Como se sabe, um dos grandes feitos do Rei Dom Dinis, o pinhal de Leiria, foi literalmente destruído, uns sete séculos depois de plantado. Ao contrário do que dizem as tontas do BE e quejandos, os eucaliptos, as celuloses, as multinacionais e o capitalismo não tiveram responsabilidade nenhuma, já que nada tinham a ver com a gestão ou a protecção do referido pinhal.
O auto proclamado Dom Dinis dos nossos dias, dito ministro da agricultura e florestas, diz que também não é responsável. Ainda assim, alvíssaras, confessa de seguida ter um niquinho dela, no que se afasta do chamado governo a que pertence, porque essa organização nem parcialmente é responsável seja pelo que for. Espera-se que não seja corrido em virtude deste pequeno acesso de parcial responsabilidade.
Pode, sem hipocrisia, dizer-se que o incêndio do pinhal de Leiria, sendo propriedade pública, teve a vantagem de pôr a nu a estupidez da argumentação política em vigor que põe as culpas para os privados e os eucaliptos. Os fogos não puseram a nu problemas derivados da propriedade, privada ou pública, das florestas, ou de se tratar de eucaliptos, de macieiras, de pinheiros ou de tílias. O que puseram à vista foi, como toda a gente sabe, a total, impune e impunível incompetência dos poderes político, autárquico, administrativo, operacional, enfim, de tudo o que, não sendo privado, tratou do assunto com os pés, num mar de irresponsabilidade e de desprezo pelos mortos e pelos vivos, bem expresso este nas reacções dos chamados membros do governo, maxime do respectivo chefe.
Enfim, o que de novo há a assinalar é o aparecimento a despropósito do dom dinis do socialismo com as suas maravilhosas intenções e realizações. O homem já criou não sei quantas “unidades de missão”, mais umas comissões, umas autoridade ou coisas que o valham, além de outras “estruturas”. Já despejou e vai despejar milhões por todo o lado, diz ele. Fez um número indeterminado de projectos, de decretos, de portarias e outras alegorias. Proclama a súbita existência de toneladas de guardas republicanos e de vigilantes. E mais não sei quantas iniciativas de arromba.
Cereja em cima do bolo, propõe-se deslocalizar o ministério da agricultura (é de esperar que o tipo do Porto venha rapidamente exigir que a nova sede seja no Bulhão). Engraçado é que o argumento usado por Sexa seja o facto de ter havido “governos” (quando há culpas do PS não se diz que governos) que passaram as lojas concelhias do ministério para os distritos. Isso, segundo disse, vai continuar como está, isto, é as tais lojas são substituídas por cooperativas e outras associações. Foram mal abolidas, mas abolidas vão continuar.
À primeira vista, não se percebe como é que, sendo o problema derivado do fim de pequenas delegações, se vá mudar de sítio o ministério. Mas, vendo bem, percebe-se sim senhor. O homem pensou: se o tipo da saúde muda um escritório (o Infarmed), eu, para ser gente, mudo o ministério todo. Voilá.
O IRRITADO, de boa fé, autoriza o chamado governo a mudar o ministério para Vinhais, para a Amareleja ou para o Porto. É indiferente, e até tem a vantagem de aliviar Lisboa de uma data de gente que, por cá, só faz falta para tratar das hortas sociais, coisa que qualquer hortelão fará com evidentes economias e vantagens técnicas.
Mas não gosta de propagandas idiotas nem deste tipo de “descentralizações”.
30.11.17

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