Como bem sabe quem o lê, tem o IRRITADO dito cobras e lagartos da não aceitação do ferry pelos Açores e da valiosa contribuição de tal atitude para o problema dos estaleiros de Viana do Castelo.
Como é sabido, a coisa deu-se mais ou menos na mesma altura em que os estaleiros estavam a ser salvos pelas “vendas” do camarada Pinto de Sousa ao camarada Chávez, o que fez somar a fome à falta de comer.
Dois governos socialistas (Lisboa e Ponta Delgada) mancomunaram-se para destruir a empresa.
Mas… a capacidade de tripudiar e alterar a verdade das coisas é o principal trunfo de certa gente. O insuportável camarada Santos Silva veio dar um verdadeiro show dos seus talentos. Antes de mais, disse que a coisa se passou num período em que “a situação política nos Açores” “não permitia” que houvesse entendimento entre o governo do país e o dos Açores, já que “havia (por lá) um inquérito parlamentar” em que a líder parlamentar da oposição (PSD) “estava muito activa”. Ou seja, a decisão de dar cabo dos estaleiros de não foi do governo socialista dos Açores, que a tomou, nem do governo do país, que a aceitou: é sibilinamente atribuída à líder minoritária do PSD das ilhas! “É esta a minha opinião”, garantiu o Silva, eventualmente para disfarçar a porcaria.
Como o motivo da coisa foi o navio dar menos um nó de velocidade do que estava previsto (as alterações ao projecto não contam), acha o Silva que “os estaleiros cometeram um erro crasso na questão da velocidade”. Não, não foi o governo dos Açores que achou mais rendoso (?) alugar barcos aos gregos a preços fantásticos, não foi o governo do PS nem o resposável do sector (o Silva, pois então!) quem foi o responsável pela coisa, fomos todos: “nós (nós uma gaita!), o Estado português e a empresa, falhámos”.
Depois, deve ter sido o amigo banana (não o Silva, nem o governo) quem aceitou todas as exigências do governo açoriano, não foi o Silva nem o governo do PS quem teve medo de um processo judicial, apesar dos pareceres em contrário de vários juristas, não foi o governo do PS, ainda menos o Silva, quem mandou devolver os adiantamentos aos Açores, não foi o governo do PS nem o Silva quem meteu nos estaleiros, para “compensar”, uns 37 milhões… foi, com certeza, o amigo banana.
O homem acaba com uma tirada de profunda honestidade, ao considerar-se “responsável político” pelo acontecido. Hossana! Hossana não: se assim se considerasse ter-se-ia demitido. Demitiu-se uma ova.
E continua a ter a lata de atirar baldes de areia aos olhos das pessoas.
2.4.14
António Borges de Carvalho

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