Três incondicionais do Costa cairam da tripeça. Outros vão pelo mesmo caminho. Não, não foi por causa do Pedrógão nem de Tancos. Foi por causa da boleia da Galp para o euro.
Qualquer coisa está errada. Passamos a vida a ver o chamado primeiro ministro, ministros e seus apaniguados, repimpados nas tribunas dos estádios a ver jogos de futebol, aos quais, é de ver, foram conduzidos em carros do Estado, à custa do mesmo. Para os quais foram convidados, não pagaram os bilhetes que a malta paga.
Os clubes são livres de convidar quem quiserem. Os convidados são livres de aceitar os convites. Os clubes são sociedades comerciais, ou detidos por sociedades comerciais. As sociedades comerciais têm os seus interesses.
Ora, segundo a filosofia em vigor, terríveis e tenebrosas suspeitas de tráfico de influências e outros malefícios recaem sobre políticos que tenham contactos “sociais” com empresas. Como as pescadas, antes de o ser já o eram, ou seja, antes de traficar já são culpados de criar as condições que a tal filosofia considera caminho andado para o crime. Tudo isto é, digamos, pouco consentâneo com a Constituição e com a lei. Mas existe, como na história do lobo e do cordeiro.
Adiante. O que me traz é a diferença entre uns e outros. Então, o chamado primeiro-ministro pode, impunemente, repoltrear-se ao lado do Vieira, do Pinto da Costa ou do outro nas tribunas dos estádios, pode comer uma tapas e beber uns púcaros lá no bar dos VIP’s sem que ninguém lhes toque, e uns tipos mais de baixo não podem ir, a convite da Galp, à final do europeu, coisa nacional e não clubística? Será por causa do bilhete de avião, do bilhete para o jogo, do “transfer” de e para o aeroporto? Então o Presidente da República e o chamado primeiro-ministro não foram lá também, e esses à custa do Estado?
Como disse acima, há aqui qualquer coisa que não está certa. Porque, das duas uma, ou há alguns favores ilegítimos prestados à Galp pelos viajantes, e aí poder-se-á desconfiar que o foram para pagar o convite e investigar a tramóia, ou não há nada disso e, então, são tão “culpados” como o PR, o PM e respectivas comitivas, com a agravante, para estes, de se ter pendurado no Estado.
Por conseguinte, ou há mais alguma coisa que leva à actual perseguição desta rapaziada, ou não se percebe como, um ano depois dos factos, há uma “investigação”. Investigação de quê? Os factos (viagem, bilhetes, etc.) estão provados e confessados, mas as responsabilidades só acontecem depois de digeridas pela “justiça”?
Cheira a esturro, a aldrabice, a incompetência ou a mera falta de juízo.
10.7.17

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