IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


AS HOSTES AGITAM-SE

Andava a geringonça tão satisfeita consigo, tão sossegada pela compreeensão dos media, tão animada com as ditirâmbicas loas do Senhor Presidente da República, tão contentinha com as reversões, a ver-se ao espelho com o fim (antes de tempo!) do Banif e o cuspir das culpas próprias na cara dos outros… e não é que, sem mais nem menos, Passos Coelho lhe ferra na fuça com uma comissão parlamentar de inquérito sobre a história da CGD?

Não querem lá ver a lata desta gente? Quando tudo estava a ser negociado, aprontado, ajustado com a burocracia de Bruxelas, quando até já se tinha preparado o pagode para lá meter, não os 2 mil milhões que se pensava, não os 4 que se dizia, mas, quem sabe, uns 5 mil milhõezinhos? Não se trata da defesa do banco do Estado, de nós todos, do fabuloso banco das pequenas e médias empresas e dos calhordas da caderneta, do banco das inteligentíssimas incursões cirúrgicas na economia real – como no caso do magnífico negócio do Vale do Lobo, entre outros do mesmo gabarito? Não se trata de preservar essa jóia, essa prima fonte de estabilidade financeira, de moderação de um sistema bancário que, como se sabe, é pasto de gente oriunda dessa coisa indecente e imoral a que chamam propriedade privada?

Ainda por cima, esse bando de neoliberais que anda para aí, espertalhão, quer um inquirição sobre os últimos quinze anos, isto é, não põe os seus de fora, não podemos acusá-los de só querer atacar os nossos. Tiraram-nos o pio! Canalhas!

 

Nesta conformidade, as geringôncicas autoridades entraram num muito justificado frenesim.

O camarada Jerónimo arreganhou o dente e disse que, para a Caixa, tudo. O que eles querem é privatizá-la, roubá-la ao povo!

A camarada Catarina, a espumar, vampiresca, grita por uma auditoria forense: isto só vai com crimes, com sangue! Ela sabe bem que, se o sangue for do PS, a Bloca cresce. Aproveita para assim demonstrar o seu acendrado amor pelo chefe Costa.

O camarada Centeno, à hora do futebol por causa das moscas, chama a imprensa para dizer cobras e lagartos da oposição e para não dar respostas sobre coisas sérias, género os seis meses (todos da geringonça) que leva a economia a minguar, o investimento a desaparecer, o desemprego a subir e outras minudências afins.  

Em cima do bolo, vem, do etéreo assento onde o puseram, o camarada Ferro, pôr a mais alta cereja: pede um “parecer” à PGR para avaliar da legalidade da comissão de inquérito. A Lei e os regulamentos da AR não lhe chegam. Ou nunca os leu, ou leu e não percebeu, ou agarra-se ao que pode. O seu elevado QI leva-o a pensar que a convocação da comissão de inquérito levanta suspeitas criminais dignas de apreciação pelos procuradores do Estado.

ET. (24.6.16) Recuo de última hora: a geringonça, assustadíssima, pede uma auditoria independente. Não se sabe se a sério se a brincar: o drácula de serviço, vulgo Galamba, já veio dizer que isso de auditorias independentes não é possível. Lá saberá porquê.

 

Assim vai a trapalhice. A luta continua*.

 

23.6.16

 

*Declaração de interesses

Como saberá quem o lê, o IRRITADO, ao contrário de todos os partidos políticos, é contra a mera existência da CGD como banco do Estado. Acha devia ser rifada e a respectica “catedral” aproveitada para alargar a praça de touros do Campo Pequeno. Bom é que se sublinhe que as suas opiniões estão inquinadas por esta posição de princípio.



10 respostas a “AS HOSTES AGITAM-SE”

  1. Louve-se a declaração de interesses: depois dos retumbantes êxitos da Banca privada, o Irritado revela a sua lucidez e sagacidade, rifando o único banco público. Muito bem. A bem dizer, entre rifá-lo ou mantê-lo sob a “gestão” do Centrão, realmente não se sabe o que é pior.Mudando de assunto. O Irritado já ouviu falar da FULL FACT? É uma organização que se apresenta como «the UK’s independent, non-partisan, factchecking charity». Está em: https://fullfact.orgA Full Fact verifica os factos e afirmações proferidas por políticos e lobbies. Neste momento, por exemplo, verifica as contas da saída vs. permanência do Reino Unido na UE. Os adeptos da saída dizem que a UE custa aos contribuintes ingleses X; os da permanência dizem que custa Y. A Full Fact tira as teimas, apresentando factos reais, concisos e correctos, sem ideologias ou partidarites.Tem de haver uma Full Fact em cada país, a começar por Portugal: uma entidade autónoma e imparcial para corrigir e desmentir a canalha, para apoiar os eleitores, para permitir decisões informadas.E os eleitores, com base em factos e não em pulhitiquice, devem tomar as decisões. Em referendos.Depois, e só depois, os políticos podem executar essas decisões – sempre sob vigilância. Jamais à vontade.

    1. Vou à procura dessa tal full fact.

  2. Até o 25 de Abril, a CGD não era um Banco porque não tinha as mesmas características. Como diz o sr. Irritado, os “calhordas das cadernetas” , gente modesta e classe média constituía a principal fonte da poupança que era o grande suporte da soberania quando eram necessários grandes quantidades de dinheiro para acudir a situações de emergência. Isto que agora existe não passa de um híbrido estéril. É uma pena. Agora toda a dívida pública é externa e anda-se a roubar o Povo para entregar a banqueiros a quem depois o Povo vai impedir emprestado a esses mesmos banqueiros: estrangeiros ou filhos da mãe que pagam impostos lá fora.

    1. Como deve lembrar-se, o que sustentava a CGD era a obrigatoriedade de todos os funcionários terem lá conta, a fim de poder receber o vencimento, o abono de família, etc. Estava bem, estava mal? Deixo à sua consideração.

  3. Avatar de Seguramente Poucochinho
    Seguramente Poucochinho

    Nunca esquecer que a geringonça e o grupo do Martelo ora dizem uma coisa outra o seu contrário.Para mim nada do que o ilustre Irritado diz é a última palabra daquela gente onrada

    1. És o tó?

        1. Foi perguntado ao “Seguramente Poucochinho” se era “o tó”.Respondeu o Irritado (no habitual timbre irritadiço) “Sou o pai dele”!?Pois bem, “TÓ” é uma interjeição onomatopaica usada para chamar porcos (in Dicionário da Porto Editora.

  4. Permita-me discordar. Os "calhordas" preferiam a Caixa por muitas razões que o sr. Irritado, com certeza, ignora. Uma delas era ver, embora muitas vezes não soubesse ler, que o depósito que fazia ficava imediatamente escrito com o saldo alterado e a rúbrica do funcionário que atualizara a caderneta na mesma linha à direita do saldo. Quando os saldos cresciam e havia a possibilidade de se fazerem depósitos a prazo com montantes múltiplos de 1000$00 (um conto) dizia-se que alguns (poucos) havia que levantavam o dinheiro para depois o voltar a depositar. Desempenhava um papel totalmente diferente dos bancos ditos comerciais e tinham uma estrutura financeira totalmente diferença. Um banco que ousasse ter uma disponibilidade de tesouraria como a Caixa Geral de Depósitos colapsaria em pouco tempo. Todo o movimento contabilístico era efectuado tendo como contrapartida a rubrica caixa. Também os seus clientes, melhor os serviços prestados, eram outros nunca em concorrência com os bancos.Quanto à preferência para os depósitos, clientes houve que, chegados do estrangeiro sobretudo do continente americano, para poderem dispor imediatamente do dinheiro iam ao Banco Comercial onde descontavam os cheques ou recebiam as ordens de pagamento. Faziam os seus negócios e utilizavam os bancos. Mas os depósitos a prazo eram feitos na CGD. Mu

  5. Peço desculpa pelo “Mu”. Foi pura distração. Devia ter apagado mas não me apercebi. Já agora so mais uma achega. Na Europa havia instituições semelhantes quer nas funções quer nas dimensões: Caisse d’Epargne de L’Etat (França), Deutche Sparkassen (Alemanha), etc. Nos EUA havia milhares das Saving Banks que eram de carácter local.Considero algo primária essa sua aversão pelo estado. Numa democracia onde se proclama que o poder supremo está no Povo considero deplorável. Como se proclama que o Estado é de direito, ou seja o Estado, ele próprio, age na obediência à Lei temos que analisar e ajuizar antes de manifestarmos os nossos estados de alma mais ou menos liberais ou socialistas.

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