IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A BUFARIA AO ATAQUE

 

Surgiu nos nossos mais negros horizontes mais uma brilhantíssima organização: a Openliques (OpenLeaks).

Fruto da iniciativa de dissidentes da Uiquiliques (WikiLeaks), a novel organização reuniu na Alemanha nada menos que 3.500 hackers (piratas informáticos, pessoas que violam a segurança dos sistemas informáticos, picaretas, segundo os dicionários). Tudo gente fina. Gente especializada em meter-se na vida dos outros, pessoas singulares e colectivas, dando-lhes cabo do bom nome, dos negócios, da vida, penetrando-lhes na intimidade, na privacidade, nos meios de comunicação, na correspondência, nas folhas de cálculo, nos amores, nas fichas médicas, nas contas bancárias, no que lhes apetecer.

 

O patrão da coisa, um tal Domscheit-Berg, achou que os informadores da Uiquiliques – caso do americano condenado, e muito bem, a prisão perpétua – não estavam devidamente protegidos.

Para tratar de tão grave problema, o senhor Domechaite e os seus “técnicos” inventaram um sistema de tal ordem que você, meu caro leitor, se tiver um inimigo que entre na sua vidinha e a dê, ou venda, nos menos contáveis pormenores, aos jornais, a coberto do anonimato, ninguém, mas ninguém mesmo, poderá saber quem é o tal inimigo.

Apareceram logo 3.500 gatunos confessos interessados na coisa, bem como uns outros, a que a seguir faremos as devidas honras.

É de prever que, dada a enorme quantidade de gatunos existentes à face da terra, a coisa venha a ter um indiscutível sucesso

 

Havia, na moral social e na ordem jurídica, uma norma – entre nós, até está na Constituição e no Código Penal – que condenava a violação da correspondência.

Havia, no vademecum dos jornalistas, uma norma que, reservando em geral o sigilo das fontes, impunha limites deontológicos, designadamente a convicção da sua idoneidade.

A partir da reunião dos gatunos informáticos tudo, mas tudo, pode ser objecto de bufaria, desde o mais secreto segredo de Estado às hemorróidas de cada um. Isto, na certeza que o gatuno jamais poderá ser conhecido, seja pelos interessados, seja pelos jornalistas que se (des)responsabilizam pelo que publicam.

A partir disto, acaba a liberdade, a vida pessoal, a discrição negocial, até os planos da pólvora.

 

Vejamos, nas próprias palavras dos gatunos, o que se conseguiu: trata-se de uma plataforma tecnológica que os interessados instalarão nos seus sites e, assim, poderão receber fugas de informação de forma anónima e segura.

O senhor Domechaite e alguns dos seus parceiros da Uiquiliques saíram desta em rotura com Julian Assanje e levaram a plataforma de submissão electrónica que tinha sido desenvolvida por eles e que permitia aos “whistleblowers” (em português, bufos) entregar documentos pela internet.

Trocadas as coisas por miúdos, a seita do Domechaite roubou o sistema, que era da Uiquiliques e, à custa dele, lançou a Openliques. Ladrão que rouba ladrão…

 

Faltava arranjar parceiros de conhecida e reconhecida laia.

Em Portugal, como não podia deixar de ser, o parceiro encontrado foi o Expresso.

Em alta declaração do mais nobre escrúpulo, a direcção do citado tablóide vem dizer ao povo que, tal como no caso da Uiquiliques, só publicámos o que achámos importante. Antes, lemos, escolhemos, editámos, verificámos.

Pois é. Leram tudo. Publicaram o que lhes deu na realíssima gana. Ora como leram tudo, houve uma data de “leitores” que ficaram a saber tudo. Publicaram material roubado, foram receptadores de material roubado e fizeram negócio com ele.

Não venham dizer que se trata de investigação jornalística. Não há no caso, como não haverá na criminosa associação com a Openliques, seja que investigação for. É pura bufaria. E não há, sequer, por detrás das informações obtidas quaisquer fontes de indiscutível confiança. O que há é a ausência total de conhecimento da identidade de quem passa as informações.

Exactamente como o tipo da ourivesaria que recebe as jóias roubadas à velhinha e que, nem que lhe paguem, quer saber quem lhas passou.

 

Orgulhosamente, a direcção do tablóide confessa o pecado como se de virtude se tratasse.

Irresponsavelmente, as autoridades alemãs fecham os olhos a uma reunião de gatunos destinada a refinar os seus métodos de “trabalho”.

Ignorantemente, uma autoridade qualquer que é suposto ocupar-se da “comunicação social” em Portugal, não dá por nada.

Corporativamente, o sindicato dos jornalistas deve achar muito bem.

Irritadamente, o IRRITADO põe pontos em is que parecem não ter existência para aqueles a quem deviam interessar.

 

13.8.11

 

António Borges de Carvalho



11 respostas a “A BUFARIA AO ATAQUE”

  1. Se houvesse um Nobel para a hipocrisia,você seria um sério candidato.É de bradar aos céus a sua safada preocupação pelas devassas da vida privada,quando há bem pouco tempo aplaudia as fugas de informação da (in) justiça para atacarem o Pinto de Sousa.Vai para dentro ó MELGA!!!

    1. Ó daniel (desculpa lá esta “proximidade”, mas já te vi o “cu”), em tempos escrevi que tu e o Irritado eram “faces da mesma moeda”. A moeda tem um nome (sem curso legal, para já): HIPOCRISIA!!!

    2. Tenho pena que a sua cegueira não lhe permita ver a diferença entre uma coisa e outra. Ou como saber ler às vezes é pior que ser anafabeto, como não ver a diferença entre a PSP e a PIDE, ou como ler, não perceber nada e achar que se percebeu.Há muito tinha desistido de ligar às suas retorcidas e pouco simpáticas diatribes. Coisa que, de qualquer forma, agradeço. São esclarecedoras!

      1. Pois!O ceguinho sou eu!!!

  2. Avatar de Ignorantes, mas felizes
    Ignorantes, mas felizes

    De acordo com tudo e também com o seu contrário.Imagine-se que uns delinquentes acobertados pelos seus cargos políticos, tramam milhões de cidadãos. Claro que seria horrível sabermos disso através da Ui que leacks.Tal como as malfeitorias que os americanos fazem no Iraque.Tal como Sócrates fez, gamando milhões e gozando com a nossa cara.saber-se disso seria consternador. Todos preferimos que o gamanço continue e se nos tiram a bolsa, preferimos que seja Tudo abafado.Para o fantoche tecelónico, a minha gargalhada de desprezo.Só um verdadeiro anormal continua a defender o crime organizado.

    1. Presumo que concorda com os meus pontos de vista, mas lamenta que haja tanto canalha a ser protegido por “falta de informação”.O problema para que chamo a atenção é o de, neste triste caso, haver uma espédie de legitimação, com eventuais e colossais consequências na nossa vida, de acções que põem em causa, ou invertem, uma série de princípios fundamentais.Vale mais perder alguma informação útil e importante que mandar para o lixo normas que defendem a nossa privacidade, a nossa segurança e, sobretudo, a nossa moral.Repare: um tipo que pirateie um filme ou uma música na Net comete um crime contra os direitos de autor; alguém (pode ser a nossa mulher ou o nosso filho) que nos abra a correspondência ofende a lei. E, no parecer dos que critico e condeno, quem faz muito pior nas comunicações electrónicas é um herói! Criado fica o princípio da bufaria universal, e ressuscitada a moral da PIDE, da GESTAPO, ou do KGB, desta vez aplicada a toda a sociedade! Nada disto tem a ver com informação, jornalismo de investigação, liberdade de imprensa ou dever de informar.

      1. O seu argumento central é válido, a sua comparação nem tanto: no tempo da PIDE, da KGB e da Gestapo, a bufaria tinha consequências. Hoje, lemos a suposta informação confidencial entre notícias de bola e de “famosos”, com um bocejo, e dois dias depois já ninguém se lembra. Veja-se o célebre vídeo em que soldados americanos praticam tiro-ao-alvo com civis iraquianos, talvez a única “leak” realmente chocante. Não mudou NADA. A maior consequência das leaks do Sr. Assange, acabou por ser para o próprio Sr. Assange, e para o tal americano condenado por leakar. A melhor protecção dos poderes instalados, não está nas Secretas nem na inviolabilidade dos seus sistemas informáticos: está na anestesia da carneirada, através da voragem informativa dos media. Esta aniquila o conteúdo, tornando-o passageiro e volátil. A informação passa tão depressa, e em tal quantidade, que o seu peso se torna quase nulo. Duvido pois que as XptoLeaks causem os cataclismos temidos pelo Irritado, mesmo que queiram. Ainda assim, num mundo em que os media são (quase) todos controlados por grupos económicos, e dependem da publicidade destes para sobreviver, é MELHOR haver XptoLeaks, do que não haver. Além disso, o Estado, certos grupos e certos media, JÁ PODEM violar a nossa privacidade, quando quiserem. As XptoLeaks, a serem genuínas, viram a mesa do jogo, expondo-os também a eles. Bem precisávamos de umas belas leaks, nesta Partidocracia Tugalesa…

      2. Blá,blá,blá!!!Daí não se esperaria outra coisa!!!

    2. Pois!!!Dizeres essa merda ou nada,é a mesma coisa.Tira o pé da bosta!!!

    3. Deves estar a fazer costas aos pulhas que assaltaram o BPN,palerma militante!!!

  3. Em Portugal funciona assim: Quando o Sporting Club de Portugal processou o jornal Público por violação do direito ao bom nome, houve logo daqueles juristas de nomeada que despejam lixo na cabeça dos portugueses que publicaram estar o direito de informar em confronto com o direito ao bom nome. Sendo assim, a solução residia no bom senso de um juiz. Por isso, mesmo havendo leis que regulem, para uns haverá o direito de difamar enquanto outros serão punidos pelo direito de informar. Acontece assim com outros direitos, onde se arranja um direito para o mais forte para combater o direito do mais fraco. Calculem o que aconteceria se o direito à habitação do devedor ao banco tivesse a mesma força do direito do inquilino e o direito de propriedade do senhorio a mesma força do direito do banqueiro.No mundo, porém, tal qual como em Portugal, impera o banditismo e o saque nas instâncias do poder. Por isso. há coisas que me irritam muito mais. A vida da maioria das pessoas, anónimas e tramadas todos os dias, não vende.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *