O comunismo do PREC, como todos os comunismos, teve horríveis consequências. Mais do que expropriar empresas sem indemnização, expropriou pessoas. Como o regime anterior, para melhor controlar as coisas, preferia concentrar a iniciativa em vez de fomentar a economia, bastou aos díscolos do MFA nacionalizar pessoas, não empresas, para ficar com tudo na mão.
Só que as pessoas “nacionalizadas” eram as que mais tinham contribuído para o magro desenvolvimento conseguido pelo regime. Se não fôssemos “condicionados” é de crer que, sem que tais pessoas tivessem deixado de conseguir o que conseguiram, outras houvesse em caminhos similares.
Tais pessoas foram presas, insultadas de tudo e mais alguma coisa, ameaçadas de morte e, revelando a “generosidade” do novo regime, acabaram por conseguir viajar para novas paragens. Nelas vieram a “reconstruir-se”, dado que o talento pouco tem a ver com o dinheiro que se tem, no caso com o que se deixou de ter.
Uma delas deixou ontem esta vida. O seu “império” tinha dado emprego a dezenas de milhar de portugueses, tinha transformado vilórias miseráveis em cidades felizes, tinha sido uma escola de engenheiros, de gestores, de profissionais da mais variada ordem e origem. O comunismo do PREC destruiu tudo, as empresas, a obra social, o know how, tudo.
O Homem acabou por voltar à sua terra. Com o pouco que terá conseguido recuperar e com muito talento conseguiu criar coisas novas, úteis e triunfadoras.
Morreu. Na hora da morte de Jorge de Mello haverá que recordar tudo isto, e tirar o chapéu à sua memória, mas também à sua coragem e à sua inteligência, estas, felizmente, com continuadores à altura. Jorge de Mello era um Senhor, um homem simpático, bem humorado, ainda que duro sempre que preciso. Mostrou ser capaz, mesmo sem a protecção condicionadora da II República e com a antipatia visceral da III, de recriar riqueza.
Presisamos de Homens deste calibre, na indústria, no comércio, na vida social, em tudo… até na política, onde, simplesmente, não os há.
O IRRITADO lamenta o seu desaparecimento e espera que o seu exemplo, a bem de todos, frutifique.
11.11.13
António Borges de Carvalho

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