IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DOM DINIS DE PAPELÃO

Como se sabe, um dos grandes feitos do Rei Dom Dinis, o pinhal de Leiria, foi literalmente destruído, uns sete séculos depois de plantado. Ao contrário do que dizem as tontas do BE e quejandos, os eucaliptos, as celuloses, as multinacionais e o capitalismo não tiveram responsabilidade nenhuma, já que nada tinham a ver com a gestão ou a protecção do referido pinhal.

O auto proclamado Dom Dinis dos nossos dias, dito ministro da agricultura e florestas, diz que também não é responsável. Ainda assim, alvíssaras, confessa de seguida ter um niquinho dela, no que se afasta do chamado governo a que pertence, porque essa organização nem parcialmente é responsável seja pelo que for. Espera-se que não seja corrido em virtude deste pequeno acesso de parcial responsabilidade.

Pode, sem hipocrisia, dizer-se que o incêndio do pinhal de Leiria, sendo propriedade pública, teve a vantagem de pôr a nu a estupidez da argumentação política em vigor que põe as culpas para os privados e os eucaliptos. Os fogos não puseram a nu problemas derivados da propriedade, privada ou pública, das florestas, ou de se tratar de eucaliptos, de macieiras, de pinheiros ou de tílias. O que puseram à vista foi, como toda a gente sabe, a total, impune e impunível incompetência dos poderes político, autárquico, administrativo, operacional, enfim, de tudo o que, não sendo privado, tratou do assunto com os pés, num mar de irresponsabilidade e de desprezo pelos mortos e pelos vivos, bem expresso este nas reacções dos chamados membros do governo, maxime do respectivo chefe.

Enfim, o que de novo há a assinalar é o aparecimento a despropósito do dom dinis do socialismo  com as suas maravilhosas intenções e realizações. O homem já criou não sei quantas “unidades de missão”, mais umas comissões, umas autoridade ou coisas que o valham, além de outras “estruturas”. Já despejou e vai despejar milhões por todo o lado, diz ele. Fez um número indeterminado de projectos, de decretos, de portarias e outras alegorias. Proclama a súbita existência de toneladas de guardas republicanos e de vigilantes. E mais não sei quantas iniciativas de arromba.

Cereja em cima do bolo, propõe-se deslocalizar o ministério da agricultura (é de esperar que o tipo do Porto venha rapidamente exigir que a nova sede seja no Bulhão). Engraçado é que o argumento usado por Sexa seja o facto de ter havido “governos” (quando há culpas do PS não se diz que governos) que passaram as lojas concelhias do ministério para os distritos. Isso, segundo disse, vai continuar como está, isto, é as tais lojas são substituídas por cooperativas e outras associações. Foram mal abolidas, mas abolidas vão continuar.

À primeira vista, não se percebe como é que, sendo o problema derivado do fim de pequenas delegações, se vá mudar de sítio o ministério. Mas, vendo bem, percebe-se sim senhor. O homem pensou: se o tipo da saúde muda um escritório (o Infarmed), eu, para ser gente, mudo o ministério todo. Voilá.

O IRRITADO, de boa fé, autoriza o chamado governo a mudar o ministério para Vinhais, para a Amareleja ou para o Porto. É indiferente, e até tem a vantagem de aliviar Lisboa de uma data de gente que, por cá, só faz falta para tratar das hortas sociais, coisa que qualquer hortelão fará com evidentes economias e vantagens técnicas.

Mas não gosta de propagandas idiotas nem deste tipo de “descentralizações”.

 

30.11.17



7 respostas a “DOM DINIS DE PAPELÃO”

  1. Como assim, isto não tem a ver com o capitalismo? Se Chernobyl foi culpa do socialismo, como é que a decadência de serviços públicos não tem a ver com o capitalismo vigente? Quem chula e saqueia o Estado à tripa-forra, não é a Banca e os sacrossantos “mercados”? Quem privatiza tudo de bom e nacionaliza apenas o mau, não são os fantoches da mesma Banca? Para onde vai o dinheiro que devia pagar a Saúde, a Educação, a vigilância de pinhais, não é para juros e SWAPs? E para a EDP, para a Mota-Engil, a Lusoponte, os escritórios dos contratos “blindados”, as obras ruinosas e os brinquedos caros? Pensava que a Direita é que era realista; que sabia que o «o dinheiro não chega para tudo». Pois aqui tem: não chega mesmo. Há muita função pública inútil a mamar, sim, mas os grandes mamões são privados. E mais, não é por acaso: o capitalismo funciona mesmo assim. Só descansa quando tudo for um monopólio ou cartel privado. Só descansa quando o Estado arder todo.

    1. Parabéns .Mais um comentário que refere muitas verdades que também merecem ser citadas. Gostei, e acho bem que haja alguém a contrapor, com moderação e civismo, como é costume fazê-lo.

    2. A decadência dos serviços públicos deve-se ao socialismo em vigor, que escolheu, como toda a gente sabe, gastar o dinheiro a enganar as pessoas com as célebres reversões, não a manter os serviços públicos pelo menos como estavam antes da usurpação do poder. Quanto ao resto, acho bem que não ceda um milímetro nos exageros da sua argumentação habitual.

      1. Isso já é cegueira a mais: então a culpa é toda deste governo, e nenhuma do seu caro Passos, que tanto cortou e saqueou? E muito antes dele, sempre houve “crise”. O pai do monstro público, recordo, foi a Múmia Cavaca. Desde aí, todos os governos usam a “crise” para cortar serviços, privatizar tudo o que dava lucro, e aumentar impostos. Socialismo em vigor? Esta coutada de mamões, este feudo da Banca e dos “mercados”? Boa piada!

  2. Como sempre mais um excelente texto que, se os desgovernantes tivessem um pingo de responsabilidade, os deixava envergonhados

  3. Um texto onde se percebe que este estado é uma miséria. Infelizmente, ainda há pessoas que pensam que quando uma empresa privada lucra com o estado, isso é verdadeiro capitalismo, mas não é. Para o estado, são formas de controlar a economia e/ou de corrupção. No verdadeiro capitalismo, o estado não se mete em negócios, nem tenta ser dono, nem tenta controlar a economia. No socialismo, sim, o estado pretende controlar a economia. E não se importa que existam privados, desde que sejam controlados pelo estado. Quanto maior o controlo do estado sobre a economia, mais pobre o país em causa. O último grande exemplo é a Venezuela. Passar bem!

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