IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UM FUTURO NADA RISONHO

 

Que se poderá dizer do referendo escocês, que não tenha já sido dito por jornalistas, comentadores, políticos, militares, populares e… pelo próprio IRRITADO?

Quase nada, é verdade. A horas de se saber o resultado, uma sensação de angústia me entra no bestunto. Como é possível? Como é possível que Westminster tenha coonestado tal coisa? A resposta seria a do costume: quem propõe, ou permite, um referendo, está convencido de que o vai ganhar. E não o permite se duvidar do resultado. Já pensaram porque jamais a nossa República foi objecto de referendo? Porque jamais foi referendada a Constituição de 76? E porque o foi a de 33?

No caso da Escócia, o tiro saiu pela culatra aos homens de Londres. Queriam acabar com um problema, estavam certos do resultado, era o que diziam estudos e sondagens: o NÃO estava garantido. Não contaram com a violência da demagogia, do populismo, do nacionalismo arrancado os arquivos mortos da História.

E agora? Agora, qualquer resultado será mau, para os britânicos, escoceses incluídos, para os Europeus, para a estabilidade geral. Amanhã, nada será como dantes. Se o SIM ganhar, os pobres escoceses ver-se-ão no mais desgraçado molho de bróculos da sua história, a Grã-Bretanha não saberá como descalçar a bota, a União Europeia, já mergulhada no que se sabe, ficará a braços com questões praticamente insolúveis, a NATO também, e por aí fora. Se ganhar o NÃO, o chorrilho de promessas que Londres se viu na contingência de fazer terá igualmente temíveis resultados, sujeita que fica a velha nação do Norte à emergência dos albertosjoõesjardins e carloscésares lá do sítio ( o que é o demagogo Salmond se não isso mesmo?), armados até aos dentes com a clássica desculpa de que todos os males vêm do “centralismo” de Westminster. O que corre bem será sempre levado à crédito da autonomia federal ou para federal, o que correr mal será escriturado débito da União.

Uma caixa de Pandora se abriu, não se sabendo, como sempre, o que poderá de lá sair. Nunca mais haverá descanso, para os escoceses como para os demais. Tudo porque a melhor e mais antiga democracia do mundo moderno se deixou cair na armadilha da chamada democracia directa.

O IRITADO abomina referendos, como sabe quem o lê. Porque os referendos, antes de mais, são um engano para os eleitores, que, ou não têm elementos objetivos para decidir, e decidem por emoções, ou são levados a tomar decisões sobre assuntos que não dominam, e decidem por convencimentos superficiais.

Como diria La Palice, tudo tem um lado bom, ou menos bom, e um lado mau ou menos mau. Por isso que as decisões políticas devam ser sempre tomadas a prazo, o que não é o caso dos referendos, que obrigam o futuro, mesmo que os eleitores o queiram diferente.

O caso escocês é o pior de todos: trata-se da nacionalidade de cada um, da existência de um país secular, da destruição de uma harmonia que, mau grado diferenças culturais e históricas, fazia o orgulho e a razão ser do mais invejável país do mundo.

 

18.9.14

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “UM FUTURO NADA RISONHO”

  1. O “não” era realmente tido como certo; e a Inglaterra garantiu-o ainda mais através do MEDO. Não com violência, como teria feito no passado, mas com a maior arma deste tempo: a financeira. Ninguém sabe as consequências a médio prazo. O Irritado, como bom conservador, prevê que sejam funestas – pois qualquer mudança é má! Convém deixar tudo na mesma, seja bom ou mau. Já para mim, o importante é que as pessoas decidiram livremente. Quase metade ficou desapontada com o resultado, tal como outra metade ficaria com a vitória do “sim”, mas o que importa é que PUDERAM DECIDIR. E é isto que o Irritado não aceita. Deusnoslivre que a ralé decida alguma coisa da sua vida! Não, a ralé para isso não serve. Só serve para eleger “representantes” demagogos, tachistas e trafulhas, que lhes são vendidos como detergentes. Para isso já não faz mal a demagogia, a sua ignorância, ou os seus «convencimentos superficiais». Depois cabe-lhes suportar os desvarios políticos por 4 ou 5 anos, e pagá-los por 40 ou 50, sempre caladinhos e submissos. Isso sim, é a democracia a funcionar!

    1. Pois.Foram armas financeiras. Acha? Ouviu o discurso do Brown?Pois. O que lhe posso dizer é que, se v. mais 50% dos tugas, via referendo, fizesse de mim espanhol, desatava à bomba. Há coisas que, mesmo para os adeptos do sistema, não se referendam!

      1. Não afirmo que o “não” tenha ganho só por isso, mas é inegável que houve pressão financeira sobre o “sim”. Até o Bank of Scotland(!) avisou que se mudaria para Londres… E a sua hipótese está de pernas para o ar: para ser comparável, Portugal pertencia à Espanha e fazia-se um referendo para passar a ser independente. O Irritado, está visto, preferia continuar espanhol!

        1. Ganhou porque foram feitas promessas políticas muito para além do razoável.Se eu fosse espanhol (melhor dizendo, castelhano) há 9 séculos, se calhar queria continuar. Tem razão. Mas não sou. Além disso os escoceses são escoceses antes de ser britânicos, a existência da Nação escocesa nunca deixou de ser reconhecida. E não há uma suboirdinação à coroa, há uma União com ela.Mais uma vez, tem razão, a minha comparação não foi feliz.,

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