IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ALHADAS

 

Fosse qual fosse a receita adoptada pelo governo, o coro de protestos e de críticas seria o mesmo. Por isso, de nada valem as moções de censura, as manifestações, as greves.

Tanto faz ir lá de uma forma como de outra. É o que não pode deixar de ser, sob pena de, em vez dos aumentos de impostos, haver um corte total de salários e outras coisas.

Diziam os latinos que “equitas est suma et constans voluntas jus suum quique tribuendi”. A equidade é dar a cada um segundo o seu direito.

Muito bem. Segundo uma interpretação já pouco seguida, o direito de cada um é aquilo a que cada um faz jus. Portanto, a equidade seria que cada um pagasse segundo o que tem, em igualdade de circunstâncias com os demais. O que levaria a que todos pagassem a mesma parte do que têm ou recebem, consoante o que recebam. Assim, quem tivesse cem pagaria cinco, quem tivesse mil pagaria cinquenta. Uma “equitas” latina, se quiserem.

A evolução dos tempos arranjou nova moral tributária que, entre nós, deu na versão anteontem anunciada: quem tiver cem não paga nada, quem tiver mil paga quinhentos e quarenta. A isto chamam os tempos “justiça fiscal”, equidade moderna, ou “social-democrata”, ou ainda distribuição “equitativa” dos sacrifícios. Coma-se disto, porque é o que há. As mentalidades não estão para latinadas.

Entre os cem e os mil, fica a classe média/média ou média/alta. Têm um terrível destino traçado, que o governo anunciou, uns dirão com coragem, outros com lata. Quem tiver alguma propriedade, seja de que origem for, grande ou pequena, que se ponha a poupar, não para assegurar o futuro mas para chegar a Abril e pagar a primeira prestação do IMI, a Agosto e pagar o IRS e a Setembro e esportular a segunda prestação daquele.

O governo, com a mesma coragem ou a mesma lata, também anunciou mais recessão e mais desemprego. Pelo menos, é sincero. E que o tabaco, o luxo, os lucros, as transacções financeiras, etc., também vão levar na cabeça.

 

A receita da troica deu os resultados que se podia prever que desse. A “Europa” e o FMI, ajudando a sustentar as nossas barrigas, parece não ter ajudado o nosso futuro. Resta saber se, com outra receita qualquer (qual?) o resultado não seria pior.

 

Facto é que o descontentamento interno não é acompanhado lá fora. Quem nos empresta dinheiro está muito contente connosco. Prouvera que seja coerente com o seu contentamento e queira aliviar-nos o fardo.

Facto é que os juros estão a descer.

Facto que a dívida diminuiu.

Facto é que há prazos, negociados pelo governo, que se alargaram.

Facto é que as despesas desceram. Têm que descer mais? Com certeza, e muito.

O problema é que a esmagadora maioria das despesas que têm que ser cortadas fazem parte, como é evidente, das que se referem a pessoal.

Deixar de subsidiar fundações privadas? De acordo. Quantos desempregados?

Fechar as fundações do Estado? Com certeza. Quantos desempregados?

Fechar serviços públicos redundantes e inúteis? Sem dúvida. Quantos desempregados?

Continuar a rever, com a necessária profundidade, as rendas das PPP? É óbvio. O problema é fazê-lo de forma a não envolver o Estado em processos judiciais de previsíveis e graves consequências. Um quebra-cabeças, a tratar com pinças.

Acabar com os outsourcings do Estado? Certamente, mas equivale a zurzir os funcionários, que têm ritmos e competências incompatíveis com as necessidades.

Acabar com certos luxos do Estado? É evidente, mas há que manter a dignidade das instituições políticas dentro de certos limites. E lá vem, mais uma vez, o desemprego de muita gente.

Acabar com a RTP, a RDP e a taxa do audiovisual? Seria fantástico, pelo menos na opinião do IRRITADO. Mas, e quantos desempregados mais?

Acabar com a mama das eólicas & Cª? De caras. E os desempregados?

E os “observatórios”, que são às centenas e servem para coisa nenhuma? Aqui, não devia haver hesitações, até porque, para esmagadora maioria dos fulanos, não passam de “ganchos”.

E as “entidades”, “autoridades” “comissariados” e parlapatices do género? Quantas são úteis? Meia dúzia? Mais desempregados.

 

Quem paga, e com que dinheiro, a mais estas hordas de queixosos, os mais deles sem saber fazer nada para além do que faziam, ou não faziam? Quantas manifestações, quantas greves, quantas desordens, quantos insultos, quanta instabilidade? 

 

É por estas e por outras que os cortes na despesa, os ditos e muitos outros, não são coisa que se faça de um momento para o outro. Acelerar o processo? Com certeza. O problema é o como. O problema é o que, paradoxalmente, os cortes na despesa vão custar.

 

Luzes ao fundo do túnel?

Se não for a tese internacional, adoptada pelo governo como não podia deixar de ser, tese que defende não haver saída a não ser, custe o que custar, através do saneamento das contas do Estado, outra não se vislumbra. Há disso experiência, pelo menos com Salazar e Mário Soares. Se resultou com eles, porque não há de resultar com estes?

 

 

5.10.12

 

António Borges de Carvalho



5 respostas a “ALHADAS”

  1. Avatar de A justiça dos famélicos
    A justiça dos famélicos

    Quem ganha 100,paga os impostos indirectos,taxas,a electricidade cara,a água idem,renda de casa,juros,etc.Se pagar mais cinco,falta-lhe o pão em casa.Quem recebe mil e paga 50 pode continuar a gozar os fins de semana na República Dominicana ou Nova Iorque.A meu ver,o primeiro,se lhe tirarem cinco,tem toda a legitimidade para partir o focinho aos que ganham 10.000 e outro tanto por debaixo da mesa para gerir o país da forma a que temos assistido,bem como à escumalha que na AR vai fazendo os seus jogos florais e tratando das suas vidinhas,usandio a influência que a política lhes concede.

  2. Caro Irritado, não resulta porque o país mudou, e o mundo também. Quando é que viu, desde a Grande Depressão, tantas economias à beira do colapso? E quando é que admite que a raíz do problema é monetária – quem e como cria o dinheiro – e que o grande descalabro começou com o capitalismo desregulado, e justamente chamado de casino, da Sra. Tatcher e do Sr. Reagan? Ou acha que admiti-lo faz de si comuna? Sim, este Governo está de mãos atadas. No entanto, já aqui enumerei, tal como muitos enumeraram, várias medidas que podia e devia ter tomado, antes de nos sangrar. Não o fez porque não é um Governo justo, nem isento, e pelo visto nem sequer competente. É um mero executor fiscal ao serviço dos credores, e dos interesses internos de sempre. E depois temos Portugal. Além de o desemprego ser quase o dobro de 1983, já viu bem o que resta, de então para cá? Quase todas as grandes fábricas fecharam. Os estaleiros, em que chegámos a dar cartas (Lisnave e Setenave) fecharam ou estão moribundos. A agricultura e as pescas, em que tínhamos tudo para ser autosuficientes, e comer e beber como lordes, foram mais dizimadas do que num país em guerra. Os chamados sectores estratégicos e semi-monopolistas – EDP, PT, Galp – foram todos alienados. A Banca e as grandes empresas fogem com tudo o que podem para a Holanda e paraísos fiscais. Grande parte das PME estão falidas, ou a falir. Receber a 90 dias tornou-se uma festa. Abrir cá uma empresa, hoje, devia dar direito a internamento compulsivo. Conseguimos estourar tudo isto, mais os milhares de milhões que nos deram, e ainda devemos o cu e as calças. E mesmo que, por milagre, produzamos mais, a quem quer vender? 75% das exportações são para a UE, que está como sabe. Angola é rica, mas apenas numa pequena elite (corrupta), que não chega para nos sustentar. O Brasil e a China têm tudo o que temos, e mais barato. Em suma: não vê que o país e o mundo de 1983, quanto mais do tempo de Salazar, são substancialmente diferentes dos de hoje, e que o que resultou então não se aplica agora? Soluções… além de nacionalizar a Banca, e das tais medidas que este Governo jamais tomará, eu metia-me num avião e ia falar com o Rajoy, o Monti, e o Samaras. Dizia-lhes assim: “Meu caros, isto vai tudo para o maneta, e nós seremos os primeiros a ir. Unimo-nos e tentamos safar-nos de alguma maneira, ou deixamo-nos ir como borregos para o matadouro?”. Se dissessem que sim, já tínhamos arcaboiço para tentar meter o Hollande e o Di Rupo (Bélgica) no barco, e aí já podíamos falar de rijo com qualquer um, incluindo a Merkel e os credores. Se dissessem que não… só restava tentar virar a mesa sozinho. Não seria fácil, mas o bluff por vezes consegue maravilhas, quando a alternativa (dos credores) é não receber um chavo. Uma coisa não faria de certeza: sacrificar 9.99 milhões de portugueses, sem tentar absolutamente tudo antes disso, e sem expôr a imensa fraude que é o sistema actual.

    1. Bom comentário.Se exceptuarmos a nacionalização da banca, enorme disparate, v. tem razão em muita coisa.Perde-a quando põe as culpas para a Tatcher e o Reagan, que muito fizeram pelos seus países e pelo mundo, e não têm culpa que os vindouros abusassem do sistema. Por outras pakavras, o liberalismo deles foi bom, só que o liberalismo, para ser autêntico, precisa da Lei, o que foi rapidamente esquecido.Quanto à forma como utilizámos os milhões que nos deram, tem razão. Somando a isto a crise europeia e as loucuras do parisiense, aí temos o caldo de cultura em que estamos mergulhados. E, como diria Soares, mais uma vez “a Europa connosco”. Desta vez pela negativa.Numa coisa não concordamos de certeza. Eu acho que esta gente (Passos e Gaspar) é séria, coisa rara, mas já é alguma coisa. Não lhes gabo a sorte.Quanto à “estratégia” de que fala, espero que esteja, neste momento, a ser tratada por Passos com o Monti e o Rajoy, na Eslováquia ou lá onde estão.De resto, nada se endireitará se as contas públicas não se endireitarem. Chumbada a TSU (coisa que nunca entendi lá muito bem), outra cacetada veio. Tinha que vir, não é? O IRRITADO disse-o a seu tempo.Não sei se prolongar a agonia no tempo, como tanta gente defende, à esquerda e à direita, valerá mais que o que se está a fazer. A ver vamos.

      1. É claro que só podia discordar dos efeitos da Sra. Thatcher e do Sr. Reagan, e da nacionalização da Banca. Quanto aos primeiros, qualquer resposta seria muito longa, e eu já tenho abusado q.b.; havemos de lá voltar, se assim entender. Quanto à segunda, conseguimos despachá-la em menos linhas. A Banca de hoje também não é a Banca de há 30 anos. Não que alguma vez tenha sido boa, mas a sua agiotagem – e isto não é um insulto, é a descrição literal da sua actividade – sempre era menos nociva e desregulada que a de hoje. O Mundo está como está, países prósperos como a Islândia ou a Irlanda faliram exclusivamente devido à canalha financeira, e o Irritado continua a ver na nacionalização da Banca um sacrilégio. Claro que não está sozinho: todas as semanas ou todos os dias, nos debates sobre a crise e tal, aparece sempre um figurão ou uma figurinha a recordar-nos da função «essencial» da Banca, de como deve ser protegida e acarinhada, de como é urgente que volte a dar crédito, etc. Isto, sendo curto e grosso, é uma grossa MENTIRA; uma tremenda TRETA. Os bancos inventam dinheiro praticamente como entendem, e os “mercados” financeiros ampliam as suas fantasias à escala planetária. O crédito é expandido ou retraído conforme os seus interesses. As novas – e pífias – regras impostas aos bancos, não mudam rigorosamente nada. Quando a loucura e a chulice atingem proporções insustentáveis, quem paga são os Estados – que é como quem diz, os contribuintes, a economia real. Os países, ou bancos centrais, devem emprestar dinheiro apenas a outros países e bancos centrais, e não à Banca privada, que por sua vez revende este dinheiro com juros muito superiores. Os países, ou bancos centrais, devem ser os únicos com o poder de criar dinheiro – ou seja, dívida – e não a Banca privada. Os próprios paraísos fiscais vivem mais da ganância da Banca, que é quem lucra mais com tal crime legalizado, do que dos Estados e políticos coniventes que o legalizaram. No actual (e calamitoso) estado de coisas, a única solução é que a Banca passe para a esfera pública, e isto mesmo dando de barato que o Estado é gerido pela pior classe deste país – após a banqueira. O ESTADO DEVE CONTROLAR A BANCA, E NÃO O CONTRÁRIO. Se não consegue entender ou concordar com isto, por favor disponha.

  3. Você é um pândego,é preciso ter uma pachorra do tamanho da sua descarada lata para ler as suas tentativas de branquear as merdiolas do Coelho.Fosse o Pinto de Sousa a fazer metade,e a barraca já tinha pegado fogo.Acho que não vale a pena esfalfar-se tanto,afinal esta espécie de governo está morto,só falta enterrá-lo!!!

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