Há enormes diferenças de importância entre a teoria – sem prática – dos tabefes e os incêndios com 64 mortos na ficha.
Explico: os tabefes, mesmo que só timidamente anunciados na net, chegam para cortar a cabeça a um ministro da geringonça; os 64 mortos na estrada da incompetência do Estado e seus agentes, não fazem cair ninguém.
Donde se conclui que, entre os tabefes e os mortos, sobreleva a importância dos primeiros.
Há mais: a diferença de importância entre um sensato aviso aos pais dos meninos eventualmente candidatos a homossexuais, a fim de evitar que possam ser incomodados no desenvolvimento harmonioso das suas tendências, e um vitorioso assalto ao armamento do EP (Exército Português). No primeiro caso, o alegado dislate de um distante subordinado faz cair o respectivo Chefe do Estado Maior; no segundo, ninguém cai, nem o chefe dos militares responsáveis, nem o ministro – mesmo que, em alarde de franqueza, se declare politicamente responsável.
Convenhamos que estes factos são marcantes dos valores republicanos da geringonça: num caso, o politicamente incorrecto dos tabefes e a justeza das consequências que provocam. Noutro, o politicamente correcto da propaganda gay e a sua vital importância, pelo menos se comparado com umas meras dezenas de defuntos.
Talvez convenha, por uma questão de justiça, dizer que o chamado primeiro ministro tem estado de folga, a banhos. É evidente que, como foi oficialmente declarado, o dito estava “em permanente contacto”. Além disso, como foi também oficialmente garantido, voltaria “se houvesse algum caso grave”.
Ora, como nada de grave aconteceu – nem houve tabefes nem os gays foram incomodados – por que carga de água havia o homem de sair da banhoca?
7.7.17

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