IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A EDP, A GALP E O CUI

 

Uma hitorieta verdadeira.


Um cidadão recebe uma propaganda a dizer que a EDP passou a vender também gás natural. Como está a precisar de ligar o gás num sítio onde já tem electricidade, vai à EDP.

Após disciplinada permanência numa longa bicha, um fulano pede-lhe o número de contribuinte. Três segundos depois, o fulano lê o nome dele, a morada, o nº de telefone, o email, etc.. Afinal, sou muito conhecido cá na casa, pensa o cidadão. Depois realiza que está a papa toda feita para facilitar a vida ao Big Brother quando disso for caso.

O fulano, depois de saber ao que vinha o cidadão, fornece-lhe, gratuitamente!, um papelinho com um número. Comparando o seu número com o que está no olho do Big Brother, o cidadão vai comprar os jornais, senta-se numa pastelaria a beber uma bica e, acabada a leitura, volta à distinta EDP. Desta vez não teve que esperar muito. Chamado pela pantalha, dirige-se respeitosamente à menina número dez, dona de uma unhacas ciclópicas às riscas vermelhas e brancas.

Diz ao que vai. A menina olha-o com o maior dos desprezos e diz: “tem que trazer o CUI”. Meio aparvalhado, o cidadão, a pensar que o CUI é alguma catraca para lhe sacar uns cobres, confessa a sua fatal ignorância sobre a existência de tal coisa, bem como sobre que influência O CUI pode ter na sua vidinha.

“ O CUI é um número”, diz a gaja das unhas. “Então a senhora não conhece o meu CUI? Tem aí a morada…”. “Não sei nem tenho que saber, quem sabe é a GALP, e só podemos ligar o gás se soubermos o CUI”.

Estupidificado, o cidadão insiste. “Então se os senhores querem vender gás sem ter acesso ao CUI de cada um, como é que querem vender o gás? Então eu é que tenho que lhe mostrar o CUI? ”

A senhora unhacas começa a impacientar-se. Para encurtar caminho informa: “Tem que ir à GALP pedir o CUI. Depois, volte cá. ”Mas à GALP onde?” “Na loja do cidadão. Eles lá dão-lhe o CUI. Não há alternativa!”.

Ciente de que, com a gaja das unhas, não se safava, o cidadão fez das tripas coração e meteu-se no metro para os Restauradores. Teve a enorme felicidade de encontrar imediatamente o estaminé da GALP. Tirou a senha. A senha tinha o numero 35 e, na pantalha, estava o 79. O cidadão estremeceu. Já terá passado a minha vez? Não, não tinha. Era a pantalha que estava avariada. A chamada era feita aos gritos. Desta vez nem posso ir beber uma bica, nem há uma cadeira vaga para ler o jornal. Tenho que aguentar. Aguentou.

Do lado de cá, uma multidão suada e triste. A maior parte estava ali para pagar contas, em duas caixas, antes que lhes cortassem o abastecimento. Os outros, como o cidadão, esperavam por ser atendidos em quatro secretárias onde seria suposto imperar quatro meninas com uma Tshirt preta onde brilhava a palvra on, talvez roubada aos que estão on, na ZON. Das caixas, uma tinha um senhor a atender. A menina da outra devia estar em intervalo, a conversar com outras três, das quais, veio o codadão a saber, duas eram estagiárias. Deviam estar a trocar impressões sobre o serviço, não é? Depois, mais duas meninas das secretárias, uma a atender um cliente, outra a pensar. Passado um certo tempo, cheio de sorte, ouviu a menina que atendia chamar o 30 e os seguintes. Já tinham ido todos embora. Era assim chegada a feliz hora do cidadão. A menina, muito simpática, descobriu o CUI do cidadão num ápice. Que eficiência!, pensou o cidadão.

Depois, pensou mais: porque carga de água hei-de ir a toque de caixa outra vez para a EDP, se estas gajas também vendem gás? E a doce rapariguinha, passada uma longa e titânica luta com o computador, lá resolveu o problema.

Agora, é só esperar que venham uns tipos inspeccionar a instalação – o que poderá suceder em breve – e cobrar sessenta euros mais IVA. Além disso, é origatótio estar presente no local, por conta do cidadão, um “técnico especialista” em gases (será em gases do CUI?), o qual não se sabe quanto cobrará. Para já, tudo nos conformes.


Feliz, o cidadão voltou para casa. Tinham sido quatro horas altamente produtivas. Ia ter gás! Tinha dado com os pés na EDP! Tinha vencido o CUI dos gases!

Uma triunfante jornada para um português habituado a que os que estão atrás dos balcões tenham a missão de criar problemas em vez de os resolver.

 

28.9.12

 

António Borges de Carvalho



7 respostas a “A EDP, A GALP E O CUI”

  1. Não sabemos o fim da história,regra geral esses inspectores da instalação de gaz detectam sempre anomalias,supostas fugas,ou falha na extracção de gazes.Enquanto as anomalias (?) não forem reparadas não ligam o gaz.O inspector deligente fornece logo o cartão da firma que pode fazer o serviço.A isto chama-se uma enorme sacanagem que ninguem põe cobro!!!

  2. Sr. Irritado.Eu também pensava assim, até vir para Moçambique… De facto essa realidade em Portugal as vezes parece adversa, mas o cenário aqui fez-me lembrar do Portugal de há uns anos, sem lojas do cidadão, sem écrans a chamar senhas, sem qualquer tipo de informação fiável (nem no local, nem na internet).Nao quero com isto parecer pouco exigente, mas esta realidade fez-me pensar…

  3. Caro Irritado,É de todo justificável, mas algo inglório irritarmo-nos . Perdoe que tergiverse um pouco, para responder apenas num comentário aos seus vários posts de hoje, como sempre verdades como punhos – que deveriam esmurrar as alvares queixadas de uns quantos.Uma das razões porque passo menos por aqui deve-se ao esforço para me desligar de toda esta gente, por elementar higiene mental. Já que não posso mudar a realidade, mudo a percepção dela, e não ver telejornais ou ler comentários rasos e malcriados na net fazem parte da minha “dieta”.Os pilriteiros só podem dar pilritos e este regime criou um Portugal que será assim por muito tempo, como se vê pela manifestação de hoje, chamando gatunos aos que tentam endireitar o barco – pois aqueles que roubaram e fugiram não tarda muito voltarão para iniciar novo ciclo de ladroeira.Basta ouvir esse buda-vivo Soares, que no exercício de primeiro-ministro fez o que fez. Mas as pessoas não gostam de se servir nem da inteligência nem da memória: “Men, it has been well said, think in herds; it will be seen that they go mad in herds, while they only recover their senses slowly, and one by one.” (Charles Mackay, in Extraordinary Popular Delusions and the Madness of Crowds, 1841)O Gaspar pode sem esforço ganhar dez vezes mais em qualquer emprego á sua escolha, pois não faltarão ofertas. E além de alcançar aí cem vezes mais sucesso porque não será contrariado por imbecis, terá mil vezes mais sossego. Passará bem sem nós e a recíproca não é, infelizmente, verdade.Portanto irão brevemente chamar de novo o Teixeira, o Pina Moura ou outro desse quilate, porque ninguém decente se quer sujeitar a aturar multidões acéfalas.Ser-se governado pelas massas é uma utopia – por cá, tal como invariavelmente sucedeu nos países comunistas – e já nem vale a pena insistir nesse dessorado chavão.O que existe é um tipo de gente, de que Sócrates é a mais recente epítome, que se serve das turbas, com slogans (“os ricos que paguem a crise” com Soares, a “paixão pela educação” de Guterres, as “campanhas negras e forças ocultas” de Sócrates são bons exemplos disso) e depois de alcandorados ao poder, ordenham-nas despudoradamente, enquanto lhes vão sussurrando ao ouvido que “o povo é quem mais ordena”.Votaram neste governo quase 3 milhões de cidadãos. A manifestação que defende a sua demissão juntou hoje cem mil. Além de haver uma coisa chamada “voto”, ninguém se importa em referir estes números. Perdoe todo este desabafo para chegar ao tema, pois escrevo ao correr do pensamento. Mas não parecendo, um e outro estáãointimamente relacionados. A inda hoje vivi a sua saga, e tal acontece mais vezes do que poderia desejar.Decidi ir com o meu neto ao Jardim Zoológico – e o que por lá passei sugeriu-me aquele haiku “canário na gaiola – o dono preso fora.”de tal forma senti que os primatas, em vez de seguros nas jaulas, se passeavam em liberdade – e impunidade – pela bilheteira, no gabinete de apoio ao visitante, até nos táxis junto ao portão.Não vou entrar em pormenores, mas esse inocente passeio transformou-se num gólgota muito semelhante ao seu. Cumprir o seu dever, ter brio no trabalho, honrar o vencimento que se recebe – tudo isso é letra morta por cá, seja no parlamento ou no jardim zoológico. Os parteiros deste regime foram uns tais capitães que se consideravam mal pagos. E tanto bastou para atraiçoarem o seu juramento e aqueles que no Ultramar confiavam neles, os brancos que por isso mesmo tiveram que fugir – e os pretos que tiveram que morrer.E desse pecado original, de amor ao dinheiro e ódio ao dever, ainda enfermamos hoje.Somos um exército governado não pelos comandantes, mas pela maioria, ou seja os magalas.E nem pelos mais capazes e lúcidos, que conhecem as suas limitações e preferem obedecer. Mas preponderam os preguiçosos e insurrectos, que vêem os seus desmandos acatados por uma horda de seus sectários.Por isso, sem a menor dúvida perderíamos qualquer guerra convencional.Como iremos perder esta de agora, e todas as que vierem. Ah! E mais do que pessoas “deligentes”, precisamos de gente… “entilegente”.Um abraço amigo doM.

    1. Fui reler o meu comentário e revejo-me em tudo o que aqui verti, excepto em algumas gralhas, a pior delas ter atribuído o género feminino ao substantívo “epítome”.Há ainda outros géneros: o meu, que tenta escever o melhor que sabe, apesar dos erros – e os que zurram por escrito, e sempre bem, nesse asinino brado.Porque na linguagem escrita nos servimos de cerca de 15.000 vocábulos, as hipóteses de errar são bem maiores que aqueles que orneiam, sempre a emitir os mesmos sons.E ainda se diz por aí que é uma espécie em vias de extinção. Até se constituem em partidos – que melhor se descreveriam como récuas.

  4. Este homem é um espanto,caga e não cheira mal,está acima dos vulgos mortais.E mais não digo para não estragar a higiene da criatura.O resto não vale a pena comentar,esta espécie há muito que ultrapassou o reaccionário!!!

  5. Obrigado por me ter informado sobre o local onde encontrar o “CUI”. Já agora para quem quiser fazer contrato de electricidade na GALP devo informar que também precisa de ir à EDP para obter outro código.

    1. Só para acrescentar que esta situação do “CUI” não me irritou propriamente…. deixei de ser “ignorante” e ainda ri muito à custa dele…. há sempre situações piores claro por isso é bom e sabe tão bem “gargalhar” toda esta situação. (não desculpando aqui a(s) competência(s) dos “atendedores de balcão”…. é culpa da concorrência claro)

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