IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CARBONO A RODOS

 

Em imponente chamada de primeira página, o DN de ontem informa: Estamos perante a maior concentração de carbono em 800 mil anos.

Por seu lado, no mesmo dia, o Público não está com meias medidas. Também em chamada de primeira página faz saber que Há pelo menos três milhões de anos que não tínhamos tanto CO2 na atmosfera.

Não sei se se trata de concorrência, a ver quem mete mais medo. Sei que a malta é sensível a estas boutades “científicas”, e sei também que a origem delas é uma coisa chamada IPCC (international panel on climate change), comissão da ONU formada por burocratas de nomeação política que, sob a direcção de um engenheiro de caminhos de ferro indiano, tem por expressa missão provar a) a existência do aquecimento global e b) que tal aquecimento é causado pelo homem.

A “precisão” das informações acima transcritas é suficiente para ajuizar da credibilidade desta gente.

Talvez haja em curso o tal aquecimento global. Parece que é coisa passível de medições mais ou menos exactas. Daí até culpar a humanidade vai uma distância literalmente cósmica. Aceite-se que haja, para bem, uma mudança dos paradigmas energéticos. Aceite-se as soluções que a tecnologia vem proporcinonando. Aceite-se a limpeza possível das emissões de CO (o CO2 é outra coisa…). O que não é aceitável é o argumentário do politicamente correcto, da ONU, dos “cientistas”, as ameaças, o terrorismo ecológico. Limpemos os rios, tratemos os lixos, arranjemos maneiras de pôr os motores a funcionar por processos mais limpos, tratemos da qualidade do ar, mas, pelas almas, deixemos de bater com a mão no peito e de condenar o que tem sido a inexorável marcha humana para melhores dias.

Para os terroristas do ambiente, três mil milhões de anos ou oitocentos mil é mais ou menos a mesma coisa, desde que se “prove” a antropogénese da história do CO2. Mesmo aceitanto que o CO2 é a causa do alegado aquecimento global, não há dúvida que o planeta tem aquecido e arrefecido n vezes, com humanidade ou sem ela. Não há dúvida que, na história do planeta, tem havido mais e menos concentração de CO2, pela simples razão que o maior produtor de tal coisa é o próprio planeta, cuja vida depende muito mais de fenómenos cósmicos, conhecidos e desconhecidos, do que da presença humana. Houve idades do gelo como houve tórridos tempos, aquecimentos e arrefecimentos, bruscos ou lentos. Sabe-se isso como se sabe que o homem nada a ver com o assunto.

O que irrita não é que se tome as medidas possíveis para acautelar as consequências dos fenómenos naturais, é que se meta os dedos pelos olhos dentro de cada um, a fim de diminuir a alegria de viver e de sujeitar a humanidade às estratágias de domínio que, oficial e triunfantemente, por aí vicejam.

 

1.11.17



6 respostas a “CARBONO A RODOS”

  1. «Limpemos os rios, tratemos os lixos, arranjemos maneiras de pôr os motores a funcionar por processos mais limpos, tratemos da qualidade do ar»… e como é que o Irritado propõe fazer isso? Melhor: como propõe obrigar os países, empresas e cidadãos a fazer isso? Como propõe obrigar um mamão hipócrita como Trump a fazer isso? Ou a BP, ou a Nestlé, ou a Apple? Neste capitalismo ganancioso e amoral, dog eat dog, de maximizar lucros a todo o custo, obcecado por crescimento perpétuo e infinito – veja-se a fantasia do PIB, basta desacelerar o crescimento para todos chiarem – qual a sua solução? O Estado não pode ser, porque é opressão e comunismo, né? Então como? Magia?

  2. Tente ver a coisa por este prisma. Quando toda a economia, dos grandes mamões e multinacionais até às pequenas empresas, se está a borrifar para o ambiente, e o cidadão comum não tem tempo ou interesse (i.e. recompensa imediata) para se preocupar com isso, é preciso uma enorme força para conseguir sequer uma ligeira mudança. Mesmo com a histeria “verde” dos últimos anos, o que mudou realmente? Pouco ou nada, e 1/3 da população mundial – China e Índia – está ansiosa por poder consumir e deitar fora o mesmo que nós. O problema de fundo, voltando à vaca fria, é em boa parte o seu caro modelo capitalista. Aquilo a que chama liberdade é, na prática, a liberdade de ser escravo de mamões, de consumismo acéfalo e alienado. Daí a histeria. Num mundo dominado por tanto publicidade e propaganda, como mais se poderia obter alguma atenção da carneirada?

    1. As “saudades” são tantas, que fazendo jus à “carreira”, apresenta parvoíces em duplicado?

    2. V. não tem emenda! A sua “teoria Geral dos Mamões” resolve tudo. É muito prático, mas não leva a parte nenhuma. Se levasse… era uma desgraça.

      1. Não desta vez: mencionei também as pequenas empresas e os cidadãos em geral. Sabe que é assim. Sem sermos obrigados, a maioria de nós raramente ou nunca pensaria em consequências ambientais. Muitas delas, aliás, são ainda desconhecidas. Por exemplo, encontra-se hoje micropartículas de plástico em praticamente tudo, das águas aos solos. Isto será mau? Ninguém sabe. Mas dificilmente será bom.

        1. As “saudades” são tantas, que fazendo jus à “carreira”, continua a multiplicar as “parvoíces”?

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