Tempos houve em que, no governo do 44, havia um homem que se distinguia pela positiva: o ministro da saúde, Correia de Campos. Tinha uma imagem de pessoa séria, que não se perdia em politiquices, tentava cumprir a sua missãosem grande alarde e não cultivava o estilo aldrabão, palavroso e propagandista da generalidade dos seus pares.
Os tempos mudaram. O sóbrio ministro da saúde transformou-se radicalmente. É hoje um demagogo de cordel, como compete a quem, por despeito, inveja ou má índole, se apresta a defender o indefensável, nem que, para tal, tenha que perder a face que cultivou. Embarca em tudo o que o chefe disser,e faz disso a salvação da Pátria. Filiou-se na fé do Rato: mais dinheiro para o povo, mais consumo, mais produção, mais emprego. Sustentabilidade da Segurança Social, o que é isso? Vai haver “fontes alternativas”. Mais emprego, mais descontos. Menos impostos, mais dinheiro. Reduzir a TSU dos empregados e deixar a “reposição” para daqui a quatro anos. Como quem, mais uma vez, diz “quem vier atrás que feche a porta”. A política do 44 no seu melhor: alguém, um dia, há de pagar, não é? Pois, mais uma vez, tudo será possível “quando se consolidarem as fontes de financiamento alternativas”. O fundo de estabilização da Seguranla Social vai para a reabilitação urbana, mais uma ideia genial. Reduzir a TSU das empresas provocará um estímulo à economia no valor de 850 milhões por ano. E o IRC, se ficar na mesma, vai render mais 250 milhões. O ressuscitar do imposto sucessório vai render mais 100. O novo imposto sobre os despedimentos, ou seja, a “internalização do custo social dos despedimentos”, mais 160 milhões. Só faltam 250 milhões, a ir buscar ao orçamento do Estado. Assim, por aí fora, mais coisa menos coisa.
Julgaríamos estar perante ideias saídas directamente da cabeça da bruxa da Arruda ou da Associação das Maluquinhas de Arroios. Puro engano. Tudo isto e muito, muito mais, este molho de absurdos, ilusões, incongruências ou puras aldrabices, sai dos miolos do Dr. Correia de Campos, e segue, tim tim por tim tim, as extraordinárias ideias do costismo. O que o desespero pode fazer a um homem!
3.6.15

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