IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA ESTUPIDEZ DO REGIME

 

Há uma história que consta ter-se repetidamente passado nas ex-províncias ultramarinas – designação histórica, hoje politicamente incorrecta, que o Doutor Salazar aboliu e recuperou.

Como segue:

Diz o mainate (em Moçambique) ou o calcinhas (em Angola):

– Eh patrão, os colonialismo acabou. Quando acaba os independência?

 

Diante das mais recentes doutas palavras de Sua Excelência o Presidente da III República, e parafraseando aquela tão sincera questão, pergunta o IRRITADO:

– Eh malta, a Monarquia acabou. Quando acaba a República?

 

Vexata questio. Parece não se pôr. Mas, olhando para a nossa cavacal desgraça, hemos de perceber que vivemos no regime político mais estúpido de toda a Europa Ocidental, onde há monarquias que funcionam e repúblicas que funcionam.

Porque há-de a nossa república ser a desgraça que é?

No nosso mundo, uma só república há em que o presidente, se chefe da maioria, comanda o governo: a francesa. Um sistema inventado pelo General De Gaulle em tempos que já lá vão, e que, se o presidente não é o chefe da maioria, dificilmente funciona. De resto, há presidentes que, ainda que sem as condições morais e culturais dos reis para representar a Nação, lá estão, em funções mais ou menos protocolares. A coisa vai funcionando.

Por cá, temos esta infelicidade de eleger um presidente por sufrágio universal, e depois dar-lhe uns poderes de xaxa (à excepção dos inconstitucionais, como os do Sampaio), como se o voto popular não valesse um chavo.

A opção, uma vez aceite este tipo de sufrágio, seria um sistema do tipo americano, em que o presidente, limitado pelo parlamento, seria o chefe do governo. A alternativa seria eleger o presidente no parlamento e dar-lhe funções formais e simbólicas.

O meio termo é a maior das parvoíces. Primeiro, porque desvia a fiscalização do executivo do parlamento para a presidência. Depois porque, por via disso, desresponsabiliza os deputados e como que empurra o presidente para obrigatória oposição.

Tivemos três presidentes que, claramente, fizeram tudo o que estava ao seu alcance para fazer a vida negra aos governos. Agora, temos outro que, apesar de ser suposto “estar com” o governo, resolveu assumir o mesmo papel que os seus predecessores e vir à liça contra o executivo.

 

Este presidente foi eleito, pelo menos na segunda candidatura, como um mal menor. Tratava-se de evitar que um saco de vento, de bocas e de vácua presunção chegasse a Belém. Muito bem.

O problema é que o eleito não deixou de ser quem era nem de adoptar a tradicional sacanice, coeva da III República, para mostrar que existe.

O cavacal caso, diga-se, é muito mais grave que os anteriores, É que eles tinham a pírrica desculpa de provir de áreas diferentes das dos governos. Este nem essa desculpa tem.

 

Não chega o que chega?

 

20.10.11

 

 António Borges de Carvalho



10 respostas a “DA ESTUPIDEZ DO REGIME”

  1. O problema Cavacal vai muito além de «vir à liça contra o executivo», como o Irritado diz, e como julgo que o Irritado sabe. Esta MÚMIA CAVACA não vai à liça com ninguém, manda bitaites inócuos – e isso não é apenas uma questão de competências ou de poderes, entra na personalidade do indivíduo – é uma questão de CINISMO. Esta Múmia pactuou, durante cinco longos e penosos anos, com o maior TRAFULHA da nossa praça. Foi conivente com a destruição financeira, económica (supostamente a sua triste especialidade), e MORAL do país. Deixou-se estar, sempre mamando, e depois mendigou pelos botinhos para a sua reeleição, como qualquer político profissional, beneficiando da triste concorrência. A Múmia meteu na cabeça certa concepção da função presidencial, e jamais abdicará dela: quer ser uma JARRA que mama à conta, custa mais do que toda a Casa Real de Espanha, e na sua jactância / alienação, acrescenta-lhe os seus recadinhos moralistas, sem qualquer noção do ridículo. O «cavacal caso» é mais do que um caso de psiquiatra, ou de melhor legislação: é um caso de polícia. Esta Múmia, não contente com a sua mama directa dos contribuintes, MAMOU à grande na SLN, abandalhou tudo o que podia com os seus compinchas trafulhas, apregoou honras duvidosas e amnésias selectivas, em suma, tornou-se um CANCRO ainda maior do que havia sido como PM. Digo-lhe: entre o Pinto de Sousa e este Cavaco, chego a duvidar quem seja pior.

  2. Sobre a questão central do post: propõe então D. Duarte Pio como alternativa? E os descendentes dele, como alternativas futuras? Sim, porque se são filhos dele, são automaticamente futuros líderes, certo? Já viu bem o basbaque, choninhas, alienado, que é este D. Duarte Pio? Sabendo exemplo que ele deu na Síria, e conhecendo as convicções do Irritado, das duas uma: ou o Irritado está apenas desesperado, como todos nós, e procura a alternativa mais à mão (o seu PPM perdido); ou desistiu de vez, e decidiu gozar com a malta que o lê, e que o comenta. Mal por mal, prefiro a 2ª hipótese.

    1. Nem estou agozar com quem lê, nem ando à procura do PPM. O que faço é verificar que, na Europa, funcionam melhor as monarquias e, logo a seguir, as repúblicas parlamentares ou, se quiser, o presidencialismo de chanceler.Um Rei moderno e europeu não é um líder, nem um detentor do poder político propriamente dito. É um representante, não da circunstância, mas da multifacetada substância das Nações que tiveram a felicidade de evoluir sem roturas desnacessárias ou o bem senso de recuperar a Instituição Real, como a Espanha.Quanto às pessoas, perguntar-lhe-ei quem diria que o “Juanito do Estoril” daria um Rei com a dignidade de Dom Juan Carlos. Estou de acordo consigo quanto à asneira síria do Senhor Dom Duarte.Como julgava ter ficado claro no post, sendo a questão, em Portugal, mais ou menos inócua ou inexistente por já termos perdido uma série de ideias fundamentais, contentar-me-ia com uma República sem este tipo de presidentes, que não são carne nem peixe nem antes pelo contrário e que acabam por ser uns empatas, uns chatos, todos contentes com o seu blabla, quando não pior.

      1. As nossas divergências sobre a “questão Real” começam até nos melhores exemplos: vejo Dom Juan Carlos de maneira diferente do Irritado. Sim, é uma pessoa que transpira dignidade, um ícone da nação espanhola, talvez até da actual identidade espanhola. O famoso “¿Por qué no te callas??” ajudou também a cimentar a sua autoridade, e real (em ambos os sentidos) autonomia, face aos políticos circunstanciais (e boçais) que lhe aparecem à frente. Mas Juan Carlos é também um monarca fantoche, como a Rainha de Inglaterra, e outros monarcas. E gasta o que nunca produziu, e o que a sua prole jamais irá produzir. Porque não precisa. Tudo lhe é dado, tudo lhe é devido. Trocava a Múmia Cavaca por Juan Carlos? Sim!, sem a mínima dúvida. Mas para que raio continuamos a precisar de um relações públicas tão caro, e ainda temos de sustentar a sua prole? O Irritado sabe certamente que em Inglaterra, a maioria dos proprietários não é realmente dono da sua própria casa, ou terreno: pertence tudo à Rainha, à Coroa britânica. Isto será simbólico, mas em caso de real aperto, é penosa e legalmente real: você não compra, você “aluga” à realeza, que é dona de tudo, como há 500 ou há 1000 anos. Isto provoca, a um “republicano” como eu – leia-se, alguém que se está nas tintas para o nome da coisa, seja República ou outro – arrepios na espinha. Eu não quero “dever” nada a quem nunca pedi nada, e a quem nunca produziu nada, só vive do estatuto. Isso é errado, é uma regressão civilizacional. A limpeza tem que começar no sistema actual, nos partidos, na CANALHA POLÍTICA que temos, mas não vejo porque terá de acabar num sistema que passou do prazo há séculos.

    2. Caro Filipe, não pretendeu uma “cientista” estudar as ossadas do 1º rei? Não lhe foi negado tal?Sabe qual a razão? Evitar que “cientificamente” ficasse demonstrado que o 1º era um doente mental. Daí a monarquia não ser solução.Mas, a actual “monarquia” (com 30 anos) conduziu o País a este lindo estado. Digo “monarquia” porque aos pais têm “sucedido” os filhos, netos e primos.Assim, qual o melhor sistema? a “bordoada”!

      1. Esta cabeça é um espanto.Por morte delegue-a á ciência.Poderão encontrar nela os motivos da imbecilidade!!!

        1. Os motivos da imbecilidade há muito que foram descobertos. Aliás, sabes a resposta quando olhas para o espelho.

  3. Avatar de Carlos Monteiro de Sousa
    Carlos Monteiro de Sousa

    Muito bom dia,meu caro Irritado.O meu caro,com este texto,faz lembrar o poeta que “…às vezes finge que é dor/a dor que,deveras,sente”.Isto,porque,de facto,a Monarquia Portuguesa está entregue a um ser que,infelizmente,ainda só chegou à 1ª Dinastia e,portanto, o Mundo dele é Castela,Aragão etc e nomes próprios todos Afonso.Como Monárquico deve sofrsr e bem.Já Sua Excelência está no cargo que os comunistas definiram que só deveria ser ocupado por profissionais do TACHO,fracos de cabeça,mal intencionados,vaidosos e vingativos.Sei que o Irritado sabe que o texto de Sua Excelência sobre as qualidades da Moeda se destinou,apenas e só,a assegurar a tolerânciados socialistas para a sua candidatura a Belém,DESDE QUE O PS ESTIVESSE NO GOVERNO.Se em “politica o que parece,É”,a explicação do acolhimento de Sua Excelência aos desmandos económico-financeiros por parte do Governo Socialista,chefiada pelo guru da Covilhã,só poderá estar no comprometimento de Sua Excelência com a quadrilha de mal-feitores do PS.Compreendi isto quando vi o candidato do PS às Presidenciais e vislumbrei o “prato de lentilhas” na entrada de Sua Excelência em Belém,a pé e acompanhado de toda a sua família de 1ª linha,a fazer lembrar a chegada a casa de El-Rei e sua família depois dumas merecidíssimas férias em Vila Viçosa.Meu caro Irritado,a escolha entre Monarquia e República leva-me a Bordalo Pinheiro:”Foge cão que te fazem Barão;para onde se me fazem Visconde.Melhores cumprimentosCarlos Monteiro de Sousa

    1. Bom dia, caro CMSObrigado pelo comentário. O IRRITADO, a seu tempo, criticou o oportunismo político praticado sem dó nem piedade nem outras coisas pelo actual Presidente.O IRRITADO sempre o considerou um mal menor. Agora, já não sabe o que pensar. É muito interessante a sua análise sobre as razões que terão levado o actual presidente a comer tudo o que o engenheiro relativo lhe pôs no prato durante seis anos, e não seja, agora, capaz de aguentar 3 meses da comida podre que aquele deixou no prato dos outros.E, como todos os presidentes têm afinado por diapasões de estilo análogo, acho que o melhor seria acabar com eles. Se não com um Rei, pelo menos por um Presidente que não tivesse poder para chatear este mundo e o outro.

    2. É, de facto, uma análise realista: Cavaco pactuou com o PS. Quanto mais pensamos nos factos, mais evidente se torna esta conclusão. Cavaco, como sempre, só pensa em Cavaco. O caro CMS chamou-lhe (a ele e a outros PRs) «profissional do TACHO, fraco de cabeça, mal intencionado, vaidoso e vingativo». Está cá quase tudo. Apenas acrescentaria que é uma bela MÚMIA, e que tinha um motivo adicional para não afrontar o «guru da Covilhã»: os seus próprios rabos de palha. Pois se ele próprio MAMOU descaradamente na fraude mais ruinosa de que há memória! E creio firmemente que nem conhecemos da missa a metade. Um Rei não o teria feito? Suponho que não. Mas qualquer cidadão honesto também não. O problema não está na ausência de um Rei, está na escassez de gente honesta, neste ESGOTO a que chamamos a política nacional.

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