IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UM HOMEM

 

O comunismo do PREC, como todos os comunismos, teve horríveis consequências. Mais do que expropriar empresas sem indemnização, expropriou pessoas. Como o regime anterior, para melhor controlar as coisas, preferia concentrar a iniciativa em vez de fomentar a economia, bastou aos díscolos do MFA nacionalizar pessoas, não empresas, para ficar com tudo na mão.

Só que as pessoas “nacionalizadas” eram as que mais tinham contribuído para o magro desenvolvimento conseguido pelo regime. Se não fôssemos “condicionados” é de crer que, sem que tais pessoas tivessem deixado de conseguir o que conseguiram, outras houvesse em caminhos similares.

Tais pessoas foram presas, insultadas de tudo e mais alguma coisa, ameaçadas de morte e, revelando a “generosidade” do novo regime, acabaram por conseguir viajar para novas paragens. Nelas vieram a “reconstruir-se”, dado que o talento pouco tem a ver com o dinheiro que se tem, no caso com o que se deixou de ter.

Uma delas deixou ontem esta vida. O seu “império” tinha dado emprego a dezenas de milhar de portugueses, tinha transformado vilórias miseráveis em cidades felizes, tinha sido uma escola de engenheiros, de gestores, de profissionais da mais variada ordem e origem. O comunismo do PREC destruiu tudo, as empresas, a obra social, o know how, tudo.

O Homem acabou por voltar à sua terra. Com o pouco que terá conseguido recuperar e com muito talento conseguiu criar coisas novas, úteis e triunfadoras.

Morreu. Na hora da morte de Jorge de Mello haverá que recordar tudo isto, e tirar o chapéu à sua memória, mas também à sua coragem e à sua inteligência, estas, felizmente, com continuadores à altura. Jorge de Mello era um Senhor, um homem simpático, bem humorado, ainda que duro sempre que preciso. Mostrou ser capaz, mesmo sem a protecção condicionadora da II República e com a antipatia visceral da III, de recriar riqueza.

Presisamos de Homens deste calibre, na indústria, no comércio, na vida social, em tudo… até na política, onde, simplesmente, não os há.

 O IRRITADO lamenta o seu desaparecimento e espera que o seu exemplo, a bem de todos, frutifique.

 

11.11.13

 

António Borges de Carvalho



9 respostas a “UM HOMEM”

  1. O IRRITADO põe o dedo na ferida qd fala em coragem da que a progressiva escassez deste produto é uma das principais características dos tempos actuais como refere Claudio Magris em livro recentemente editado:“Uma salutar reacção à tola retórica do heroísmo e da vileza fascista induziu, por sua vez, a nossa cultura a desvalorizar, de modo petulante, a coragem, a clássica força de ânimo, a virtude cristã da fortaleza, sem as quais, entretanto, não pode haver liberdade nem na vida pública, nem na privada. Como consequência disso, senti-mo-nos como que paralisados, travados pelas angústias, pelos constrangimentos, pelas prepotências dos outros e pelas nossas próprias fobias, pelas tiranias descaradas ou mascaradas da dominação política e social, pela angústia escondida no coração, que inibe a pessoa. Foram os mestres da literatura moderna, como, por exemplo, Conrad ou Faulkner, tão alheios a qualquer tipo de pose musculosa e especialistas na ambiguidade da existência e nos revoltos meandros da psique, que demonstraram a necessidade da coragem para percorrer os labirintos em que o Minotauro está sempre à espreita. A coragem se assemelha ao amor; confere tal liberdade, desprendimento e uma capacidade de se regozijar com a vida, que se parece com o abandono dos amantes – bem ilustrado numa passagem memorável de Isaac Singer – que passam a não temer mais nada, de modo análogo, ao que se refere à intimidade de seus próprios corpos (…)”

    1. Obrigado pela sua preciosa achega.

      1. Avatar de XXI (Militante PSD)
        XXI (Militante PSD)

        O que é “UM HOMEM”? Será Pedro Passos Coelho “UM HOMEM”?Esta é, na verdade, a questão.Na análise existencial do filósofo Heidegger, constata-se que tal questão não encontra um conceito ou definição, visto que para o filósofo o homem faz-se de acordo com as possibilidades que tem numa relação consigo e com a verdade.Isto é, para esse filósofo, “UM HOMEM” faz-se “pela sua relação com o ser e a verdade”, sendo que a relação do homem com o ser e a verdade não é algo estável e permanente ao longo do tempo e da história, pois “o ser e a verdade não têm uma natureza fixa, prontamente acessível para nós”. Escreve, nesse sentido, que “nem a animalidade nem a racionalidade, nem o corpo nem a alma, nem o espírito, nem os três juntos, são suficientes para compreender a essência fundamental do homem”.EST REBUS IN MODUSPedro Passos Coelho deve ser entendido como «AQUELE QUE ESTÁ JUNTO AO MUNDO, MAS AINDA NÃO NO MUNDO».

        1. Peço desculpa, mas a asserção está de pernas para o ar:Est modus in rebus.

          1. Face à realidade, tive de inverter os pedros (rebus). Daí, estar de pernas para o ar.

  2. Bem, pelo menos o blog evolui em referências culturais: Conrad, Faulkner, Heidegger… Já quanto ao tema do post, o facto é que o falecido Sr. Mello pertencia à elite pré e pós 25/4, que muito se encheu à conta de ambos os regimes. Que o Irritado cante loas ao empreendedorismo do Sr. Belmiro, ou até do Sr. Mota (o pai, não o filho), ainda vá: apesar de certa podridão mais ou menos conhecida, no ínicio ou no meio, criaram realmente impérios de raíz. Mas o Sr. Mello? Nasceu rico, apesar das agruras do PREC continuou rico, e morreu ainda mais rico. Esse “recomeço” épico que o Irritado lhe atribui, teve pelo menos tanto de berço dourado quanto de mérito próprio. Foi empreendedor? Foi, mas também MAMOU à grande neste regime podre, da Alta Finança à extinção da indústria naval – cuja negociata ruinosa é fácil de encontrar – e ultimamente na Saúde, cujos lucros chorudos são extraídos de um país miserável. Quanto ao seu carácter, soube encostar-se a quem interessava: ao PS, sobretudo ao Mário Chulares, e mais tarde até integrou a “Comissão de Honra” da Múmia Cavaca. Esclarecedor. Enfim, tal como a Esquerda tem os seus santinhos, a Direita também tem os dela: os Mellos, Amorins, e Espírito Santos da vida. Espertalhões bem nascidos, em terras de gente burra e mal nascida.

    1. “…soube encostar-se …”, diz o Filipe.Todos os grandes Homens, antes de o serem, “encostaram-se” a ALGO. Daí serem grandes conforme o “encosto” (se este não for o certo, não serão grandes)!Heidegger inscreveu-se no partido Nazi em no ano da chegada ao poder de Hitler), onde emprestou credibilidade a esse “partido” Nazi. Com esse “encosto”, conseguiu ser nomeado reitor da Universidade de Friburgo com o discurso A Auto-afirmação da Universidade Alemã. É certo que de seguida se demitiu desse cargo de reitor.No entanto, graças a essa demissão, não ficou na história como o mentor da ascensão de Hitler, antes o contrário.Ora, o Irritado nunca conseguirá “desligar-se” do passismo, porquanto construiu castelos nas nuvens e, pasme-se, teima em lá viver.

      1. Sim, foi uma ideia infeliz do Sr. Heidegger. Por acaso, há um filme recente sobre Hannah Arendt ainda nos cinemas – que recomendo apenas pela bela Barbara Sukowa, pois o filme em si é algo pastelão – que evoca o episódio. Arendt, como sabe, foi discípula (e não só…) de Heidegger. Ocorre-me também uma passagem d’A Imortalidade, de Kundera, em que este descreve os “imagólogos” – os publicitários e propagandistas que definem às massas que está “in” e “out” – mais ou menos nestes termos: se for amanhã decretado que Martin Heidegger é um burlão e um patife, pouco importa o que este escreveu; pouco importa o que era ou o que pensava; será definitivamente um burlão e um patife, pois é assim que o mundo funciona. Mas se a relação do Sr. Mello com Heidegger já é rebuscada, qual a relação de ambos com o Fantoche Passista? Não lhe parece algo metido a martelo?

        1. Não percebe a “relação”?Então quando a “discussão” começa a ganhar algum interesse, o IRRITADO logo desvia a “conversa para outro lado” postando mais 2 ou 3 artigos de opinião. É a “utilidade do idiota”…

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