Afinal, anda o IRRITADO a tecer tristes considerações sobre o “estado da Nação”, e está tudo bem, tudo na linha, o governo e o Estado nas alturas, não há problema nenhum.
As armas roubadas eram sucata, diz um general mais ou menos apalhaçado, o incêndio foi só mais um em 156 diz, orgulhoso, um tipo conhecido por primeiro ministro, o Presidente janta em Belém com uns generais, espécie de recriação da célebre brigada do reumático, ninguém tem culpa, nem responsabilidade, nem nada que se pareça, os culpados vão ser encontrados mais abaixo, talvez uns cabos da tropa, uns ajudantes de bombeiro, uns operadores de telecomunicações, sim, meus amigos, alguém há-de pagar, desde que se não trate da malta cá de cima. Aí temos o intolerável Costa, muito culto, a parafrasear Humberto Delgado, mas de pernas para o ar por causa das coisas: “obviamente não demito ninguém”, nem o antigo serventuário de Sócrates nas manobras da comunicação social, hoje dito ministro da defesa, nem a obscura funcionária e bailarina emocional hoje dita ministra da polícia e arredores, nada, ninguém, basta correr com os tipos que foram a Paris à pala da Galp para mostrar que mando, que moralizo, que sou o maior, tudo fica sanado, isso de incêndios e de assaltos a paióis é coisa de somenos, o governo está firme, altivo, cheio de feitos, dedica-se, como é lógico, a fazer oposição à oposição, tudo em nome da estabilidade, acha óptimo que os ministros mintam descaradamente no Parlamento, acha uma maravilha que a educação se afunde nas teorias do bigodes e do seu factotum barbaças, sabe que isso da bagunça na saúde é muito salutar, os incêndios são um fait divers no meio de tantos outros, os ladrões de armas prestaram um serviço à Nação e à tropa livrando ambos de chatices com armas obsoletas, o governo é óptimo como o Presidente tem repetidamente afirmado, quem é que está para aí insatisfeito?
E assim vamos, cantando e rindo.
13.7.17

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