Nos jornais de hoje há duas más notícias.
A primeira tem a ver com o regresso dos portugueses ao chamado consumismo. Tudo se vende mais, dos yogurtes aos automóveis (só ligeiros, foram mais trinta mil em 14 do que em 13), ao crédito ao consumo. Está tudo mais barato, mais fácil de financiar, o mau tempo já passou, não é? Uma ova.
A segunda diz respeito à publicação de estatísticas que apontam para o comércio, a restauração e a hotelaria como os ramos da economia onde o mercado de trabalho é mais florescente, onde há mais oferta e mais procura. Como já tem sido dito nestas páginas, o chamado “IVA da restauração” não teve efeito negativo de nenhuma espécie em tão reclamante sector e no CDS, para não falar na filarmónica da esquerda.
Pela Europa fora, e até no Japão, as coisas não serão muito diferentes, o que é demonstrativo do maior problema que temos pela frente. A nossa civilização não investe, come e bebe, não fabrica, consome. Já não temos indústria que se veja, menos ainda que se imponha. Ou produzimos coisas que ninguém mais faça ou temo-las mais baratas noutro lado. É a grande pergunta que o senhor Draghi e tantos outros deviam fazer. Não há injecções de dinheiro barato que sirvam, se aplicadas noutra coisa que não seja a produção de bens transaccionáveis, e os produtos verdadeiramente trasccionávies são cada vez menos, consequência da globalização, da concorrência e do Estado social. Perdemos o comboio do avanço tecnológico e parecemos não ter vontade nenhuma de apanhar outra vez a locomotiva, ou a carruagem da frente.
Remédio? Uma grande volta civilizacional. Escopo de todos, objectivo de alguns, com eco em nenhures.
18.3.15

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