Numa das suas diárias sessões de propaganda, o cidadão tido por primeiro-ministro demonstrou mais uma vez a sua fidelidade aos compromissos e à palavra dada. Com toda a razão, desta vez no caso das renováveis, prado onde pastam o Mexia e o Pimenta. Cabeça levantada, voz poderosa, a criatura declarou que, havendo um contrato assinado (pelo Sócrates, quem havia de ser), o Estado (ele, Costa) era, como sempre, fiel à palavra dada, respeitava os compromissos do Estado. Notável, digno dos maiores encómios, não é?
É. Ou seria, se fosse verdade. Então não foi o mesmo Costa quem deitou para o lixo, por exemplo, os contratos de concessão dos transportes? Então não foi o mesmo Costa que, na altura, disse que era um caso de interesse público? Foi. Então, onde está a palavra, onde está a fidelidade aos contratos do mesmo Estado em nome de quem o Costa diz actuar? Foram-se.
Expliquemos, que parece que a bota não diz com a perdigota. Há uma difernça importante. Na cabeça do fulano, há contratos e contratos, de um lado os assinados pelo seu bem-amado ex-chefe Sócrates, do outro os subscritos pelo pai de todos os males, Passos Coelho. No primeiro caso, há que respeitar, no segundo, “reverter”. É o esplendor da “palavra” socialista.
Em alternativa, se o Costa fosse capaz de dizer a verdade, comunicaria aos indígenas que respeitava os contratos porque, fazendo o contrário, se arriscava a ser condenado a indemnizações monumentais. O que, aliás, vai acabar por acontecer no caso dos transportes. O Centeno disse-lhe que nem pensar, os contratos do Sócrates têm blindagens à la manière.
Mas dizer verdades não é especialidade que esteja em vigor, o que está em vigor é a propaganda.
“Os contratos da energia são para cumprir, nós cumprimos os contratos”, disse ele. Pois, dizia a minha prima, que gostava muito de dizer coisas.
6.12.17

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