IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A GREVE DOS INSTALADOS

 

É uma da manhã, o céu tem estrelas, não há vento, nem uma aragem.

A cidade das pessoas de bem dorme.

Nos nas alfurjas sindicais, as coisas agitam-se. Há piquetes, gente feroz à espera de insultar os canalhas que vierem ou quiserem vir trabalhar.

Lá em casa, Mário Soares rejubila. Mandou a sua malha, voltou às manchetes dos jornais e aos seus servos das televisões.

Em casa, quem trabalha, ou quem ganha a vida a trabalhar – coisa rara nos cidadãos portugueses, inchados de direitos, de slogans e de preguiça – pensa como há-de ir trabalhar de manhã, sem metro, sem autocarros, sem nada.

Nos aeroportos, os passageiros estiolam pelas arcadas, com fome, cansaço e sono, sem saber quando chegarão ao destino.

Nos covis dos ricos comandantes divertem-se pilotos e hospedeiras com garrafinhas de champanhe da executiva, comemorando a folga.

Os controladores de voo aproveitam para controlar os cabarés.

O maralhal da Carris, do Metro, da CP, os professores, os actores dos teatros do Estado, os enfermeiros, os médicos, tudo minha gente se prepara para o feriado.

Sim, meus senhores, com toda a razão. Este feriado é deles, não é da Igreja nem do governo. É da malta que regurgita direitos por todos os poros e que aceita obrigação nenhuma.

É da Nação número um.

Portugal, nestes dias negros, não é uma nação, é duas. A dos que trabalham e, queiram ou não, que têm que assumir alguma responsabilidade perante o patrão, perante a família e perante si próprios, a número dois, e a outra, número um, a dos que dependem do Estado, funcionários, professores, médicos, enfermeiros, tipos da Carris, do Metro, dos ferries, dos comboios, das empresa públicas, das polícias, da chusma de inúteis, ou quase, que se acoitam sob a asa protectora do Estado que o socialismo criou, gente que jamais poderá ser despedida, que jamais será responsável seja pelo que for, que é paga quer trabalhe quer não faça a ponta de um corno, gente que não vê um palmo à frente do umbigo, que acha que a crise é dos outros, não sua, que anuncia ao povo em geral, via canalhas como o Silva, o outro da UGT ou o Soares, a grande mensagem desta greve: nós somos os instalados, ai dos outros! Que se lixem! A nós ninguém lixa, ha,ha!

 

A noite tem estrelas, o ar é sereno, a temperatura é fresca, doce, as gentes dormem, os trafulhas agitam-se, amanhã ninguém vai à escola, nem ao trabalho, nem à missa, nem seja onde for.

A não ser, é claro, os parvos e os que sofrem na carne o estado do gloriosíssimo Estado que o socialismo nos deu, prenhe de direitos e de militante estupidez.  

  

24.11.11

 

António Borges de Carvalho



6 respostas a “A GREVE DOS INSTALADOS”

  1. Não querendo ficar atrás do Socialismo e da sua herança, eis que os “mercados” respondem da forma habitual: baixam-nos o “rating”. É agora oficial: somos LIXO. Terá sido por causa da greve dos instalados? Não. Foi porque, imagine-se, descobriram que as políticas governamentais vão criar ainda mais recessão e desemprego, diminuindo assim a nossa capacidade de pagar os seus amáveis empréstimos, e os respectivos juros. Ou seja, 1) impõem-nos austeridade e recessão para lhes pagarmos; 2) quanto mais austeridade e recessão tivermos, menos lhes poderemos pagar; 3) vai daí, cobram-nos juros ainda maiores; 4) que ainda menos poderemos pagar. É a chamada lógica da batata. No entanto, companhia é coisa que não nos falta: até a Alemanha, já merece a desconfiança dos “mercados”. Que gente nervosa. Será porque quanto maior o nervosismo, maiores os juros, e mais ganham sem fazer a ponta de um corno? Quem sabe. Mas nada disto interessa ao Irritado. Peço desculpa pela interrupção. Voltemos ao nefasto Socialismo, o tal que está a arruinar o mundo.

    1. Em bom rigor, não vejo o que tem este comentário a ver com o assunto do post. Repete as cassettes habituais, mais nada.Está mais que provado que, para sair de situações como a nossa, é preciso fazer o que está a ser feito. Não se sai do buraco sem passar as passinhas do Algarve, entre as quais a recessão. Foi assim no sec. XIX, foi assim com o Salazar, foi assim em TODAS as situações do género por que já passámos, até naquelas que o “indignado” Soares comandou. E na Irlanda já estão a funcionar, coisa de que os “indignados” não querem saber.Talvez, para nós, agora seja pior, porque não temos moeda para desvalorizar e porque os credores também estão à rasca e com medo de ser apanhados numa desgraça generalizada. Mas não há saída outra que não seja aguentar e ir alimentando alguma esperança.Não colhe continuar enquistado na perseguição dos culpados. Façamos nós o que temos a fazer, vamos acompanhando os nossos feitos com umas figas e rezando ao São Pancrácio para que o caldo, lá por foras, não se entorne ainda mais. Repare que não estou a defender as “soluções” da Frau Merkel, nem o satutus quo europeu. São coisas que não me merecem admiração ou confiança. O que sei é que, ou nos aguentamos neste caminho e, como sempre aconteceu, acabamos por sair do buraco, ou não vamos a lado nenhum. Não somos nós que vamos mudar o que se passa para lá de Badjoz. E, se começarmos a borregar, as consequências serão muito piores.

      1. Mesmo dando de barato que esta receita ruinosa funcione a longo prazo, o que não é de todo líquido, nada justifica que TODOS os países estejam em crise, enquanto uma dúzia de mamões se enche à conta do pagode. Assistimos calmamente ao triunfo da economia irreal, criada pelo grande capital, em detrimento da economia real. Já que o Irritado vai buscar o passado, recordo que isto também já aconteceu em 1929. Os métodos mudaram ligeiramente, mas os resultados ameaçam ser os mesmos. E todos sabemos o que se passou uma década depois, em virtude do mesmo sistema suicida. Quem o leia, ainda pensa que os credores são uma espécie de velhinhos bondosos, que nos emprestaram as poupanças de uma vida, para nós estourarmos em (…) e vinho verde. Na realidade, estamos a sacrificar-nos para encher sanguessugas que nunca produziram, nem querem produzir, pois criaram um sistema de exploração legalizada, em que a miséria dos outros é a riqueza deles. Os campos não secaram, os peixes não morreram, as máquinas não deixaram de funcionar, as pessoas não deixaram de saber trabalhar, NADA mudou, excepto o que a canalha banqueira e os casinos financeiros nos ditam. Não sei o que mais me impressiona: ver este suicídio colectivo, ou ver as tentativas de racionalização em sua defesa.

  2. Caro Irritado,diga lá,uma PIDE dava mesmo jeito.Esta canalha era metida na ordem.

    1. Caro Tecdelão, porquê sempre a mesma indigência mental? Porquê sempre a mesma tendência para o insulto? Porquê sempre os mesmos alhos e nada de bogalhos?Use a cabeça, meu caro. Dá trabalho, mes compena.

      1. Eu sei que você fica especialmente irritado quando lhe toco na sua sangrenta ferida.E isso dá-me tambem especial gozo,mas não creio necessário usar a cabeça para alem do estritamente necessário.Depois do que escreveu,misturando,você sim,alhos com bugalhos,para dar um contorno mais aprimorado ao post,o que acha que eu deveria comentar?Eu já o leio há muito tempo,conheço a sua estrutura mental e o seu pensamento politico,não lhe darei folga.Mas pode sempre impedir-me o acesso ao seu blog!!!

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