IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UM ESCOL, UM PROBLEMA

 

Várias senhoras e um senhor, pelo menos, fiéis serventuários do contumaz Pinto de Sousa, declararam à Nação estar dispostos a continuar a servi-la nas árduas tarefas a que se dedicaram em muitos anos de sacrifício no Parlamento Europeu. Que bom!

Dona Edite Estrela quer continuar o estrelato, de que há dez anos merecidamente goza, sobretudo, diz ela, para que não páre a sua cruzada a favor do aborto universal e ilimitado, quem sabe se com prémios crescentes, segundo as repetições.

Dona Ana Gomes está na mesma posição: o seu projecto de fundação de uma polícia política europeia, de que seria a indiscutível chefe, veria os dias contados na sua ausência. Além disso, viajaria muito menos.

O inefável Capoulas, coitado, ameaça com a paragem da reforma da Política Agrícola Comum, coisa a que há dez anos se dedica em Bruxelas e Estrasburgo, e que ainda não teve ocasião de mostrar ao mundo, isto é, ainda não deu nada.

Dona Elisa Ferreira, ainda que só com um mandato, coitadinha, também se considera indispensável às bancadas da União, por razões certamente atendíveis.

O IRRITADO comunga da inquietação de tão ilustre gente. Que seria de nós se este escol, a fazer lembrar os violinos do SCP, deixasse de tratar do nosso destino nas distantes plagas onde ele se joga? Sim, que seria de nós sem os abortos da Estrela, sem a polícia da Gomes, sem os insondáveis mistérios da PAC do Capoulas, sem não sei quê da dona Elisa? É difícil imaginar maior desgraça. Mais. Que seria de nós se, via despedimento do escol, o senhor Pinto de Sousa perdesse tão egrégios e bem colocados colaboradores?

 

Calcula-se o dilema, o trilema, o quadrilema em que, pobrezinho, vive o nosso Seguro, o Oco, segundo o IRRITADO, ao tratar de tão ingentes problemas, coisa que, se ceder às suas (deles) justas reivindicações, pode vir a prejudicar outros pretendentes a servidores da Pátria, tais o astuto Assis, o intragável Zurrinho ou a doce e espernéfica Maria de Belém, mesmo sem os respectivos pastéis!

Que se passará na cabeça deste grande líder, a quem a Nação tanto deve não se sabe o quê, mas lá que deve, deve. Aproveitará para se livrar de tantos pretendentes, pensará que é bom mantê-los lá longe, terá tanto medo do Pinto de Sousa que lhes fará a vontade? Compreenda-se que a ansiedade do povo a este respeito não tenha limites.

 

Não. O IRRITADO não está a brincar. Pois não é este o verdadeiro problema de todos nós? Que mais importante questão nos ocupa nestes dias, agora que o Rebelo de Sousa já não é candidato a PR – problema igualmente importante, mas que, até ver, está resolvido?

 

20.1.14

 

António Borges de Carvalho



9 respostas a “UM ESCOL, UM PROBLEMA”

  1. Os euromamadores xuxas serão dos mais repugnantes, mas ninguém ali dispensa a teta. Todo o Paralamento Europeu é o espelho da União Europeia que temos: tretas, fachada, tachos, capachos, e pulhas. Um dos maiores até preside à Comissão Europeia. ———————————————– Mas nem tudo é mau. Trago-lhe uma boa notícia: «METADE DA RIQUEZA MUNDIAL NAS MÃOS DE 1% DA POPULAÇÃO» http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=97311 Tudo a correr bem, hã, Irritado? Só é pena os comunas mandarem no mundo…

    1. PEC de iniciativa popular:Lei de Reforma da Assembleia (proposta de emenda à Constituição) 1. O deputado será assalariado somente durante o mandato. Não haverá ‘reforma pelo tempo de deputado’, mas contará o prazo de mandato exercido para agregar ao seu tempo de serviço junto ao INSS referente ao seu trabalho como cidadão normal.2 A Assembleia (deputados e funcionários) contribui para o INSS. Toda a contribuição (passada, presente e futura) para o fundo actual de reforma da Assembleia passará para o regime do INSS imediatamente. Os senhores deputados participarão dos benefícios dentro do regime do INSS, exactamente como todos outros portugueses. O fundo de reforma não pode ser usado para qualquer outra finalidade.3. Os senhores deputados e assessores devem pagar os seus planos de reforma, assim como todos os outros portugueses.4 Aos deputados fica vedado aumentar os seus próprios salários e gratificações fora dos padrões do crescimento de salários da população em geral, no mesmo período.5. Os deputados e seus agregados perdem os seus actuais seguros de saúde, pagos pelos contribuintes, e passam a participar do mesmo sistema de saúde do povo português.6. A Assembleia deve igualmente cumprir todas as leis que impõe ao povo português, sem qualquer imunidade que não aquela referente à total liberdade de expressão quando na tribuna da Assembleia.7. Exercer um mandato na Assembleia é uma honra, um privilégio e uma responsabilidade, não uma carreira. Os deputados não devem “servir” mais de duas legislaturas consecutivas.8. É vedada a actividade de lobista ou de ‘consultor’ quando o objecto tiver qualquer laço com a causa pública. “

      1. Os meus cumprimentos pela sua proposta. Meia dúzia de comentários:1. De acordo, com uma ressalva: os deputados, desde sempre, descontam para a S.Social ou para a CGA, consoante a situação de cada um. Além disso, sou a favor dos chamados subsídios de reintegração. Se se exigir um full time aos deputados, muitos deles, quando saírem, vêem-se à rasca para apanhar o comboio. A alternativa é não haver full time. 2 e 3. Sempre foi assim. A utilização dos descontos dos deputados, bem como os de todos os portugueses, para outros fins que não os da reforma, existe há pelo menos 43 anos! Para mudar o sistema teríamos que acabar com a taxa única, separar o que é para a reforma, e ressuscitar o sistema de capitalização. Concordo, mas imagine as reacções da esquerda!4. De acordo, mas acho que deviam ser muito menos e mais bem pagos.5. Se qualquer empregado tem um seguro de acidentes de trabalho pago pelo patrão, não vejo porque os deputados não o hão de ter. Seguro de saúde pago pelo orçamento julgo que não há mas, se houver, dou a mão à palmatória.6. A imunidade é regra em todas a constituições democráticas de que tenho notícia.7. Os deputados devem cumprir os mandatos para que forem eleitos. A profissionalização não é um mal em si. Reformar a lei eleitoral é uma coisa, impedir os eleitores de eleger quem quiserem é outra.8. O problema é não haver lei que regule a actividade. Nem sequer há um conceito jurídico de lobby. Não se pode proibir o que nem sequer está tipificado. O reverso desta medalha é que é indeterminável se um deputado (a quem, como é evidente, o lobby devia ser vedado) está a fazê-lo ou, simplesmente, a usar os seus conhecimentos técnico-profissionais para influenciar a feitura das leis ou as decisões do executivo. Assim, em Portugal, só se pode agir contra certos procedimentos se se tratar de tráfico de influências ou corrupção. Quanto à “consultoria” dá-se mais ou menos o mesmo.E pronto. Mais uma vez os meus cumprimentos por, desta vez, não se ter limitado à expressão dos seus (maus) sentimentos.

    2. Não tenho nenhuma inveja do 1%. Preocupar-me-ia saber quantos postos de trabalho dependem desse 1%. O resto é demagogia ou para lá caminha.

      1. A sua “tunnel vision” (ou palas, se preferir em português) é por vezes impressionante. Está em causa o facto de 1% – UM POR CENTO – ter METADE da riqueza mundial. Não me ocorre evidência mais cabal do nosso falhanço enquanto sociedade. Mas para si, isto divide-se apenas entre mérito e inveja. Quem é rico, muito rico, ou obscenamente rico, só pode ter mérito; novamente o mito do grande empreendedor, sem o qual a ralé andaria a comer de caixotes do lixo. É um mito muito (norte-)americano. Como se grande parte da riqueza não estivesse na agiotagem, especulação, exploração, “engenharias” financeiras, e criminosos offshorizados. E quem fala destas coisas só pode ser invejoso, pois então. Tal como quem fala das regalias e da impunidade da classe política, a que respondeu acima. Neste caso continua a fazer de conta que a qualidade dos políticos depende do que ganham; como se isso mudasse magicamente o esgoto partidário. O mais curioso é que nem sempre é assim; às vezes escreve, pelo menos na minha opinião, como uma pessoa razoável. Até sobre estas coisas. Mas volta e meia parece fazer um “reset”, e regressa o Irritado da cassete. Uma espécie de comuna ao contrário, com palas igualmente inamovíveis.

        1. O que eu digo é que o “ter” não me impressiona. A forma como esse “ter” foi obtido ou é usado pode impressionar-me. Por isso, o que está errado é o facto (aí tem razão) de a sociedade em geral falhar nos meios para identificar o que é legítimo e o que não é. Quando se sublinha os males do “ter”, em vez da ausência de meios para que tal ter seja – como se diz hoje em dia mas não se pratica – transparente. 2. Quanto à sua referência à minha resposta ao XXI, não tem nenhuma razão. A ideia, que me parece evidente para quem ler com olhos de ler, é pôr a realidade em contraste com algumas das suposições do XXI. Os deputados não são tão bons como deveriam, mas também não o são certas generalizações, por primitivas e inoperantes.

          1. Antes de chegar aí – como, porquê, etc. – a própria distribuição é chocante em si mesma. Quando 1% tem metade, algo tem de estar muito mal. E v. não é capaz de o ver, ou pelo menos de o admitir. Mesmo que esse 1% fosse inteiramente constituído pelos magnatas honestos e produtivos que povoam os sonhos / alucinações dos “liberais” fascinados pelo “mercado”, continuaria a estar mal. A falta de equidade e de proporcionalidade é tão gritante, que torna impossível manter qualquer ilusão de justiça. A sua resposta ao XXI é igualmente fácil de desmontar. Recorre a exemplos externos para o que lhe convém (salários, imunidade, etc.), e ignora os que não lhe convêm (gastos, rigor, transparência, etc). Circula por aí há anos um vídeo sobre os parlamentares suecos. Já o viu, e comparou com os nossos paralamentares? Como pode falar de «generalizações» perante uma realidade que comprovamos todos os dias, em todos os partidos, e em todos os casos individuais? Chega ao ponto de defender o “subsídio de reintegração”, como se fossem para a política por sacrifício pessoal… e como se o futuro pós-política fosse sombrio! Isto roça o gozo com a nossa cara. Não quer exemplos, pois não?

          2. Teria exemplos contrários para lhe apresentar. Mas acho que não vale a pena.

          3. Teria exemplos contrários para lhe apresentar. Mas acho que não vale a pena.

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