IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA INTELIGÊNCIA FISCAL

 

O camarada Louça, após inúmeros esforços, encontrou uma alma gémea. Nada menos que o senhor Nicolau Sakozy. Não se cansa, por isso, de o elogiar.

Em tirada demagógica quiçá bem achada, resolveu o Nicolau lançar uma taxa sobre os ricos. O Louça louva, agradece e faz propostas que, seguidas à risca, acabavam com o que resta de dinheiro em Portugal.

O governo, ainda que tremendo de medo – é caso para isso – anda tentado a ir pelo mesmo caminho.

 

O problema é vários problemas.

Antes de mais, importa saber o que são ricos. Segundo o critério das nossas brilhantes taxas de IRS, ricos são os que levam para casa mil e quinhentos euros por mês. Pelo critério dos multimilionários, encontramos meia dúzia, a maior parte dos quais têm o dinheiro metido em empresas, não podendo tirá-lo de lá sem causar muito mais problemas que os que, alegadamente, resolvem.

 

Depois, há a peregrina ideia de taxar o “património”. O senhor Berardo, por exemplo, que tem um património valente em obras de arte, antes que lhe cobrem dois tostões sobre elas passa-as a patacos a um museu ou a um Estado qualquer mais inteligente que o nosso. E vai à sua vida todo contente.

Há património e património. Você, que comprou o andar à custa de muito suor, verá o IMI triplicar, para além de lhe taxarem a terrina Ming que a patroa da sua bisavó, uma condessa do século XIX, lhe deixou.

O IRRITADO exagera, pensarão, talvez com uma ponta de razão.

 

Haveria, por exemplo, que taxar os helicópteros, os aviões, os iates que uns exibicionistas apresentam por aí. Pois. Antes de mais, se forem ver quem são os proprietários de tais brinquedos, aposto que encontrarão firmas sediadas nas Bahamas, ou no Reino de Vanuatu. Como não podem ser taxados, há que ir ao património dos outros, os tais ricaços que levam mil e quinhentos euros para casa ao fim do mês.

Prepara-te, mexilhão. Se não queres que te vão ao bolso, deixa-te de invejas!

 

Seriamente falando, há coisas que talvez se possam taxar sem problemas de maior. Certas mais-valias, por exemplo. A não ser em coisas deste género, a coisa resolve-se mais pela via das isenções que pela dos impostos, o que não é grande novidade mas se pode reconsiderar. Assim, podia haver uma diferença fiscal digna desse nome entre os dividendos que se metem ao bolso e os que são reinvestidos. Mesmo esta ideia já anda por aí a ser tratada com os pés. Diz-se que tais incentivos se deviam aplicar em função do número de postos de trabalho que se cria. Erro fatal. Um tipo que invista numa fábrica de alta tecnologia, inovadora e competitiva, é mais taxado que outro que lance uma fábrica de chouriço de carne feito à mão.     

Depois, vem a demagogia. Os chamados ricos, os que já pagam 46% e vão passar a pagar 49, são, muitos deles, ricos porque têm lucros do que fazem ou produzem. Ora um lucro de x é taxado em 30%, pelo menos, em IRC. Quando passado para a mão do patrão, é taxado outra vez, agora nos tais 49%, em IRS. Isto significa que, se a “minha empresa” declarar um lucro de 100, eu vou receber, se receber, 70. Desses 70, o Estado leva uns 34. Quer dizer que eu paguei ao Estado 66% do meu lucro.

Em vez de se falar de fraude e fuga fiscal, talvez, nestes casos, mais valesse olhar para os factos e arranjar maneira de desincentivar tais práticas em vez de, simplesmente, as perseguir, ou de lançar sobre elas, a priori, o anátema da inveja, que tanto agrada a certa gente. É o Estado quem fabrica a fraude, não os que arranjam meios, mais ou menos “imaginativos”, para não se deixar esbulhar.    

 

Numa coisa o último ataque fiscal é eficaz. É que, ou me engano muito ou, atacando quem ataca, não dá grande margem para as “revoltas sociais” da praxe. É mais provável que o “professor” dos bigodes seja capaz de arregimentar revoltosos, do que o Silva de juntar multidões no Marquês.

 

2.9.11

 

António Borges de Carvalho



11 respostas a “DA INTELIGÊNCIA FISCAL”

  1. Então e os tais institutos,as empresas municipais,os gabinetes de assessoria,são musculo?Já não são banhas?Ou serão necessárias para acolherem os boys da maioria?

    1. Não sei que tecelão é. Mas, diz verdades. Verdades que, juntamente com outras “verdades” Não aumentar impostos), foram utilizadas por Passos Coelho para ganhar as eleições e que hoje mostram serem as MENTIRAS DAS VERDADES.Passos Coelho é outro “pinóqueo”

  2. Boa noite,concordo com o teor geral do mail. No entanto permita-me apenas uma correcção: Os “rendimentos” nao sao taxados em IRC e em IRS. Se forem rendimentos em sede de IRS são custos fiscais deduzidos ao lucro sujeito a IRC.Assim, ou incide o IRS (e nao IRC) ou incide IRC e depois são distribuidos por dividendos (sobre os quais incidirá uma taxa liberatória menor que os tais 49%).Atenção: continuo a achar que a % total de tributação é tudo menos encorajadora para fazer as coisas Às claras… e esse imposto sobre o patrimonio so “enche” os cofres de umas quantas off-shores no Delaware ou no Luxemburgo ou num qualquer paraiso fiscal

    1. Muito obrigado pelo seu comentário, que, sem pôr em causa a “filosofia” geral do escrito, contribui para o seu esclarecimento.

  3. Taxas e questões contabilísticas à parte, está sempre subjacente à lógica do Irritado um velho bicho papão – tal como os comunas, também a “direita” tem os seus: neste caso, a fuga de capitais. Verdade seja dita, o problema é mundial: até os U2, a banda mais lucrativa do planeta, sempre cheia de compaixão por “causas sociais”, mandou a pátria irlandesa às malvas, para poupar uns trocos no mais compassivo regime fiscal holandês. E todos ouvimos falar da GE, uma das maiores empresas americanas, com lucros de 14 biliões, 5 dos quais obtidos nos EUA, que consegue o prodígio de não pagar lá um cêntimo de impostos. Aliás, até reclamou do Estado americano, certamente com bases sólidas, 3 biliões em benefícios fiscais. E é tudo legal! Como é óbvio, o problema está justamente nas leis que o permitem, e na sagrada tolerância aos offshores e outros cambalachos legais, mas totalmente imorais. ——————– Soluções? Evitando a maçada que seria acabar com este sistema tão caro ao Irritado, que tal uma única palavrinha mágica: RETROACTIVIDADE. Passo a explicar, usando 2 exemplos, e desculpem a seca: 1. O Governo taxou em 50% extraordinários, em Julho 2011, o subsídio de Natal de Dezembro 2011. Como este subsídio está vinculado ao trabalho do ano inteiro, a taxa tem assim efeitos retroactivos: trabalhámos 6 meses contando com uma coisa, e a meio do ano o Governo mudou as regras – algo que nenhuma empresa pode fazer. Comprovamos assim, caso ainda não o soubéssemos, que o Estado tem poderes especiais, como o Super-Homem (o da banda desenhada, não o de Nietzshe). 2. O Irritado fala do Sr. Berardo, e da alegria com que ele escaparia ao hipotético novo imposto sobre o património dos ricos. Mas – recordemos – o Estado é o Super-Homem. Ora, o Super-Homem é sempre super: o que lhe interessa é o património do Sr. Berardo AGORA, e tem o poder de o taxar AGORA, seja qual for o destino ulterior desse património. Tal como no súbito divórcio do Sr. Oliveira e Costa, o Estado tem o poder de impedir fugas chico-espertas, basta querer. Basta taxar retroactivamente, como faz ao comum contribuinte, os obscenamente ricos. Pode até – sacrilégio dos sacrilégios! – cobrar à BANCA o mesmo que cobra às restantes empresas… Uma pessoa lê com cada ideia irresponsável, não é, Irritado?

    1. Não vivemos em Marte. Vivemos na Terra, planeta onde, goste-se ou não, houve um consenso ou uma inevitabilidade geral: a globalização.V. tem razão em quase tudo o que diz. Mas, nesta como em muitas outras matérias, é adepto de uma revolução cujos contornos se pode perceber, mas que, para dizer curto, não depende de si, nem de mim, mem do governo, nem de Portugal. Teria que ser, ou uma revolução mundial, ou uma ditaura também mundial, ou, se feita só por nós (?), uma espécie de albanização.Assim, temos que viver com o que nos cerca e com o que nos é próprio. O que nos cerca, no caso, são as hediondas offshores, a livre circulação de capitais, os desiquilíbrios fiscais e, como sempre, o salve-se quem puder. O que nos é próprio são as dívidas insensata e exageradamente contraídas e sem contrapartida económica.O sistema que v. abomina e de que eu gosto (da sua filosofia de base, não dos desvios que tem sofrido) terá que evoluir. Mas, se não houver certos cuidados, muita imaginação e muito savoir faire, tudo coisas raras nos tempos que correm, temo que as coisas só se reequilibrem manu militari.Por isso que a sua irreprimida revolta devesse ser refreada. Do mal o menos.

      1. Dei de barato que não podemos mudar o Mundo sozinhos. Seria como uma pulga tentar mudar o cão em que habita. Mas podemos dar um pequeno exemplo. E o nosso Estado, como tentei demonstrar, é livre de TAXAR quem quiser, como quiser, até mudando as regras mais elementares, se quiser. Bastaria tão-só fazer aos Berardos e banqueiros da vida, o mesmo que faz ao Zé das Couves – que é como quem diz, ao seu POVO. Quem será Portugal, quem será o Estado? O Sr. Berardo, a Banca, ou o povo que cá vive?

  4. Portugal, como qualquer país de 2º/3º mundo, está cheio de riqueza mal explicada. Nem é preciso chegar aos jactos privados, ou aos iates de luxo: basta ver os carros. Chulo/tachista/trambiqueiro que se preze, não prescinde de uma grande “bomba”. Neste país pedinte, temos uma frota invejável. Audis, BMWs, e Mercedes topo-de-gama, Porsches e Ferraris – de onde vieram? Como foram pagos? E as brutas vivendas no Restelo, na Quinta da Marinha, na Quinta do Lago, e noutros locais “premium”, serão todas de empresários honestos e bem sucedidos, ou de herdeiros sortudos? E os apartamentos no “Palácio Estoril Residências” (http://palacioestorilresidencias.com), ou no Edifício Campo Pequeno (slogan: “Para quem ama Lisboa”), e outros, quase todos vendidos a milionários tugas e angolanos, alguém sabe de onde veio o guito? Falamos de casinhas que custam MILHÓES de euros, em muitos casos pagos a pronto. Diz-se que muitos ciganos também pagam sempre a pronto – em cash. Consta que os narcotraficantes também são assim. Tudo gente de boas contas, não falo de pelintras que trabalham, e que se endividam. Mas alguém investiga a riqueza destes felizes proprietários? Alguém faz pelo menos por taxá-la? Alguém se importa? Ninguém. Muito menos o Irritado. Se a têm, é porque a merecem, não é? O resto são invejas.

    1. Eu INVEJOSO me confesso.

    2. V. não pára de insistir na mesma tecla. O IRRITADO não protege ninguém, não investiga ninguém, nem parte do princípio do provérbio “quem não rouba nem herda é rico mas é uma merda”. Acha é que, primeiro os crimes, depois o castigo. Se V. está interessado na matéria, acuse quem acha que deve ser acusado. Mas não ponha as coisas de pernas para o ar.Se o Estado andasse preocupado com as suas funções em vez de passar a vida, à boa maneira do socialismo democrático, burocrático e estúpido, metido onde não é chamado, talvez tivesse tempo para escarafunchar como v. gosta e o IRRITADO acha bem.Mas não punhamos na cabeça a velha máxima que diz “se há pobres é porque há ricos”. É uma falácia estúpida e contraproducente.Repito, nada disto tem a ver com crimes que tenham feito a riqueza de alguém. Vamos a eles! Não por ser ricos mas por ser criminosos. Se não defendemos estes princípios básicos, se não achamos que o Estado deve cumprir estas missões, se nos limitamos ao blabla acusatório e gratuito, então vamos até ao fim, que é a ditadura, isto é, o sistema em que os “maus” são assim classificados pelo que são e não pelo que fazem.

      1. Vamos a eles? Como vamos a eles,se são eles que detêem o poder?Basta determo-nos no bando cavaquista que assaltou um banco.Aconteceu-lhe alguma coisa?E o que dizermos da bandalheira da Madeira?Onde os politicos são os mesmos que tratam das obrinhas,ou seja;distribuem entre si os nossos impostos.

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