Em imponente chamada de primeira página, o DN de ontem informa: Estamos perante a maior concentração de carbono em 800 mil anos.
Por seu lado, no mesmo dia, o Público não está com meias medidas. Também em chamada de primeira página faz saber que Há pelo menos três milhões de anos que não tínhamos tanto CO2 na atmosfera.
Não sei se se trata de concorrência, a ver quem mete mais medo. Sei que a malta é sensível a estas boutades “científicas”, e sei também que a origem delas é uma coisa chamada IPCC (international panel on climate change), comissão da ONU formada por burocratas de nomeação política que, sob a direcção de um engenheiro de caminhos de ferro indiano, tem por expressa missão provar a) a existência do aquecimento global e b) que tal aquecimento é causado pelo homem.
A “precisão” das informações acima transcritas é suficiente para ajuizar da credibilidade desta gente.
Talvez haja em curso o tal aquecimento global. Parece que é coisa passível de medições mais ou menos exactas. Daí até culpar a humanidade vai uma distância literalmente cósmica. Aceite-se que haja, para bem, uma mudança dos paradigmas energéticos. Aceite-se as soluções que a tecnologia vem proporcinonando. Aceite-se a limpeza possível das emissões de CO (o CO2 é outra coisa…). O que não é aceitável é o argumentário do politicamente correcto, da ONU, dos “cientistas”, as ameaças, o terrorismo ecológico. Limpemos os rios, tratemos os lixos, arranjemos maneiras de pôr os motores a funcionar por processos mais limpos, tratemos da qualidade do ar, mas, pelas almas, deixemos de bater com a mão no peito e de condenar o que tem sido a inexorável marcha humana para melhores dias.
Para os terroristas do ambiente, três mil milhões de anos ou oitocentos mil é mais ou menos a mesma coisa, desde que se “prove” a antropogénese da história do CO2. Mesmo aceitanto que o CO2 é a causa do alegado aquecimento global, não há dúvida que o planeta tem aquecido e arrefecido n vezes, com humanidade ou sem ela. Não há dúvida que, na história do planeta, tem havido mais e menos concentração de CO2, pela simples razão que o maior produtor de tal coisa é o próprio planeta, cuja vida depende muito mais de fenómenos cósmicos, conhecidos e desconhecidos, do que da presença humana. Houve idades do gelo como houve tórridos tempos, aquecimentos e arrefecimentos, bruscos ou lentos. Sabe-se isso como se sabe que o homem nada a ver com o assunto.
O que irrita não é que se tome as medidas possíveis para acautelar as consequências dos fenómenos naturais, é que se meta os dedos pelos olhos dentro de cada um, a fim de diminuir a alegria de viver e de sujeitar a humanidade às estratágias de domínio que, oficial e triunfantemente, por aí vicejam.
1.11.17

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