IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UMA DATA HISTÓRICA

 

 

Em 24 de Novembro de 1975, atravessei a Serra do Monsanto com altas emoções.

Soldados de canhotas aperradas corriam em todas as direcções como baratas tontas, era não sei quem contra não sei quem, os pára-quedistas contra os comandos, ou os comandos contra os lanceiros, ou o raio que os parta. Revistaram-me, chatearam-me, e lá me safei. Julgo que ninguém ganhou a feroz batalha.

 

No dia seguinte, foi a bronca final. Os soldados comunistas, representados pelos antigos apoiantes do Império, do General Kaulza e dos ultras da II República, recém convertidos ao revolucionarismo militante e militar por obra e graça de simpatias albanesas ou de cartilhas estúpidas ou estupidamente interiorizadas, gente da UDP (avó do BE!), do PC e não sei mais de quê, arranjaram a estrangeirinha final e foram “dizimadas” pelos comandos da Amadora. Houve uns tiros, morreram, salvo erro, duas pessoas, e houve um idiota que veio à televisão dizer que “a revolução continua”, idiota que os triunfadores substituíram por um filme do Danny Kay, o melhor filma da minha vida.

 

É por isso que a marcação da greve geral da CGTP e da UGT – leia-se, do PC e do PS – para 24 de Novembro assume um significado especial.

36 anos depois, os rapazes voltam à rua a 24, quiçá em comemoração dos seus antepassados, vencidos a 25, e para lembrar que a missão dos homens do 24 ainda “está por cumprir”.

Os generais da coisa sabem de ciência certa que, ao explorar até ao fundo o descontentamento popular, não adiantam nem um milímetro naquilo que dizem querer adiantar. Sabem que, se a austeridade não for a que já é, será pior. Sabem que a greve geral, se tiver algum efeito na vida dos “trabalhadores”, leia-se de cada um, será um efeito negativo, a começar na perda de mais um dia de salário e a acabar no agravamento da agitação social e no consequente agravamento da falta de confiança no país.

A exploração do descontentamento com o objectivo político de degradar a situação e de criar o caos é tão evidente para quem quiser ver que seria de esperar uma adesão à greve geral que ficasse muito longe dos desejos do PS e do PC.

Vamos a ver o que acontece. Entretanto, assinale-se, com nojo e esperança, o significado evidente da data escolhida. Sem esquecer que é uma 5ª feira, dia formidável para os apreciadores de pontes…

 

20.10.11

 

António Borges de Carvalho



Uma resposta a “UMA DATA HISTÓRICA”

  1. A 24 de Novembro de 1975, eu não era nascido. Estava quase. Cerca de 20 anos depois, tornei-me lanceiro, ou o «raio que me parta». Estive no RL2 – ou PE, para o comum feijão verde – também perto do Monsanto. Li e ouvi versões desse 24 Novembro de 75, ligeiramente diferentes da versão do Irritado. O meu pai, por coincidência, estava nessa altura também colocado em Monsanto, no EMFA. Hei-de perguntar-lhe mais pormenores, quando estiver com ele. Nunca falámos muito sobre esses temas. Em boa verdade, já pouco adianta. O “significado especial” da greve de 24/11 tem, de acordo com os organizadores / instigadores, mais a ver com a greve do ano passado – parece que foi a 1ª vez que fizeram uma greve conjunta – do que com os acontecimentos de há 36 anos. Pelo menos é o que eles dizem, mas também não acredito muito. Não defendo os organizadores, nem a greve, nem a data. Mas defendo que é preciso uma MUDANÇA. Tenho duas certezas, tal como o Irritado: 1) Não será esta greve a mudar nada; 2) Não será esta gente a mudar nada. E tenho outra, de que o Irritado provavelmente não partilha: 3) Se não tomarmos o destino nas nossas próprias mãos, se não fizermos JUSTIÇA pelas nossas próprias mãos (pois nada mais se pode esperar deste sistema), se não dermos o EXEMPLO pendurando certa canalha… jamais passaremos deste triste destino.

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