Anda por aí uma polémica dos diabos por causa de uns tenebrosos senhorios que se acham no direito de receber rendas dos inquilinos e que, quando não as recebem, se dedicam a condenáveis actos de desespero, tentando fazer justiça pelas suas próprias mãos. Vão presos, está claro, como não pode deixar de ser.
Para além da chamada justiça punitiva, estas coisas deviam fazer o governo pensar um bocadinho sobre o novo e famoso RAU. É que, possuído de fervor democrata cristão, o tal RAU envolve os despejos em tantas e tais teias, que ficou tudo mais ou menos na mesma. E era tão fácil remediar o problema! O inquilino que não provasse ter pago renda duas ou três vezes era despejado, e pronto. Sem “balcões”, sem tribunais, sem tipos a fazer “justiça” privada, nada. Rua, e pronto. Tarefa para a polícia municipal, sem mais requerimentos, acções, advogados, tribunais, etc..
Se o Estado resolvesse ter preocupações sociais, então que criasse um fundo qualquer para proteger os despejados que, de facto, não pudessem aceder a meios de pagamento. Em tempos, um governo fez isso, e o tal fundo foi utilizado em… 5%!
Os esquemas laboriosamente inventados pela senhora ministra só servem para gastar dinheiro, para pôr terceiros a exercer funções e a e a sustentar a “obra social” que ao Estado devia caber e, é claro, para glória da nacional-burocracia.
O sono da razão engendra monstros, não é?
7.10.13
António Borges de Carvalho

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