Se, com a honestidade que lhes devia ser exigida, o fulano da defesa e a rapariga da polícia se tivessem demitido no exacto momento em que se deu a derrocada dos serviços que tutelam, mereceriam alguma consideração. Pelo contrário, o primeiro, após tergiversações várias, acabou por declarar que, afinal, não era responsável por coisíssima nenhuma. A segunda, lacrimejante, resolveu classificar uma demissão como uma espécie de traição à Pátria, não um como acto final de responsabilidade assumida.
Agora, que se espera o regresso de férias do chefe desta gente (dizem que já voltou, mas ninguém deu por isso), há que lhe dizer: tarde piaste, já não vale a pena demitires seja quem for, os dois sacrificaram a sua dignidade pessoal ao lugarzinho, estão devidamente classificados, o teu empurrão cheiraria a mofo.
Posto isto, e mesmo na diária presença do bombeiro Silva, encarregado do rescaldo com a bênção dos jornalistas de serviço, já não há quem não veja muito mais: um ministro das finanças que montou a mais opaca das operações cosméticas para disfarçar o défice e que prejudicou de forma violenta o chamado estado social, um ministro da saúde que já não sabe para onde se virar no meio do caos onde se meteu ou o meteram, um ministro da educação empenhado em fazer o que o Mário Nogueira exigir ou alvitrar, uma ministra da justiça que não consegue pôr na ordem uns profissionais esquecidos da dignidade da posição social e política que ocupam, um ministro do ambiente que farronca aleivosias contra os espanhóis e acaba por comer Almaraz com batatas…
É preciso mais? Não é. Porque o mal está por cima destes pobres chamados ministros. O mal chama-se Costa. Este é que, se alma tivesse, se devia demitir.
Talvez a excelência de Belém comece a perceber a com que gente tem andado ao colo…
Infundada esperança, Doutor Sousa. É tarde.
9.7.17

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