Como toda a gente sabe, a EDP é uma empresa que se dedica a, legalmente, chupar os seus clientes até ao tutano. Ninguém sabe quando haverá alguém, algum Messias, que ponha fim aos preços, às alcavalas com siglas malucas, ao pagamento dos desmandos socratistas que puseram o povo a pagar moinhos de vento e outras tropelias pseudo-ecológicas, caríssimas, estúpidas em si, mas inteligentes para quem as promoveu – UE incluída – etc.
Além disso, à semelhança de tanta porcaria que por cá temos, a EDP e satélites são monstros burocráticos, só comparáveis, ainda que por defeito, à tenebrosíssima EPAL.
Esta história é bem ilustrativa da situação:
Suponha você que tem um contador num sítio onde ninguém vai, ou quase. O consumo mensal, com alcavalas e tudo, anda pelos 10 euros. A EDP faz “estimativas” e vai-lhe cobrando balúrdios. Você, que não está na disposição de trabalhar de borla para a EDP, recusa-se, e com todo o direito, a fazer a contagem por ela, com isso perdendo tempo em macaquices electrónicas. Fica à espera do crédito. Meses passados, vêm umas centenas de euros de crédito – quer dizer que os tipos se dignaram ir fazer a contagem, que só a eles compete. De posse da preciosa nota de crédito, vai à EDP. Uma tipa antipática manda-o tirar a senha, porque o sistema mudou outra vez e já não há “encaminhamento”. Muito bem. É o menos. Passados três quartos de hora, lá aparece o seu número na pancarta. Felicíssimo, dirige-se ao posto nº 17. O tipo, excepcionalmente, não é antipático. Você diz ao que vai: quero o meu dinheirinho. O gajómetro olha para si com ar de gozo e pergunta: é o próprio? Orgulhoso, você responde que sim. Quer então receber o seu dinheiro? Você responde que sim. E porque não quer que lhe seja creditado em conta? Ainda antes se impacientar, você responde: porque o que está do lado de cá já não está do lado de lá. O animal não percebe. Você, recorrendo ao que lhe resta de paciência, explica que, para recuperar quinhentos euros em contas de dez, vai ter que esperar cinquenta meses. Além disso, acrescenta já com uma pontinha de mau humor, o dinheiro é meu, não é da EDP: passe-mo mas é para cá. O burocrata agita-se na cadeira, prenhe do mais profundo gozo. E informa: o senhor vai ao seu banco, pede um “certificado de NIB”, volta cá, tira a senha, espera pela sua vez, entrega o certificado, nós pomos tudo no computador e, uma ou duas semanas depois, transferimos o seu dinheiro. Você começa a suar, e protesta: então vocês não têm aqui um multibanco onde se tire um papelinho com o NIB? Não senhor, informa o canalha, tem que ser um certificado bancário, como o seu nome, assinatura e carimbo.
Você estremece. Apetece-lhe atirar-se aos colarinhos do canalha. Com um esforço sobrehumano, consegue levantar-se e virar-lhe costas. Então boa tarde, diz o gajo, provocador. Você replica: boa tarde o c…… E retira-se dignamente, antes que os bandidos o mandem prender por ofensas ao funcinalismo EDPístico.
Agora, imaginem os milhões que a EDP deve ter a aboborar no banco, à custa dos desgraçados que não se sujeitam à burocracia. É bem visto, não é?´
27.8.14
IRRITADO

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