IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A GREVE DOS INSTALADOS II

 

Ontem, aqui no meu bairro, tudo minha gente trabalhava como é normal e habitual, táxis, restaurantes, talhos, lojas de bebidas, capelistas, tabacarias, bancos, escritórios, etc., até os correios!

Talvez houvesse menos gente na rua, talvez houvesse menos gente a trabalhar, não porque fizessem greve mas porque tinham sido presenteados pelos fabricantes de miséria com falta de transportes.

 

Logo de manhã, a tropa fandanga do Silva, do Jerónimo e do tipo da UGT causava as maiores chatices a quem quisesse trabalhar. Havia “delegados sindicais”, se calhar daqueles que – como o bigodes dos professores e a dona Aviola, ou lá o que é – há muitas décadas não põem os pés no trabalho, havia reformados com quarenta anos, como um que se veio como tal declarar às tipas da televisão, havia puros díscolos, sedentos de desordem, havia de tudo, com coletes vermelhos, ou seja, devidamente “identificados” e cheios de imponente autoridade, a invectivar os cidadãos ditos livres que queriam trabalhar ou a pôr-se, como toda a gente viu, à frente das camionetas e dos comboios para não os deixar andar e a queixar-se da polícia que defendia a liberdade de trabalhar como defende a dos grevistas, a intimidação sindical/política estava espalhada por toda a parte, sem peias, sem vergonha na cara, a vender ideias absurdas, a convencer as pessoas de coisas impossíveis, idiotas e mentirosas, na mais desbragada e indecente exploração da inocência, da crendice ou da impreparação das gentes, tudo isto como se a greve, dita geral mas parcialíssima, ajudasse a resolver fosse quer problema fosse.

 

Como o IRRITADO atempadamente informou, foi a greve dos instalados, ainda que com algumas honrosas excepções. Greve dos que estão de poleiro, dos que menos precisam, perante um povo que sofre e trabalha quando tem trabalho, contra um povo que não goza dos privilégios dos instalados, funcionários públicos, professores, polícias, malta das empresas do estado, um povo que quer ajudar a resolver os problemas – como todas as sondagens provam à saciedade e por larga margem – não agravá-los, tudo organizado para segurar os privilégios que o socialismo lhes pôs nas mãos mascarados de direitos, e que querem guardar doa a quem doer e custe a quem custar.

 

É evidente que o uso do direito à greve como é entendido pelos silvas, jerónimos e tipos da UGT * – servos do escondido Seguro – nada tem a ver com o direito à greve que os compêndios consagram.

É outra coisa, uma arma política, imoral, ilegítima e criminosa, apostada em tirar as últimas fatias de pão da boca das pessoas de bem, apostando em, sobre a sua fome, construir o “mundo novo”, seja o dos “amanhãs que cantam”, seja o do socialismo “democrático”.

Chegados à política, há que reconhecer que a mais cínica de todas as posições é a do PS. Oficialmente, vai dizendo que não participa na greve. Oficiosamente, manda o seu miserável exército apresentar-se, lado a lado com os inimigos da liberdade, a tentar destruir o que resta dela neste mundo desatinado, sem rumo, sem eira nem beira.

No fundo, é o desespero mais completo – o do PS – por se saber culpado, o mais culpado de todos os culpados, e querer transformar a culpa em vantagem! Que tristeza, que miséria moral, que vergonha seria se vergonha tivessem.

 

Uma jornada afinal pífia. Os portugueses não instalados deram à canalha uma lição brutal. Trabalharam. Todos ou quase. Isso de greves “gerais” é para os aldrabões a soldo do Silva, do tipo da UGT, do desavergonhado Seguro e do falecido Louça. As pessoas propriamente ditas, o país, continuaram a trabalhar. O Estado é que não – e não todo – sejam quais forem os “números” que por aí andam, todos aldrabados, como de costume.

 

25.11.11

 

António Borges de Carvalho

 

Já me esquecia do Louça que, a fim de não ficar totalmente fora de combate, foi a Palmela mostrar o seu triunfante quão feio sorriso de vitória. Olhinhos brilhantes atrás das cangalhas, a criatura comunicou ao povo, com incontida alegria, que “hoje não se produziu nesta fábrica um único automóvel!”. Em nove singelas palavras o indivíduo sintetizou todo o significado moral e económico da jornada. Que inteligência!



11 respostas a “A GREVE DOS INSTALADOS II”

  1. Mais uma vez, parabéns pela sua escrita.Costumo reproduzi-la no Facebook, com a devida assinatura, a sua, é evidente.Se não quiser que eu o faça, agradeço que me diga.Os melhores cumprimentos, e… força!J.B.

    1. Obrigadopelo elogio.Quanto à prosa, já que a identifica, use-a como entender!

      1. Meu caro,quem agradece sou eu, pela sua prosa que muito admiro e com a qual concordo 99% das vezes.Grato pela sua autorização.Os melhores cumprimentos e votos de continuação.Joe Bernard

  2. O Irritado omitiu os ladrões do PSD e CDS. Por esquecimento, por falta de inteligência ou por solidariedade. Não sou defensor de revoluções nem dos seus conselhos. A actuação do Tribunal Constitucional tem sido bem pior que a do Conselho da Revolução que se formou após o 25 de Novembro, esse não protegia corruptos, nem ladrões, nem pedófilos e nunca proclamou o direito de roubar. Também lhe digo que a questão não está na sua existência, mas na sua génese e no modo como é feita a fiscalização da constitucionalidade . Em Espanha – monarquia – não é assim. Na Inglaterra – monarquia – nem tão pouco existe Constituição e é uma democracia das mais perfeitas e funcionais que existem. Já agora lhe digo que essa falácia de ser o trabalho a solução para a crise é algo que só imbecil poderá aceitar. Sem um estado de direito e continuando debaixo do arbítrio e tirania dos grupos de delinquentes – ladrões – a única alternativa do povo português é a miséria. Esta república é uma parceria de robins e xerifes, todos no castelo, lixando e roubando o português que trabalha e produz. O Irritado é adepto dos xerifes, por se achar de direita. Tudo bem. Não tenho a pretensão de o ser nem de ser de esquerda. Para sua informação, votei no PSD e da próxima vez, se cá estiver, irei votar em branco, a menos que apareça gente com outro discurso.

  3. Embora tenha razão em vários pontos, o Irritado parece querer transformar a (relativamente) escassa adesão à greve num apoio implícito ao Governo, e ao caminho seguido por este. Tal conclusão parece, no mínimo, duvidosa. Muitos não podem deixar de ir trabalhar, pois não são “instalados”. Isto não tem a ver com as suas convicções, mas com a sua sobrevivência – cada vez mais difícil. Muitos outros, mesmo desempregados e descontentes, ficam apaticamente em casa, ou preferem ir para o café criticar a coisa. É a famosa INÉRCIA tuga: “Tudo bem, desde que não me chateiem” podia ser o lema nacional. E, claro, há os que têm alergia a sindicatos e comunas. Mas o grande motivo para o falhanço crónico destas iniciativas, sejam sindicais ou espontâneas (como aqueles “indignados” contra a precariedade), está nos seus próprios intentos: afinal, que pretende esta gente? Os seus chavões são tão vagos, que se tornam totalmente inofensivos. Quem se queixa de tudo, sem o sustentar com nenhum número, sem apontar um único problema específico, sem propor uma única mudança específica, acaba por não se queixar de nada. E é por isso que muita gente, como eu, jamais lá põe os pés – embora discorde veementemente deste Governo.

  4. Para ser eleito, este Governo prometeu: divulgar uma auditoria rigorosa às contas públicas; responsabilizar políticos; emagrecer o Estado – pelo lado dos gastos supérfluos; meter na ordem obras e PPPs; dinamizar a Economia; evitar mais impostos; combater a recessão. Disto tudo, o que foi cumprido? NADA. Népia. Nicles. Zero. É isto que qualquer protesto deve exigir, em vez de bradar contra conceitos vagos como a “exploração dos trabalhadores”. Explorados somos todos, dos empresários de TI aos limpa-chaminés. A cobrança deve ser feita ponto a ponto: auditoria às contas públicas. Onde está? Responsabilização de políticos: porque anda o filósofo à solta? E o Alberto? Que leis mudaram? Dinamizar a Economia: então a TSU? Não tinham feito contas? Que incentivos para contratar? E quanto à carga fiscal? E a recessão – agora já é boa? E as PPPs – como assim, não há alternativa? Então a “emergência nacional” é só para alguns? Por que raio é sequer preciso fazer greve, para confrontar o Governo com isto? Quando alguém anda tempos a prometer algo, consegue o que queria, e depois não cumpre com NADA, em qualquer relação humana, o que é que lhe acontece? Apenas na política é habitual, e normal, que a MENTIRA não tenha consequências. Não pode ser. —————— Em vez de greves e slogans, e uma vez que esta Partidocracia não possui verdadeiros instrumentos democráticos, uma solução seria CANCELAR TODOS OS PAGAMENTOS AO ESTADO, todos os impostos, taxas, portagens, etc., até o Governo indicar prazos claros para cada uma das suas promessas básicas. Aposto que não levaria mais de 2-3 dias, a ganhar vergonha na cara. Ou então, podia tentar prender/multar todo o país – como dizem os ingleses, “good luck with that”.

    1. Pedro Passos Coelho não cumpriu uma só promessa. Repare, até aquela promessa de não se desculpar com com o “passado” falhou. É mais mentiroso que o seu antecessor.Um”pau de marmeleiro” nos costados dessa cambada de mentirosos – TODOS IGUAIS – resolveria o problema.

      1. Sim, até compilaram um vídeo com o seu “Best of 2010-2011”: http://www.youtube.com/watch?v=gNu5BBAdQec É tal a incoerência, e o descaramento, que já lhe chamam o “Pinóquio de Portugal”. Discordo desse epíteto, e discordo também do caro XXI: é ter memória demasiado curta. O verdadeiro e único Pinóquio, está em Paris. O TRAFULHA que mais nos arruinou, era e é bem pior do que esta marioneta de 2º plano. Passos Coelho tem o carisma de uma abóbora, e só chegou aqui pela mediocridade intrínseca do aparelho do partido. Tal como no tempo do Durão Burroso, simplesmente não havia ninguém melhor. Aliás, continua a não haver. Seríamos sempre enganados, fosse qual fosse o resultado das últimas eleições. O sistema está viciado. Veja os líderes dos 5 principais partidos, depois as figuras de 2ª linha, e diga-me onde está a esperança. Até o Paulinho das Feiras, de longe o melhor político profissional português (e não no bom sentido), se acomodou ao seu ansiado TACHO, manso e contente, com uma hipocrisia assombrosa. Quanto ao pau de marmeleiro, sem dúvida… mas não estamos na escola. O sistema protege os pulhas e os mamões, sob a capa do “Estado de Direito”, e não há paus que atravessem um escudo da polícia de choque. Sendo franco, também não acredito na minha própria solução: DEIXAR DE PAGAR IMPOSTOS. Era a mais eficaz, acredite, mas não temos coesão e discernimento suficientes para praticá-la de forma concertada a nível nacional, ou mesmo regional. Logo, que podemos fazer? Olhe, podemos EMIGRAR. É o que o nosso Governo sugere. Neste caso, creio que tem razão.

  5. Depois de mais este passadista e brilhante post,o que é que me apetece dizer,não usando muito a cabeça?!A PIDE é que dava jeito,punha esta perigosa canalha socialista,bando de arruaceiros e calaceiros na ordem.

    1. Outra vez a mesma arenga?Que tenha, lá no fundo, os seus desejos, vá que não vá. Que insinue que são de outrem, isso já não.

      1. Com que então sou eu que tenho desejos contidos?Descaramento deslavado não lhe falta!!!

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