Segundo a unanimidade das opiniões que li por aí, os rasgados encómios, aliás bem merecidos, com que o Doutor Sousa presenteou o Dr. Montenegro não passam de uma “indigitação”. Um empurrãozinho para liderança do PSD.
Assim, disfarçadas de “abertura”, de “justiça”, de “afecto”, as declarações de Sua Excelência não passam de mais um balde de fel jorrado na cabeça de Passos Coelho. Por outras palavras, uma mais que ilegítima interferência na vida de um partido, absolutamente imprópria de um Presidente da República.
É claro que, diz a História, jamais se saberá até que ponto um elogio feito por tal personalidade não corresponde a um presente envenenado. Esta interpretação das presidenciais loas não é, nem ilegítima nem absurda.
Arrisco uma terceira: a intenção é dar cabo dos dois. De um, porque se destina a pôr em marcha, ou a empolar, alguma hipótese de contestação interna no PSD. Do outro, porque tendente a pô-lo à frente da uma eventual manada, destruindo-o, que é o que acontece a quem avança a destempo e sem tropas.
Dois coelhos numa cajadada. Não vindo a coisa de onde veio, poder-se-ia alegar que estou a imaginar conspirações. Vinda de onde veio, não é preciso conspiração nenhuma: basta alguma memória.
20.6.16

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