Perante o silêncio da corte de Pirescoxe e a esfusiante alegria de senhoras várias, tais a dona Helena, a menina Moreira e a pescada com todos, de Setúbal, as miúdas de São Bento estão ao ataque. É de presumir que, mais cedo do que tarde, as portarias e os despachos interpretativos tomem forma de Lei. A nova república (das bananas, mas vermelhas) a tomar forma, que é o que o usurpador quer.
Já lá vai o tempo dos exames da 4ª classe, que valiam 100%, dos do 4º ano, que valiam 30%. Por douta decisão parlamentar, passaram a não existir, ou seja, nem 0% valem. Fica tudo ao soberano critério dos professores, gente de tal qualidade que a ninguém será legítimo pôr em causa os seus altíssimos critérios. Temos, até, no governo – na Cultura! – uma jovem secretária de Estado que deve ter sido ensinada segundo o sistema das miúdas e que dá largas, nas redes sociais, ao mais acendrado amor pelo analfabetismo governamental que a anima.
Para evitar quaisquer dúvidas, as miúdas também trataram de acabar com essa manifestação de proto-fascismo que era a avaliação dos professores. É que, por definição, os professores são da mais alta qualidade. Se não, não eram professores, não é? Temos aí, à disposição do povo, o claro exemplo da citada secretária de Estado, que deve ter sido ensinada a ler e a escrever por um desses letradíssimos funcionários.
E há mais. Parece que, amanhã, vai ser votada a nova lei do salário mínimo, introduzindo uma clara expressão da liberdade segundo a nova república: deixa de haver negociação, substituida pela vontade das miúdas.
A corte está cheia de bobos, mas de bobos de pernas para o ar. Em vez de fazer rir, fazem chorar. E, a avaliar pela alegria do usurpador, a procissão ainda nem saíu do adro.
10.12.15

Deixe um comentário