A noite de ontem foi desagradavelmente marcada pelas histórias dos médicos.
Preocupadíssimos com a saúde dos portugueses, os respectivos sindicatos mandaram ao governo uma lista de uns vinte pontos que queriam ver satisfeitos. Nada de novo: progressão nas carreiras, aumentos de ordenado, e mais uma série de coisas, a maior parte delas a demonstrar tal profunda e patriótica preocupação.
Desta vez, a Ordem dos Médicos decidiu alinhar com as exigências, ao mesmo tempo que confessava que o assunto fundamental era o dos aumentos, coisa própria dos sindicatos, na qual a Ordem não pareceria competente para opinar.
Mas opina, e de que maneira! Em comunicado, a distinta organização, ora comandada por uma das mais sinistras figuras públicas do país, vem dizer que apoia a anunciada greve dos sindicatos, apelando ao ministro para que trate de reunir com a classe, a fim de “se chegar a um acordo que satisfaça as pretensões dos médicos”.
Notável comunicado. Os médicos querem “dialogar”, desde que, à partida, o tal “diálogo” se faça com o objectivo de lhes fazer as vontadinhas! Se não houver tal garantia, a insigne classe não vê utilidade na coisa.
“A greve é irreversível”, aconteça o que acontecer, informaram os sindicatos. Rabo de fora, gato de fora. Política pura, no seu pior.
Segundo cálculos não desmentidos, quer pelos sindicatos quer pela OM, vão ficar por fazer umas 5.000 cirurgias e para aí umas 400.000 consultas, o que nos permite ajuizar, sem engano possível, sobre o esmerado empenho desta gente em fornecer cuidados de saúde às pessoas, com qualidade e prontidão.
Parece que hoje, o ministro disse estar disposto a dar uns aumentos. Fez mal. Pessimamente.
A malta a ver os rendimentos a baixar. Os furos do cinto acabados. E estes tipos, Hipócrates da treta, a exigir aumentos, promoções, carreiras, o diabo a quatro. O ministro a modos que a ceder.
Pobre país que tal gente alberga.
7.7.12
António Borges de Carvalho

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