IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


TRÊS INDIGNADOS

 

* Uma senhora, grávida de oito meses, está muito indignada.

Nesta conformidade, resolveu declarar à televisão que, para já, dado o seu estado, pouco vai ao trabalho, como é seu inalienável direito. Depois de a criancinha nascer, sendo todas as despesas pagas pelo Estado e recebidos que sejam os subsídios que a situação impõe, a senhora ficará, segundo diz, 150 dias sem fazer a ponta de um chanfalho, recebendo do Estado, calcula-se a indignação, só 80% do salário. O Estado dar-lhe-á, como é seu inalienável direito, os subsídios para o leite e as fraldas, umas baldas para o marido, e efectivará, em metal sonante, outros inalienáveis direitos.

 

* Uma senhora doutora, toda fataça, indignadíssima, declara que, apesar dos extraordinários serviços que prestou, urbi et orbe, à humanidade, tendo trabalhado 30 anos, passou à reforma aos 55. Ganha uma miséria: 1.120 euros por mês. Ou seja, esta senhora, tendo trabalhado 30 anos depois de tirar um curso que lhe foi oferecido pela comunidade, prepara-se para viver outros 30 à custa da mesma. É motivo de sobra para estar indignada.

 

* Em Nova Iorque, um rapazito ostenta, indignado e orgulhoso, um cartaz onde declara que “Somos 99%” (os indignados, é de ver).

Um cartaz paradigmático sobre o que anda no bestunto dos indignados. Há um por cento da humanidade que vive à custa dos outros noventa e nove por cento. Os que se manifestam, é certo, não são noventa e nove por cento, mas “representam” os tais noventa e nove por cento. Tal como as “vanguardas esclarecidas” representavam o povo mesmo que o povo as abominasse, tal como o partido nazi, mesmo minoritário, representava “todos” os alemães e eliminava os que não fizessem parte de “todos”, tal como o PC “representa” os “trabalhadores”. Etc.

Um pequeno cartaz que diz tudo, ou quase.

A rua é assim, sempre foi assim. O que quer dizer que, ou há uma sociedade forte e organizada capaz de resistir à rua (mesmo que satisfaça algumas pretensões dela), ou se cai, inevitavelmente, nas mais negras ditaduras.

 

Foi sempre assim e nada nos diz que venha a ser de outra maneira.

 

17.10.11

 

António Borges de Carvalho



8 respostas a “TRÊS INDIGNADOS”

  1. É mesmo de ditadura que se trata.A ditadura dos agiotas sobre quem lhe enche os bolsos!!!

    1. Tem piada: lembro-me de ver os agiotas a chular-nos, mas não me lembro de vê-los a OBRIGAR o seu Ingenheiro Domingueiro a endividar-nos junto deles. Quando foi que lhe apontaram uma pistola, para duplicar a dívida pública? Quando foi que lhe ameaçaram os filhotes, para enterrar milhares de milhões em estádios, autoestradas, Cagalhães, Novas Barbaridades, aumentos à FP, Fundações fantasma, festarolas, e PPPs brilhantes? Pobre Ingenhocas, deve ter sofrido uma chantagem terrível. Até o obrigaram a jurar-nos que ia tudo bem, imagine com que peso no coração!

      1. Não referiu umas tantas outras coisas,deliberadamente ou por esquecimento?

  2. O Irritado é contra a licença de parto, nos moldes actuais. E, a meu ver, tem razão: http://www.cite.gov.pt/pt/acite/perguntasfreqs.html É sempre fácil falar de cortes nos outros (nós não ficaremos grávidos de certeza), mas, assim a olho, parece que 60% disto já seria bem bom, face a certas realidades – incluindo a necessidade de fazermos mais criancinhas. 2. A “senhora doutora” é má por ter uma reforma de 1120 Euros? Não sendo uma miséria, será uma fortuna? Bem, para um chinês ou um moldavo, até será. Já percebi, o Irritado joga por antecipação: já que querem fazer de nós chineses, mais vale adaptarmo-nos. 3. Uma “sociedade forte e organizada”… já teria apertado os calos a certos MAMÕES, há muito tempo.

    1. Tem razão. Sou contra os exageros. Tive 4 filhos e não me lembro de a minha mulher ter ficado mais de quinze dias em casa… Nem oito nem oitenta, não é? Acresce que é de uma irresponsabilidade a toda a prova aoroveitar na totalidade os “direitos adquiridos”…2 – Quanto à doutora, é evidente que acho os 1200 euros coisa pouquíssima. Mas, para quem decide passar à peluda aos 55 anos… se calhar é demais.3. De acordo. Não disse que vivíamos em tal sociedade. Desejei que vivêssemos.

  3. Caro IRRITADO,Gostaria de lhe sugerir o filme “Capitalismo, uma história de amor”, do Michael Moore. Confesso que não sou fã da criatura, o filme tem (pequenos) momentos lamechas um pouco irritantes e dispensáveis, mas na generalidade é óptimo e vale mesmo a pena.Cumprimentos,M

    1. Obrigado pela sugestão. O senhor Moore é especialista em cobras e lagartos, sem apontar qualquer caminho. Muito terá que mudar, e depressa. O problema é o como e o quando.

      1. É positivo reflectir sobre os erros para ponderar conscientemente as alternativas, ou ajustar o caminho. Não acredito em sistemas espartanos nem em imposições, por exemplo, de mais meia hora de trabalho diário (até é ridículo); acredito em atitude, talento e no potencial criativo de cada um de nós; direitos adquiridos é um conceito vago e irracional. Idealista? Dizem que sim (com algum desprezo), quero lá saber … Prefiro que exista um Sr. Moore a que não exista nenhum, tal como continuo preferir que exista um sistema financeiro capaz como motor da economia a que seja suprimido. Gosto e defendo a opção e a liberdade de escolha, não a imposição. Penso que a ganância, triste condição humana, foi a grande questão do actual sistema. Sabe que nos EU as empresas têm mais a ganhar com a morte de um trabalhador que com a sua vida? Os óbitos entram nos rácios de rendibilidade das empresas e por vezes não morrem os trabalhadores previstos para o cumprimento dos objectivos. Não acredito em cadáveres no caminho.Foi esmagado o respeito pelo próximo e a responsabilidade social das elites que, por acaso, são agora muito mal educadas, tenebrosas, ouso dizer.A mudança começa em cada um de nós … E seria uma honra se aceitasse a minha humilde sugestão de cobras e lagartos. A propósito, leu as Vinhas da Ira? Um analista de um banco Suíço teve esta visão para os próximos anos e rematou a palestra com o seguinte comentário: “Buy a farm and buy a gun”. Have a nice day,M

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