Foi com tristeza, mas sem surpreza, que o IRRITADO ouviu e viu, ontem, o discurso do poder. Saídos das catacumbas da II República, um general e um dito primeiro-ministro vieram descansar o povo ignorante e manso.
Não, portugueses, – disse o general – não vos inquieteis, as forças armadas estão alerta, a segurança da Nação está garantida. É certo houve subtracção de umas granadas, mas era material para abate, não serviam para nada nem fazem falta nenhuma. Os vossos chefes militares estão todos de acordo, tanto entre eles como com o senhor primeiro-ministro. Não há problema nenhum.
Com ar imperial e sério, o tal primeiro-ministro assistiu à treta. Depois, chegou-se ao microfone e disse de sua justiça. É pena que a maioria dos portugueses não se lembrem das notáveis intervenções públicas do célebre almirante Américo Tomás, sempre tonificadas por um paternal non-sense, sempre redondas, sempre abalhelhadas. Se se lembrassem veriam onde o orador de ontem foi aprender a arte do discurso, a forma de dizer coisas sem dizer nada, o requinte de esconder, rodear, parvoar.
Para quê citá-lo? Ao primeiro abanão, o discurso costista enche-se do mais primitivo vazio.
Ficámos descansados, não ficámos? O poder está em boas mãos.
12.7.17

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