Quando, com as bielas bem oleadas pelo presidente Sampaio, o actual 44 foi eleito com maioria absoluta, subiu à pasta das finanças um senhor, salvo erro Campos da Cunha de seu nome. Semanas passadas, para espanto do rebanho, demitiu-se. As razões do acontecido nunca foram devidamente esmiuçadas. O novo PM estava no auge da fama, pouco interessando esgravatar no assunto.
Facto é que o demissionário percebeu no que estava metido e com quem estava metido. Preferiu dar à sola a ver-se na contingência de ter que obedecer ao saloio malandreco que a Nação, com tanto entusiasmo, tinha posto no poleiro.
Sucedeu-lhe outro senhor, que por lá ficou até à inevitável bancarrota do Estado, isto é, que levou uns seis anos para perceber o que o outro tinha percebido em seis semanas. Coonestou toda a monumental insensatez que foi o consulado do Pinto de Sousa, a criação de colossais compromissos financeiros, os aumentos eleitorais da função pública, etc., para dizer o menos. Dada a competência técnica que lhe é reconhecida, não há dúvida sobre a boa, ou má, consciência que teve da “obra” em que estava metido e nos metia.
O tempo passou. O homem, fiel ao patrão, enrolou-se em problemas, fez PECs e mais PECs, até já não poder mais. Acabou por assumir o inevitável resultado de seis anos de desvario, megalomania e provinciano novo-riquismo. Apertado pelas circunstâncias, cabeça no cepo, apelou à troica. O parceiro e chefe zangou-se, diz-se que até deixaram de se falar. Mas era tarde. Já zangados, apareceram na televisão: o Pinto de Sousa, no paroxismo da aldrabice, a dizer que a troica era uma maravilha, que ninguém ia ser prejudicado, que tudo estava nos conformes e no interesse do povo, que o PEC4 era bom mas a troica era melhor. O Teixeira dos Santos, com cara de enterro, dizia o contrário sem precisar de falar.
Quatro anos são passados. Teixeira dos Santos remeteu-se a uma existência discreta, até que… bom, parece que vai voltar à montra, a fazer não sei o quê. Vai daí, talvez por achar que quatro anos chegam para apagar muitas memórias, o que está certo, e ei-lo a perorar na TV, que tinha toda a razão, que aquilo foi uma chatice, etc..
Não sou contra a reabilitação de cada um. Mas às vezes não consigo resistir à tentação de pensar que, se a lata fosse ouro não tínhamos problema nenhum.
7.4.15

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