IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


5 DE OUTUBRO

 

Há oitocentos e não sei quantos anos, o nosso 5 de Outubro ficou marcado pelo tratado de Zamora, documento em que, finalmente, o poderoso vizinho castelhano reconhecia a existência da Nação portuguesa e se deixava, para já, de pretensões sobre o que tão duramente vinha correspondendo às aspirações de um povo que não aceitava a soberania de terceiros.

 

Data a comemorar, sem dúvida, mas data que, por jacobinas razões, não se comemora.

Outro acontecimento, ocorrido oitocentos anos mais tarde, soe servir de masturbação intelectual para uns reumáticos mentais. Falamos, é claro, do 5 de Outubro do século passado, data em que uns bandos de intelectuais burgueses, acolitados por assassinos e anarquistas – nada a ver com o povo propriamente dito – deram uma golpada citadina que, aproveitando fraquezas várias e várias traições, cortaram com sete séculos de história e conseguiram impor uma nunca sufragada república.

Como não podia deixar de ser, a tal coisa – a república – redundou na mais horrível bagunça, recheada de perseguições aos sindicatos, à Igreja, a tudo o que mexesse, com bombas, assassínios em série, degredos, prisões, censura, um nunca acabar de negação do que a demagogia revolucionária prometera, tudo acrescido uma guerra com a qual a Nação nada tinha a ver, com o mais fanático imperialismo e com a consequente miséria generalizada do povo.

Depois, exauridas as finanças, miserada a economia, morta ou gaseada a juventude, a república brindou a Nação com uma ditadura feroz, politicamente inaceitável, economicamente “humilde”, financeiramente brutal,mas financeiramente honesta.

Mercê de reivindicações militares, 48 anos depois, a república deu-nos uma nova coisa, o socialismo, de evidentes e catastróficos resultados, como é evidente nois nossos dias.

 

É isto, não o tratado de Zamora, o que hoje, ou ontem – já não sei a que horas escrevo – se comemorou, felizmente, no meio do mais extraordinário ridículo.

Içaram a bandeira, repetindo o gesto dos republicanos em 1910, sem sequer saber que, em 1910, ninguém içou bandeira nenhuma e que a bandeira que hoje representa a república, não a Nação, nem sequer existia. Ainda por cima, içaram-na de pernas para o ar.

O comemorativo pessoal escondeu-se, depois, a bom recato, para se ouvir a si próprio. Ouviu-se o Presidente a dizer coisa nenhuma. Ouviu-se um tipo dizer, em substância, que é preciso, de uma assentada, dar cabo do governo e do chefe da oposição, para que o dito tipo possa tomar o poder.

E ouviu-se Mário Soares dizer que não ia lá porque “o povo não estava lá”. Homem “do povo”, como é sabido, estava ofendido. Um punhado de ignorantes aplaudiu-o freneticamente.

Ninguém se lembra que “o povo” jamais apareceu em tais palhaçadas. No tempo da ditadura, meia dúzia de gerontes ia pôr umas flores na estátua do António José de Almeida, perante o olhar trocista da PIDE. Durante a III República, umas dúzias de mirones e passantes iam à Praça do Município “aplaudir” a república.

 

Por isso que, afinal, seja de louvar que, desta vez, a manifestação jacobino-maçónica se tenha posto a bom recato. É que, assim, poupou tempo aos passantes e não impediu o trânsito.

 

6.10.12

 

António Borges de Carvalho



9 respostas a “5 DE OUTUBRO”

  1. Quem tem medo compra um cão.Caro Irritado, já comprou? Já “aconselhou” os seus “protegidos” a comprar?

  2. Todos os anos, o mesmo ritual: a República é celebrada pelos políticos, malhada pelos monarquistas, e olimpicamente ignorada pelos demais. A maior tristeza é constatar que nem a República (seja boa ou má) foi imposta pelo povo; tal como o 25 Abril, 64 anos depois, foi obra de um pequeno grupo, e o povo limitou-se a ser apresentado ao novo status quo. Ou seja, já então éramos carneiros destituídos de vontade própria, de capacidade de organização ou de revolta. Alguém que faça, alguém que decida, alguém que mande; por nós, está sempre tudo bem. A gente vai na onda. Se Salazar, em vez de cair da cadeira ou da banheira, tivesse vivido até hoje, ainda governaria Portugal. E no que depender de nós, o actual regime partidocrático, abandalhado e corrupto, não vai mudar. Quanto à Monarquia… que se pode dizer? Basta olhar para o nosso putativo Rei. Não é preciso dizer mais nada.

  3. P.S. Boas novas para o Irritado: o camarada Seguro – o oco, ou eunuco, as opiniões dividem-se – assegura que «quando governar, o 5 de Outubro será [novamente] feriado». Quem é amigo, quem é?

  4. Fede a naftalina!Os povos nunca em lado nenhum fizeram qualquer revolução ou golpe de estado,quanto muito aderem ás lideranças que emergem de elites.As nossas elites sempre foram rafeiras.Ao dizer-se que a republica trouxe miséria para o povo,acaso quer-se dider que na monarquia o povo vivia melhor?!Haja pachorra!!!

  5. É mais uma coisa que me faz discordar deste regime implantado pelas armas – como todos os que se sucederam à redentora madrugada de 1910, sempre muito democráticos e com vontade de nos libertar de alguma coisa, pois então.Não acho justo que, para poupar dinheiro, sejamos doravante privados do decoroso cerimonial que subsistiu por 101 anos, comemorando pomposamente o arraial de violências, latrocínio e falsidades que a maçonaria instalou por cá.A turbamulta ignorante gosta afinal de bater palmas ou assobiar, mesmo que desconheça porque o faz. E os doutores que dão o mote e a tocam para diante são em última análise excrescências dela, apenas mais atrevidos que os seus semelhantes ou como dizia Montesquieu, bestas não atreladas.Quando tomaram o poder em 5 de Outubro de 1910, cometeram de imediato a primeira violência: mudaram o nome de um País que não lhes pertencia somente, mas a todas as gerações que os tinham antecedido e viriam a suceder.Ao nome secular, claro, digno e transcendente de “Portugal” enxertaram o chamadouro do seu reles regime, numa imunda cópula de desabusado mau-gosto.Passámos a constar oficialmente como “República Portuguesa”, tal como os pretos usam nos adolescentes territórios deles. E creio que poderemos dar graças que a constituição não houvesse decretado que nos apodassem de “República Socialista Portuguesa”.As repúblicas têm destas coisas, de quem tem má consciência e teme que possam esquecer que existem. Por cima de uma asneira de quem não tem história e corre a anunciar outra imbecilidade, atiraram-se ao seguinte símbolo nacional, o hino.Como a música não fosse o seu forte, por ser apanágio de algum requinte cultural, serviram-se de um já feito. Por monárquicos, está bem de ver. Por isso mesmo dedicado ao filho do nosso Rei D. Miguel.Para ladrões que se instituíram em políticos para nos cardarem “institucionalmente”, fazendo eles a lei, tal não causou o menor prurido: chegaram à pauta da “Portugueza”, apagaram a dedicatória, substituíram “bretões” por “canhões” (evitando cuidadosamente rimas que os pudessem descrever) e estava criado mais um símbolo pronto a oferecer à populaça.Faltava “tratar da saúde” à bandeira. Tivemos algumas ao longo da História. A penúltima, modificada pelos liberais (a maçonaria já fazendo das suas), era talvez a mais bonita do Mundo: as armas reais sobre um fundo (ou campo) completamente branco. De uma beleza e simplicidade únicas, que diziam tudo o que era preciso.Mas não, os republicanos tinham que perpetrar mais uma boçalidade para dar vazão ao seu descaramento: lançaram mão do pavilhão da Carbonária – essa cobarde organização clandestina, braço armado da maçonaria, que se orgulhava de haver matado pelas costas o Rei e o seu filho, um rapaz de 20 anos, absolutamente inocente da mais leve falta política – retiraram um globo e umas estrelas, colaram em cima a esfera armilar e eis uma bandeira nacional.Foi pena que no 25 de Abril não tivessem arriado esta e instituído a do partido comunista, que ao menos não enferma da ignorância heráldica que a actual patenteia, mesmo de pernas ao ar: na maior ignorância das regras, encostaram dois esmaltes em vez de o fazerem com um metal, que iria iluminar aqueles. Com excepção da Alemanha (Bismark queria lá saber disso!) e dos países saídos da URSS, a única bandeira europeia com essa desfraldada idiotice é a da… República Portuguesa.Portanto, mesmo içado correctamente, o trapinho carbonário estará sempre ao contrário: das regras heráldicas – e da verdade histórica, como sempre escondida ao povo, que afinal é quem mais ordena… e mais ignora. Até um dia compreender que um país governado pelas multidões também está ao contrário e invariavelmente a meia haste.

    1. A vacuidade da verborreia encharcada de ódios recalcados parece uma caldeirada sem peixe,só espinhas.Ai! A violência dos republicanos,como se os monarquicos fosse uns pacifistas.E nem faltou a alusão a um maçon,que tambem disse mais ou menos;QUANTO MENOS OS HOMENS PENSAM MAIS FALAM!!!

      1. QUANTO MENOS O TECELAO PENSA MAIS FALA (neste caso, escreve)

        1. Os caracois por aqui se vão arrastando,a ranhoca que deixam, denuncia-os!!!

          1. Quem nao tem argumentos usa insultos !!Voce nao engana ninguem…

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