Excelentíssima Senhora Secretária de Estado
Até hoje, ou ontem, nunca tinha visto Vossa Excelência, nem pessoalmente nem por via dos media. Também, confesso, nunca tinha dado pela existência de Vossa Excelência. Ainda menos dei pelas reformas que parece ter entre mãos. Neste último caso – não sei se o defeito é meu – julgo ter comigo a generalidade dos meus concidadãos, que nunca deram por reforma nenhuma que se veja, proveniente, ou do alto critério de Vossa Excelência, ou da sabedoria do chamado governo de que, passei a saber, Vossa Excelência faz parte.
A celebridade é uma tentação para toda a gente. Compreendo. Aqui se insere, julgo, a súbita tentação que a assaltou. De um dia para o outro, Vossa Excelência tornou-se célebre. Os meus parabéns. Pena é que o tenha feito, não através da sua obra, putativamente notável, mas pela confissão, perdão, pela declaração pública da sua chamada “opção sexual”, coisa que a ninguém diz respeito e a ninguém devia interessar. Mas interessa. Vivemos num mundo onde coisas desse estilo, sejam quais forem (são tantas as variedades que já lhes perdi a conta), excitam as mais variadas imaginações e enchem páginas de jornal, como se fossem importantes ou notabilizassem quem as tem ou adopta.
Confesso que, para mim, a sua declaração é de uma atroz inanidade e nulo interesse. Que a sua obra seja outra coisinha, são os meus votos.
23.8.17

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