Ninguém poderá dizer que o IRRITADO alguma vez simpatizou com o Costa, ou com a sua “coligação” com a dona Helena e com o tenebroso Fernandes, assim como com o Soares (João) a sua coligação social/comunista.
No entanto, o seu a seu dono. No tempo do Soares, o IRRITADO apoiou a ideia do elevador do Martim Moniz para o Castelo e, hoje, tira o chapéu à corajosa posição que tem tomado em relação ao diferendo entre os irmãos Fernandes, pidescos e antipáticos (com o precioso apoio do Costa e apaniguados) de um lado, e a Bragaparques do outro.
Da mesma forma, o IRRITADO não tem qualquer rebuço em apoiar a ideia de um grande projecto para a colina de Santana.
Uma série de equipanentos públicos a sofrer de obsolescência seriam objecto de intervenção, viabilizada esta por imobiliário de qualidade. O IRRITADO não conhece o projecto. Apoia a ideia. O projecto seria coisa a discutir, alargando-o, encolhendo-o, melhorando-o, o que fosse.
No entanto, ao ler uma moção de rejeição pura e simples aprovada na Assembleia Municipal, sente uma revolta dos diabos, pela rejeição em si, com certeza, mas sobretudo pela argumentação que uniu toda a oposição contra o projecto. O recurso primário à defesa à outrance do “património”, ao recurso à “necessidade” de “equipamentos culturais”, à propriedade pública de tudo e mais alguma coisa, não é mais que o brandir de argumentos bacocos e demagógicos. Na opinião maioritária da assembleia que é suposto representar os alfacinhas, a colina de Santana deve ser, a bem do património e da propriedade pública, um cancro para a cidade e uma insustentável e vergonhosa selva urbana.
A verdade é que, num projecto bem pensado, caberia tudo. A verdade é que toda a gente acha que Lisboa se devia repovoar. A verdade é que se poderia oferecer aos cidadaõs a possibilidade de viver com qualidade no coração de Lisboa, isto sem prejuízo dos equipamentos culturais e vivenciais que uma intervenção de grande envergadura não poderia deixar de ter.
Não é estranho que a esquerda radical – folclórica, caviar ou estalinista – seja contra todo e qualquer projecto que implique o recurso à odiada iniciativa privada, que ponha terrenos camarários, ou públicos, nas mãos da especulação (para esta gente tudo é especulação), que possa vir a proporcionar ganhos seja a quem for. Preferível é ter uma montanha de elefantes brancos, sorvedores de dinheiro dos impostos, desde que se mantenha a sacrossanta “propriedade de todos”(?!) e se não permita a inicitiva particular, coisa entre todas execrável e execranda.
Mas é muito estranho que os outros tenham alinhado nesta primaríssima demagogia. Chumba-se, e pronto! Nada de discussões, de estudos, de consideração pela cidade. Estranhíssimo.
É evidente que uma intervenção da dimensão da projectada iria conhecer muitos escolhos e iria ser vítima de inúmeros abusos, fosse qual fosse a sua natureza. Mas a recusa pura e simples, ainda por cima prenhe de argumentos idiotas, é coisa que não cabe na cabeça de ninguém.
4.10.13
António Borges de Carvalho

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