IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


Ignorâncias

Umsenhor cujo nome me escapa, anafado, matulão, de barbicha, ar profundo, tem assento frequente numa televisão qualquer. Foi um dos principais apoiantes da candidatura do senhor Soares. É, ou presume-se que seja, figura importante do PS. Disseram-me que até já foi secretário de estado. Pouco ou nada diz de interessante, seja qual for o ponto de vista de quem o ouve. Mas tem um leit motiv de que nunca se esquece: sempre que perora para o povo, com ar seriíssimo, invectiva aquilo a que chama neo-liberalismo, na sua opinião a mais horrorosa das coisas.

Com ou sem neo, o liberalismo é, há cerca de um século, o bode espiatório de todos os ditadores. Salazar odiava-o, considerava-o o pai de todos os problemas, o maior culpado da desorganização do estado e da miséria das gentes. Hitler e Mussolini alinhavam pela mesma cartilha: o estado liberal era o inimigo a destruir, se se quisesse construir o socialismo. É evidente que, no mesmo pelotão, alinhavam Lenine, Estaline, Enver Hoxa, Álvaro Cunhal e tantos outros, Pinochet, por exemplo. Alinham Fidel Castro, Kim Jong Il e Jerónimo de Sousa. Alinham, do alto da sua paranóica ultra-bempensância, os ilustres políticos do BE, com tribuna e tempo de antena em tudo o que é media.

A esta ilustre plêiade de finos democratas junta-se o senhor do PS que perora na televisão. Junta-se o próprio PS, pelo menos nas formulações teóricas com que, por vezes, brinda o pagode.

O liberalismo é, em relação a todos os socialismos (de esquerda e de direita), o inimigo a abater. É o seu contrário, tem por axioma que a unidade é o homem, o indivíduo, não a sociedade, o colectivo. Por isso que não haja poder totalitário, ou autoritário, que o não odeie. O liberalismo parte do princípio de que a evolução da sociedade se faz através do exercício pacífico da liberdade individual, não por meio de saltos qualitativos dados sob a batuta de formulações teóricas mais ou menos revolucionárias.

Se se quiser olhar para os últimos cem anos de história, não se encontrará um só caso, um só, em que à abolição do estado liberal não tenha correspondido a da própria liberdade. Poder-se-á dizer que, exclusivamente na esfera económica, ditaduras tem havido que mantêm uma fachada liberal. Mas não se poderá afirmar a contrária, isto é, que jamais tenha havido um regime que, respeitando a liberdade, tenha negado, pelo menos de facto, o liberalismo.

Se não há liberalismo, não há liberdade. Não faltam factos para o provar.

Por isso que, quando se vê estes novos luminares da luta contra o "neo-liberalismo", apetece lembrar algumas pequenas-grandes verdades, a fim de fazer pensar que o futuro, se construído sobre mentiras, não deve ser grande coisa.

António Borges de Carvalho

 



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