IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SEGURANÇA RODOVIÁRIA

 

Vivemos num mundo de faz de conta. Faz de conta que vem aí a gripe das aves, faz de conta que vêm aí as vacas loucas, faz de conta que é preciso comprar Tamiflu, faz de conta que a Terra está a aquecer, faz de conta que a culpa é nossa, “cientistas” das mais diversas áreas debruçam-se sobre problemas que não existem mas dão fama e dinheirinho, governos legislam, regulamentam, proibem, sancionam, perdem tempo… e tudo minha gente acha muito bem, amocha, que remédio – politicamente correcto oblige –, as mais diversas patacoadas, mentiras e oportunismos entram nos costumes como se fossem a última das verdades.

 

Por cá, por exemplo, inventou-se a absoluta necessidade de pôr o indígena a andar de bicicleta. E, para gáudio das mais puras almas, arranja-se maneira de fabricar mais umas multas, umas coimas e outras caras fantasias para “proteger” o ciclista.

Põe-se os ciclistas a andar lado a lado na estrada, e os carros a ter que guardar a prudente distância de metro e meio se quiserem ultrapassá-los. Faça-se uma pequena conta: o ciclista do lado de fora, prudentemente, anda a 50 centímetros da berma, o que, acrescentada a largura da máquina, dará mais ou menos um metro. Some-se a distância ao ciclista companheiro, mais 50 centímetros, e mais a largura deste, 50 centímetros, um metro e meio de distância para a ultrapassagem, e vamos em três metros e meio. Se somarmos a relativa instabilidade dos veículos a pedais, quatro metros não é estimativa irrealista. O resultado é que, em grande parte das estradas do país, para ultrapassar os dois ciclistas será preciso usar a valeta do lado esquerdo, o que não é lá muito prático. Em alternativa, poder-se-á viajar a 20 quilómetros à hora, ou a 5 nas subidas, durante o tempo que for preciso, ou até que o ciclista da esquerda tenha a amabilidade de se pôr atrás do parceiro, delicadeza pouco comum na classe. Há outra alternativa que me parece a mais provável: atropelar o ciclista da esquerda e dar às de vila diogo, o que não é curial mas apetecerá a muita gente.

Imagine-se agora os nossos dois ciclistas a subir, corajosamente, a Avenida da Liberdade. Como a faixa da direita é bus, terão que viajar, lado a lado, pois então, numa faixa mais interior, o que, como é evidente, muito deve contribuir para a sua própria segurança e para o descanso espiritual dos automobilistas, que têm mais que fazer que andar a pedais. Os eco-viajantes entram na Rotunda, a fim de se dirigir à Joaquim António de Aguiar. Segundo as regras ora em vigor, não poderão ir pela direita, terão que ir preparando a saída, para o que viajarão entre faixas, da esquerda para a direita. O que quer dizer que terão que atravessar o trânsito, entre automóveis, autocarros, etc.. Mais um contributo que os intelectuais da especialidade dão à segurança rodoviária em geral e à dos ciclistas em particular.

 

Daqui a uns tempos, as estatísticas dirão que morreram na estrada e na rua mais ciclistas que habitualmente, que há mais tipos presos por homicídio por negligência, que a receita em multas aumentou trezentos por cento, que o aumento do consumo de calmantes e de anti depressivos foi exponencial entre os condutores e que os casos de stress e de paranóia nervosa dos ditos conheceu o maior boom dos últimos cinquenta anos.

 

É evidente que o IRRITADO não é competente para imaginar soluções para problemas que, numa óptica de senso comum, as novas regras só podem agravar. Na rotunda da Étoile, em Paris, talvez a mais caótica da Europa, o senso comum descobriu a solução para os “toques” que todos os dias lá se dão: a responsabilidade é sempre fifty/fifty. Aqui está um exemplo de solução inspirada pelo senso comum. Ninguém se queixa, ninguém é chateado, as companhias de seguros dividem o estrago ao meio e acabou-se.

 

Entre nós legisla-se pelo simples gozo de legislar. O objectivo é “espiritual”, isto é, manda o politicamente correcto que as bicicletas são o futuro, por isso há que “protegê-las” nem que para tal se arranje maneira de prejudicar toda a gente, ciclistas incluídos. Mas legislou-se! Missão cumprida.

Dir-se-ia que vivemos em cidades do tipo daquelas em que a bicicleta é um meio lógico e prático de locomoção. Lisboa parecida com a Haia ou com Amsterdão, por exemplo. Esquece-se um pequeno pormenor: estas cidades não têm sete colinas, têm colina nenhuma. E, mesmo assim, têm vias para ciclistas!

 

Por cá, em vez de se tomar medidas para separar dois tipos de trânsito obviamente incompatíveis, legisla-se para os misturar. Santa estupidez!

 

4.1.14

 

António Borges de Carvalho  



2 respostas a “SEGURANÇA RODOVIÁRIA”

  1. Avatar de XXI (militante PSD)
    XXI (militante PSD)

    Santa estupidez! Tem sido hábito deste grupo de estúpidos que nos tem governado misturas coisas obviamente incompatíveis.

  2. “Vivemos num mundo de faz de conta. Faz de conta que…” que este governo é formado por homens sérios, honestos, democráticos e amantes da verdade.Ainda, “”…Faz de conta que…” o Residente da Republica existe…

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