Antigamente, as bolsas de estudo eram dadas a alunos especialmente bons, para poderem continuar a estudar quando para tal não tinham meios. Havia também outras bolsas, geralmente conferidas a projectos de vária ordem. Acabado o projecto, acabava a bolsa. O bolseiro, se queria continuar a sê-lo, candidatava outro projecto, o qual era julgado de acordo com o seu mérito e com o êxito do projecto precedente.
Hoje, não sei lá muito bem como se passam estas coisas. Mas surpreendem-me as polémicas que se geram à volta dos bolseiros. Se a agência estatal, ou privada, não lhes renova a bolsa – por razão nenhuma segundo os atingidos -, aqui d’el Rei, que estão a ser despedidos! Ser bolseiro parece ter passado a profissão para a vida, o que é contraditório com o comum conceito de bolsa e de bolseiro, segundo o qual ser bolseiro não é profissão e o que se lhe paga não é ordenado. Uma situação tradicionalmente provisória. Acabada a bolsa, o seu titular, ou volta ao lugar de origem, se o tinha, ou vai tratar da sua vida.
Hoje, e em Portugal não é assim. Os bolseiros acham que, ou as bolsas são renovadas sine die, ou são metidos no Estado como funcionários full rank, com antiguidade, diuturnidades e toda a panóplia de privilégios que aos empregados do Estado é garantida – e aos demais negada – independentemente do mérito ou de outros critérios do género.
Fiquei a saber que, se um bolseiro o é por hábito, na falta de mais bolsas, passa a funcionário. Nada mais fácil, nos tempos que correm. De caras.
A geringonça já meteu (números de há meses) mais uns dez mil empregados, vai meter mais umas centenas de bolseiros, mais uns milhares de professores, umas centenas de juízes, outras tantas de funcionários judiciais, guardas prisionais, polícias, guardas republicanos e tutti quanti que por aí apareçam com umas cunhas do Bloco de Esquerda, da CGTP ou algum afilhado de quem manda.
Um fartote: o eleitorado incha, que é o que se pretende, e quem vier a seguir (o FMI, a UE, o BCE, o Sidónio?) que lhes pague o ordenado.
7.3.18

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