qualquer capacidade de compreensão do assunto! Diz a Isabel que “a morte é um assunto privado”. Pois muito bem, que seja. Mas o que já não é assunto privado é imporem por decreto a opção da eutanásia a uma sociedade que não a pediu. Como se não bastasse todo este assunto ser demasiado sério para o tratamento que lhe estão a dar ainda temos que o que está a acontecer é, no mínimo, caricato se não mesmo uma fantochada… uma minoria de extremistas que, incompreensivelmente, ainda tem em Portugal assento no parlamento, está a impor a sua doutrina a todo um País em troca da aprovação do Orçamento de Estado de um governo inepto. Se a Isabel acha bem todo este cenário pois eu acho duplamente mal! ( “Não é com adjectivos que se discutem ideias”… ora essa, é com adjectivos, substantivos, verbos, pronomes, advérbios, preposições e até interjeições, se necessárias forem! Tudo o que se adeqúe a uma clara transmissão de ideias e argumentos, claro que de preferência sem se ultrapassar o limite da boa educação mesmo em caso de discussão mais assertiva.)

          1. Penso que se enganou no destinatário de todo esse discurso. Atribui-me posições que eu não tenho ou que nunca defendi. O meu fim é, para mim, assunto sério demais para estar a falar dele num forum público.E quando eu escrevi que não é com adjectivos que se argumenta quis ser delicada. O que estava por trás da minha frase era, obviamente, que não se argumenta com ofensas. As minhas opiniões não são vis e eu não me tomo por Deus para, na volta, qualificar as suas. De resto, agradeço o espaço que me tem dado e a delicadeza com que sempre me tratou.

          2. Não, cara Isabel, não me enganei. A Isabel é mesmo a destinatária de todo esse discurso, a Isabel e todos os demais que partilham a defesa da eutanásia. Portanto, não me dirigi exclusivamente a si, dirigi-me tanto a si como aos demais que têm posição semelhante à sua, tanto mais que usei várias vezes o plural. Se lhe atribuo posições que não tem ou nunca defendeu então devia ter-se expressado melhor, a Isabel devia ter lido o que escreveu e devia ter corrigido o que leu, não o tendo feito obviamente assume-se que são essas as suas convicções. Passo então agora a dirigir-me exclusivamente a si e às suas convicções sobre a eutanásia livremente assumidas por si nas caixas de mensagens deste blogue. O que a Isabel já por aqui escreveu sobre o assunto incidiu abertamente sobre a defesa da despenalização da eutanásia, incidiu mesmo sobre a efectiva aplicação da eutanásia aos mais frágeis e desprotegidos. Sim, estou mesmo a referir-me a si. Quanto a mim parece-me que a Isabel já se esqueceu do comentário que escreveu no tópico “TANATOLOGIA” onde a Isabel fez abertamente a defesa da eutanásia. Comentário que só se consegue ler até ao fim com algum esforço: https://irritado.blogs.sapo.pt/tanatologia-1118914#comentarios Palavras da Isabel no tópico Tanatologia: — “É compreensível que essas pessoas, no momento em que deixam de ser independentes, seja porque se dão conta de que a memória lhes foge com frequência demasiada seja porque já nem os paliativos estão disponíveis sempre que necessários, se preparem para pôr fim a algo que já não é vida, já não permite qualquer esperança.” Aparentemente, para a Isabel, ter falhas na memória “já não permite qualquer esperança” e isto de tal modo que, para a Isabel, ter falhas na memória ” já não é vida”. É a Isabel a considerar “compreensível” o pôr o fim a esta vida… que para a Isabel “já não é vida”. Absolutamente repugnante! Se a mim me fosse diagnosticada alguma doença da memória e a tivesse a si como herdeira trataria o quanto antes de planear o meu futuro com pessoas da minha maior confiança e de modo a que a Isabel não tivesse nada a ver com esse meu futuro enquanto dependente e nem com eventuais tratamentos futuros. Quanto aos paliativos não estarem “disponíveis sempre que necessários” é a Isabel, por uma questão de argumentário, a dar asas à imaginação. — “E se houver alguém, proximo (…), que a ajude nessa viagem para um rápido fim desejado, isso é uma benção que não merece, de modo algum, ser sancionada.” Uma claríssima defesa, por parte da Isabel, da opção da eutanásia. –“É, pelo menos, melhor do que ser vítima dos abutres que por aí andam procurando idosos sozinhos que tenham independência financeira, para se aproximarem, seduzirem e enganarem facilmente essa pessoa necessariamente carente, com o único objectivo de se irem apropriando dos seus bens.” Ou seja, para a Isabel, é melhor ser-se eutanasiado do que ser-se vítima de fraude. Até sinto calafrios! Não diga agora que não foi isso que quis dizer. Está lá no tópico Tanatologia, preto no branco, escrito por si, tal e qual como copiei agora para aqui. Se num passo de mágica, estalando os dedos, ali o Luís de Matos conseguisse enviar para a Lua todos os que já alguma vez foram vítimas de fraude, a população à face da Terra diminuiria drasticamente. Nem os mais avisados estão livres de serem vítimas de fraude! –“Pessoalmente, acho que estudar e aplicar medidas que ajudem a minimizar o sofrimento dos idosos sozinhos embora com meios e vontade de não saírem das suas casas é um problema muito mais premente do que desciminalizar a eutanásia. E, por maioria de razão, proporcionar também um fim tranquilo a quem deseja mas não tem meios para o fazer na sua casa, sem apoios externos.” Aqui neste trecho a Isabel começa por suavizar o seu discurso mas rapidamente volta à defesa daquilo a que chama “um fim tranquilo”, ou seja, a eutanásia. Tal e qual como já o disse antes, de mansinho aqui está a defesa do Inferno como se este fosse a melhor coisa do mundo! O seu comentário no tópico tanatologia não acaba aqui mas eu vou parar aqui mesmo de o analisar pois já tenho o estômago revoltado que chegue.

          3. (pela primeira vez atingi o limite de caracteres pelo que continuo já a seguir) Terminando… Delicada é coisa que a Isabel não é, ou não o foi, como facilmente se percebe e as sua opiniões (mais concretamente a esmagadora maioria delas neste assunto) são certamente vis. Dado o contexto posso certamente qualificá-las desse modo. Também nunca pensei que a Isabel fosse capaz de defender tal coisa, não que alguma vez tenha pensado antes no que a Isabel pensa ou deixa de pensar, mas mesmo assim fiquei bastante surpreendido com a sua atitude que imediatamente considerei leviana, imprudente mesmo… já para não falar das demais sensações físicas sentidas quando li o que a Isabel escreveu. Ofender a Isabel? Não, nem pensar. Não me venha com essa. A Isabel, em resposta directa a um texto do Irritado, escreveu o que escreveu por livre vontade, ninguém a obrigou. E assim continuou a escrever. Ou agora vamos passar a considerar ofensa atacar os argumentos de outros em assuntos como este, de vida ou de morte? Aliás, seja qual for o assunto!

          4. Ou boa-noite que já se faz tarde!

  3. Ainda me lembro bem de até há uns cinco ou seis anos uma consulta no centro de saúde daqui da zona demorar meia dúzia de semanas, mais semana menos semana, dependendo da altura do ano. Lembro-me até de haver uma máquina com ecrã de toque para as senhas de atendimento na secretaria que inevitavelmente avariou e nunca mais funcionou voltando-se assim ao sistema antigo dos rolos de senhas nas pequenas maquinetas afixadas nas paredes. É este um exemplo aparentemente insignificante mas é demonstrativo da capacidade informática instalada. Lembro-me ainda do tempo em que os centros de saúde tinham nas respectivas instalações sanitárias sabonete que realmente lavava as mãos. Lembro-me ainda, agora nos hospitais públicos, que consultas de especialidades menos concorridas, com menos pacientes, demoravam apenas umas seis ou sete semanas. Agora até estas ultrapassam os seis meses de espera. Por outro lado, lembro-me de, aqui há umas semanas, já depois do jantar e fazendo uso da Internet, ter marcado, para um hospital privado. uma consulta para a manhã seguinte (menos de 12 horas de espera) para uma especialidade em que, em hospitais públicos, os incontáveis meses de espera se tornam insuportáveis.

    1. Sim, nos privados é tudo mais rápido, mais moderno, mais bonito. Mas em vez de querermos – de exigirmos – isso para os públicos, pagamos cada vez mais ao privado. E admiramo-nos de faltar dinheiro para o público. Entretanto, enfermeiros e (sobretudo) médicos mercenários também privilegiam o privado. Entende-se: as consultas são na mesma a despachar, às vezes até ainda mais, mas no privado mamam muito mais por elas. E admiramo-nos de faltar médicos no público, ou de se recusarem a trabalhar abaixo de valores extorsivos. O fim deste caminho é conhecido. Tal como a qualquer leve sugestão de esquerda se aponta para a Coreia do Norte ou para a URSS, aqui basta olhar para o sistema de saúde dos EUA. O paraíso dos mamões.

      1. O Bastos é mesmo aquele tipo de pessoa que não deixa a realidade interferir com a sua própria percepção de realidade. Como qualquer outra pessoa que faça o mesmo também o Bastos conhece o truque: atirar com uns quantos pormenores verdadeiros para legitimar as suas restantes alegações.

        1. Conheço o tipo, Anónimo. Essa gente é do pior. É como aquela que responde sem responder: à falta de argumento, vai o ad hominem ou a divagação mais à mão.

          1. Não, não. Ad hominem seria eu agora dizer que o Bastos é afinal um comediante. Reparou na diferença?

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