O PINCHAVELHO
Marcelo lá foi eleito. Do mal o menos. Por cá, o PR é sempre um mal, um cargo universalmente eleito que anda à procura de poder e que, como tem pouco, abusa desse pouco. Exemplos não faltam. O “irrepreensível” Eanes andou para aí a formar governos e, quando perdeu tal poder, aproveitou Belém para criar um partido. O politicão Soares dedicou-se a atacar, desmerecer, perseguir o executivo. O ultra jacobino Sampaio usou o lugar para pôr, via golpe de Estado, os seus (o Sócrates!) no poder, isto quando lhe deu na realíssima gana, sem razão de peso outra que não fosse a oportunidade. Em suma, os Presidentes “de todos os portugueses” estiveram sempre ao serviço de si mesmos ou da sua facção. À excepção de Cavaco que, por institucionalismo a mais, aturou, durante anos e anos, mais do que a força humana deveria permitir, as trafulhices, as màcriações e as deslealdades do Pinto de Sousa – mas não levou a institucional honra até ao fim, isto é, não renunciou ao cargo quando se viu coagido a premiar a desonestidade do Costa.
A Presidência da República, no nosso triste sistema, não passa de um incómodo pinchavelho. Gostava que houvesse um candidato que, jurando cumprir a Constituição que existe, tivesse a coragem, o amor à Pátria, a ombridade, a delicadeza de se propor explicar às pessoas que é preciso mudá-la, ou patrir para outra.
Tal não existe. Para o fundamental não se pode contar com Marcelo.
Eu sei que, entre gente mais ou menos primitiva como é a nossa, a imagem de um “chefe dos chefes” pode ser querida. Então, que se desse poderes políticos, e responsabilidades outras ao Presidente. Como não é carne nem peixe, fica reduzido, ou promovido, à condição de pinchavelho.
O GROSSO
Nos concertos pop/rock é hábito deixar para o fim a banda mais famosa, ou mais importante. Na política, até em países menos civilizados, também é assim. Por óbvias questões hierárquicas, por meras questões de respeito, por evidências várias que não vale a pena explicar.
Apesar de tudo, assim se comportaram, ontem à noite, os candidatos mais importantes como os mais cómicos, os chefes partidários da esquerda e da direita. Todos? Não. O execrável chefe do chamado governo esperou que o novo Presidente se pronunciasse para vir dizer a última palavra.
Mais uma grosseria do pior de todos os grossos. Haverá por aí algum jornalista, algum comentador, algum político que dê por isso? Ou já têm todos a ditadura na alma?
PASSIONÁRIA, QUASIMODO e TIRIRICA LUSITANOS
– Estrabicamente, a menina Mortágua, falha de palavreado, recorreu ao preâmbulo da Constituição. Falhos que são todos os caminhos para ainda mais socialismo, do duro, do real, do já experimentado em tantas e tão desgraçadas partes, a criatura recorreu ao “caminho para uma sociedade socialista” que tal preâmbulo, mercê da incompetência política de gerações, ainda postula. Vade retro!
– O tenebroso Pureza resolveu a equação eleitoral. A primeira coisa que disse, mesmo antes dos resultados, foi que a culpa, supõe-se que de tudo e mais alguma coisa, é de… Cavaco!
– O nosso simpático palerma disse umas graças, fez troça disto, divertiu-se, e sacou uma data de votos. Bem haja.
LÉXICO
Dizem as regras da gramática que, ao referir o colectivo, se usa só um género. Pai e Mãe designam-se por “pais”, no masculino. Avô e Avó por “avós”, no feminino. Uma récua é sempre de porcos, mesmo que lá haja muitas porcas. No caso do gado ovelhum, o rebanho é de ovelhas, apesar dos carneiros, o mesmo se passando com as cabras. E não passa pela cabeça de ninguém chamar a um bando de pássaros bando de pássaras.
São regras, talvez mais consuetudinárias que gramaticais. Mas são regras. Ou eram. Ontem à noite não sei quantas dezenas de vezes ouvi dizer, à boa maneira balsemónica, “portugueses e portuguesas”, “todas e todos”, como se ao dizer portugueses se não estivesse a falar deles e delas, ou, ao dizer todos, se não referisse também a todas. No fundo, é a importação da “cultura” da dona Dilma, da Dona Pilar e de outras estrangeiras que andam para aí a intitular-se “presidentas”. Por outras palavras, é a grosseria a institucionalizar-se, ou a ignorância político-gramatical a impor-se.
UMA BOA NOTÍCIA
Disse o senhor da Nóvoa, perante delirantes aplausos, que “esta experiência chegou ao fim”. A acreditar, literalmente, em tal declaração, é a melhor das notícias do dia. A não ser que alguma “vaga de fundo” venha a exigir ao dito esquerdoido que regresse, para nos dividir ainda mais, cortando todas as “pontes” entre a loucura e o bom senso.
25.1.16

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