IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O TRABALHO É BOM PÓ PRETO!


Aqui, onde mora o IRRITADO, há 10 apartamentos, todos ocupados por gente da classe média.

Em todos os apartamentos trabalha pessoal de serviço doméstico, a saber: quatro brasileiras, uma angolana, duas santomenses, uma de algures na Ásia central, uma de nacionalidade desconhecida e… uma portuguesa. O homem da limpeza da escada também é português, mas velhote.

Toda esta “força de trabalho” é remunerada muito acima do salário mínimo. Todos os patrões pagam a segurança social sem nada exigir aos assalariados.

Dos grandes agricultores que o IRRITADO conhece, que são poucos mas talvez representativos, não há um só que não tenha ao serviço mais romenos, moldavos, etc., que portugueses. Todos dizem – não se sabe se é verdade – que pagam pelo menos o salário mínimo e a SS e, em muitos casos, alimentação e casa, acrescendo, às vezes, prémios de produção.

Que quer isto dizer? Com tantos sociólogos que por aí andam, não há um que ensaie uma explicação, talvez porque a explicação fosse “inconstitucional”: trata-se de um problema de “direitos” sociais, não é?

Vistas as coisas por um leigo nestas complicadas matérias, a explicação é que os portugueses andam armados em europeus ricos, isto é, deixaram de aceitar trabalhos menos “dignos” – como se houvesse trabalho sério sem dignidade! – e acham que esses trabalhos são “bons para o preto”, como diziam os preguiçosos do antigamente.

Uma portuguesinha de jeans e “faixa de gaja” acha óptimo trabalhar numa loja qualquer por trezentos euros por mês, mas detestaria aspirar a casinha do patrão. Que diabo, trabalhar faz calos! Um licenciado numa porcaria qualquer jamais se sentaria ao volante de um tractor, apanharia nabiças ou se ocuparia de coisas “menores”, óptimas para romenos e ucranianos.


Sei que estas considerações são dignas de causar inúmeros pruridos de indignação. Sei que o desemprego é um flagelo social e um encargo incomportável para uma economia periclitante. Sei que é muito feio e muito incorrecto observar os fenómenos supra, pejando-os de “malévolas” insinuações.

Mas que há, na nossa sociedade, traumas e ilusões sociais tão más como os problemas reais, disso não pode haver dúvida.

 

21.5.13

 

António Borges de Carvalho



12 respostas a “O TRABALHO É BOM PÓ PRETO!”

  1. Qual a nacionalidade da sua empregada? Qual o ordenado?

  2. Avatar de AP-Amigo de Peniche
    AP-Amigo de Peniche

    Em 1974/75 conseguimos integrar 500 mil retornados beneficiando do seu empreendorismo e iniciativa. Não será possível revisItarmos esse tempos … o IARN e o IFADAP … e com essa experiência integrarmos 500 mil desempregados…Há quarenta anos os meios eram possivelmente mais reduzidos e as necessidades muito mais exigentes… 500 mil pessoas, famílias desintegradas social e economicamente… hoje temos desempregados: profissionais qualificados , gestores experientes, jovens qualificados com cursos superiores das nossas escolas, instalações industriais desaproveitadas… Não será muito mais fácil que há quarenta anos … não é necessário criar novas estruturas temos o IEFP e os diferentes programas de apoio á economia… basta dinamizar

    1. O “Amigo de Peniche”, no seu comentário, refere que “…conseguimos integrar 500 mil retornados…”, e. de seguida, questiona “Não será possível revisItarmos esse tempos … o IARN e o IFADAP … e com essa experiência…”?Se bem entendo a sua “libidinosa” questão, quer “reenviar o retornado (PPC-aprendiz de feiticeiro, nas palavras de Lobo Xavier) para o sitio de onde os seus pais o trouxeram)”!Tem o meu apoio.Já agora, que “leve” o IRRITADO

      1. Se fosse mais novo, não tenha dúvidas: não precisava que me levassem. Ia fazer pela vida onde pudesse fazer pela vida. Virava-me!Quanto a PPC e à forma rasca como se refere ao facto de ter vindo de Angola, só lhe fica mal.

        1. Qual a nacionalidade da sua empregada? Qual o ordenado?Não respondeu.Quanto ao “ficar mal”, certamente se refere às malfeitorias praticadas pelo “aprendiz de feiticeiro”.

  3. Avatar de AP-Amigo de Peniche
    AP-Amigo de Peniche

    Que se lixe a troikaMovimento antidemocrático integrado por pequeno burgueses convencidos de uma pseudo superioridade intelectual e moral, que sob o pretexto de defender os interesses dos mais desprotegidos procura esconder as suas frustrações e incapacidade de sair da zona de conforto, para lutar por um mundo diferente, sem grupos protegidos, e em que se sente desprotegido por que não consegue o abrigo do Estado em empregos e subsídios que considera como direitos adquiridos.

      1. “I think we have gone through a period when too many children and people have been given to understand “I have a problem, it is the Government’s job to cope with it!” or “I have a problem, I will go and get a grant to cope with it!” “I am homeless, the Government must house me!” and so they are casting their problems on society and who is society? There is no such thing! There are individual men and women and there are families and no government can do anything except through people and people look to themselves first. It is our duty to look after ourselves and then also to help look after our neighbour and life is a reciprocal business and people have got the entitlements too much in mind without the obligations.”MARGARET THATCHER

  4. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Todos os seus vizinhos têm empregadas, pagam-lhes «muito acima» do salário mínimo, mais segurança social… e são todos da «classe média»? Em Portugal? Tá certo… Quanto ao essencial do post, tem razão, mas não será assim em todos os países? Os imigrantes tendem a aceitar trabalhos “menores”, geralmente mais duros e pior remunerados (excepto no prédio do Irritado). Quando as coisas apertam, como agora, a imigração diminui devido à escassez da oferta, e os indígenas mais à rasca tendem a aceitar trabalhos que recusariam se pudessem. Isto é a regra; mas há de facto quem se julgue acima destes trabalhos. E porquê? Lembro-me de três motivos: 1) As nossas peneiras: herança de um país pobre e saloio, que um belo dia se achou rico, abdicou de produzir e desatou a torrar esmolas europeias. A conta chegou agora. 2) A profusão de canudos, quase todos inúteis, somada à saloiice (ver ponto acima) do “Sr. Doutor” e do “Sr. Engenheiro”, aliás acarinhada pelo Irritado. 3) O EXEMPLO que recebemos de cima: se a esmagadora maioria das nossas “élites” nunca produziu um corno na vida, e vive na maior, por que não havemos de aspirar ao mesmo? ———————— Aliás, haverá melhor exemplo disto do que a nossa classe política?

  5. Está difícil responder. Assim, a titulo de colaboração informo, a empregada do IRRITADO “…é remunerada muito acima do salário mínimo..-.” (deve ser ressalvado: MUITO).Por seu turno, constata-se que O IRRITADO (qual “detetive”) conseguiu o “pleno” da informação (quatro brasileiras, uma angolana, duas santomenses, uma de algures na Ásia central, uma de nacionalidade desconhecida e… uma portuguesa), pelo que deduzo ser Portuguesa a nacionalidade da “empregada” do IRRITADO e que é remunerada muito acima do salário mínimo!!!Tudo isto para dizer: “de artistas estou farto”.

    1. Não houve um “artista” (leia-se: professor) contratado pela Universidade onde o Vara (e o Pinto … mais um) “fez” o curso que “convidou” uma “brasileira” para o “assessorar” (a troco de um “ordenado” de 1.500€)?P.S. esse “professor” foi convidado pelo Vara para diretor geral de “…qualquer coisa…”!entre o pinto e o retornado venha o “diabo” e escolha!!!

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